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segunda-feira, outubro 29, 2007

Subindo

Escadas

Comecei com os olhos secos
Saltando ares de reta transição
Estalando dobrados em aurora

Jogando-me em processo curioso
De saber turvo a espelhar-me
Fui anseio em turbilhão

Tentava de tudo e fiz
O que era menos natural
Mas tudo estava dentro de mim

Muitas noites de insônia vazia
Passos atrasados pelas pedras
Em batalhas sem armas ou guia

Vendo arder minha alma tola
Nas tentativas estranhas
De conter meu animal bravio

Saídas toscas de janelas reparadas
Cruas em óleos e papéis de vidro
Encerrava-me numa gaiola quebrada

Os lábios tinham de responder
Pelas coisas malditas no íntimo
E balançar um casulo de borboleta
Metamorfose de desafio brutal e motivos

Vivi a solidão em bolhas alcoolizadas
Ao gosto de um vento farto de balões
Montando minha escada belíssima
Um quebra-cabeça que me surpreendia

Abri caminhos internos para superviver
Outros externos nas linhas lidas das mãos
Descolando tantas passagens cercadas
Identidade única em estado de prazer

sexta-feira, outubro 26, 2007

Frutos da ...

Arvore Criada

Plantei uma arvore em algum momento da minha vida
Cuidando bem dela sabendo que seu fruto não era só meu
Reguei de amor e poesia meus sonhos tidos como filhos

A paixão se achegou em brotos palpitando movimentos
Corroendo os anéis acomodados dos desejos em fluxo carente
Expondo sentimentos que afloravam doce num crescimento

Uma malícia de mel veio na boca em roupas de origem simples
Tentando marcar com seu compasso um circulo de fantasia
Que até então era mais feliz do que a velha paisagem triste

Toda entrega parecendo tão difícil sem o amor necessário
Partia em surtos de gestos duros de quem se enfeita do falso
E limpa tinta de livros antigos de idéias atrasadas no horário

Continuei escrevendo num sopro de surpresas e acordei
Diante de todos os céus limpos de tempestades tardias
Andando sobre pétalas de carinho daquela arvore que plantei

sábado, outubro 13, 2007

Ser e Não Ser

Seja Como For

Digo que minha dança floresceu sob o teto de raízes profundas
Que repetidamente de gestos e palavras sinceras era companhia
Mesmo a cegueira e palpites me tratando como se fosse uma mentira

Em um labirinto intrigante surgiam julgamentos irreais sem lastro
Que por mim queriam perder suas roupas e riqueza sem orgulho
Da visão pura das crianças que percebem as cores reais do quadro

Que corte injusto nos meus sonhos é preparado pelos pesadelos
Justo agora no inicio do apoio do Universo construindo novidades
Por uma encosta ensolarada entre grupos de anjos ouvindo meu apelo

Sei que nunca estamos sozinhos diante dos medos que nos atentam
Uma força positiva logo se chega a quem realmente se entrega
Aos pensamentos felizes que nos levantam no ar tão raramente

Viro os lençóis e meu coração novamente por outro lado avesso
Ao ouvir as verdades que desenvolvem calos na minha percepção
E continuo a falar com meus botões como se refizesse o começo

terça-feira, outubro 09, 2007

Desafio

De Peito Aberto

Por um lado corre a vida sem amarras a romper os laços
Uma certeza aperta os passos que faltam para minha saída
Meus sentimentos trepidam entre as margens das decisões

Volto os olhos para a minha praça que expõe suas escadas
Quero ar e água desarrumando os espaços de meu peito
Limpo em espírito por não conter mágoas nem presunção

Conheço-me pelos dons que em silencio ardem e declamam
Jogos e processos rompem a sorte no retorno de pesos e tensões
Por que dançar a vida permite que a felicidade inflame !

Minha criança percebe que opera em canto e espaço próprios
Revivendo seus gestos e esperanças decididamente presentes
E em mim encontros e desencontros viram coisas transitórias

terça-feira, outubro 02, 2007

Sonhos

Sede Interna

Fiquei sem palavras no exato momento de sua chamada
Cintilou um imaginário segundo antes do beijo desejado
Definiram-se rasgos de possíveis tratados anti-saudade
Passaram pelo corpo os frios e calores das sedas do tato

Já posso realizar os sonhos que tanto me reviram ao sonhar
Mesmo nessa estrada que se abre como os dedos das mãos
Jogando fogo e brasas em nossas veias que se conectam
Que de lua a sol amanhecem em pouso de gozo e perdão

Nem advinha meus dias aguardando por sua companhia
Porque costumo sair de mim e viajar a lugares desconhecidos
Milhas em asas arqueadas sem descanso ou proximidades
Que me acolham na continuidade com afeição nos sentidos

Preciso de minha paz encoberta por sua sonoridade louca
Acostumar com as tempestades que me pegam e se vão
Aprender todas as manhas que trouxerem as surpresas
E amar por muito mais vezes enquanto tiver um coração