2. Nossa segunda morada foi no Ed. Vieira, no Desterro, em frente ao Convento da freiras que faziam uns gostosos pingo-de-ovos, onde minha irmã Albinha estudou uma parte do primário (hoje fundamental). Em alguns meses me enturmei com a garotada da rua, e a molecada era do barulho. Daí em diante comecei a brincar como lá na rua onde morava em Maceió, a rua ainda era inteirinha de terra, permitindo cavar buracos, marcar linhas, pular nas poças de chuva, e aqui então dava para disputar rodadas de bola de gude (a chimbra), ferrinho (o fura pé), soltar arraia, bater um baba (que nome para futebol!), e me surpreender com a porrada que pintava assim que havia um desacordo quanto a falta ou o gol de algum jogador atrevido. Cheguei a enfrentar um garoto com um tijolo na mão sem medir as consequências de meu ato infantil, ele (esse era o Júlio, tido como maluco mesmo pela meninada) desistiu do blefe de me jogar a pedra, após uns minutos de olho no olho que mantive sem me mexer. Essa tática era útil para os covardes que nunca arriscavam bater sem correr, e dava certo amedrontar para ganhar respeito, mesmo que pudesse dar xabú diante de alguém "etéreo" como eu naquela circunstância. Suei, mas aí me formei na escola da rua. Ninguém escapava da recorrente violência préviamente estampada na fuça dos caras maiores.
Havia um saguão interno no prédio que servia para a ventilação e entrada da luz do sol, um grande quadrado rodeado por corredores internos com janelas largas de madeira e vidros nas portinholas. Do apartamento que morávamos, com essa ligação visual de sugestão estritamente estrutural, podíamos nos tornar íntimos dos poucos vizinhos em suas preocupações, atividades domésticas e escolares, ainda que fossemos inquilinos sem qualquer relação de amizade com eles, antigos moradores do pequeno prédio. Espere! Um deles, o Pola Ribeiro, vim a conhecer mais de perto e não apenas de vista, poucos anos depois nas experiências do super 8, quando minha família morava no Jardim Baiano. Na época das aventuras de adolescente deviamos estar em outras paradas, e eu, então, no Ed. Vieira, só lembro mais dele em suas passadas, de pés grandes em havaianas, às pressas, num corre corre, atravessando a Franco Velasco, Desterro. (continua)
Enfrentar os obstáculos, sem se paralisar no momento é a grande necessidade da vida. Mesmo perdendo a inocência infantil, devemos sempre manter nosso espírito aventureiro de adolescente.
ResponderExcluirNeila