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terça-feira, abril 18, 2017

A lama dos iguais

Uma realidade conhecida: a lama dos iguais

Duvida? Existe algum pensamento que não seja rejeitado que não esconda um certo sentido em sua própria defesa? Ou é reativo ou é evolutivo. Sem o real diálogo, o entendimento fica muito complicado, vira discussão infértil e deixa de ser diálogo. Discussão envolve defesa de pensamento, de ideologia, e é somente na pior política que se faz a defesa de ideologia autoritária, mesmo sendo algo que se mostre incompatível com a ética e justiça social. 

Hoje o menor estranhamento com quem aponta os erros da camarilha petista e seus apoiadores diz muito de quem evita ou confere descrédito a atitude de quem põe crítica e denúncia dos envolvidos com a institucionalização da corrupção e a propina como moral e moeda oficial entre os seus companheiros. Não se trata de cargo ocupado ou profissão, as delações, as informações documentadas estão bem claras, por meio de fontes diversas, os depoimentos disponibilizados, a questão é antes de tudo ética, de justiça, de bom senso diante de tantos recursos desviados e embolsando pelos sabidos corruptos. E já sabemos quem são eles. 

Qualquer um pode independente de sua ideologia fazer sua reflexão. Quando deixamos de nos importar com o que é princípio, tudo o que sobra é a defesa do indefensável, e a morte da razão. Acredito que a ex-querda chegou a isso, com a revelação do que antes era “normal” e com o absurdo não reconhecido do esquema da quadrilha que prejudicou a política e a economia com crime injustificável contra a sociedade, agora levado ao conhecimento público. 
E que destino insólito, qualquer um que busque salvar um desses "líderes" será tragado pelo largo e profundo ralo de lama.

Intelectuais afirmam que ex-presidente dividiu a esquerda no país

Lula sofre 'nova leva' de desencanto na esquerda com delações da Odebrecht
Thais Bilenky, FSP, 18/04/2017.

Com as acusações de delatores da Odebrecht tornadas públicas na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sofre uma nova leva de desencanto entre intelectuais e jornalistas da esquerda.
Acadêmicos ouvidos pela reportagem relataram receber enxurradas de textos responsabilizando o ex-presidente pela fragmentação da esquerda no país.
Alguns mantêm seus comentários em grupos reservados. Admitem que a defesa de Lula entre intelectuais arrefeceu, embora opinem que ele ainda tem um caminho a percorrer na defesa de direitos do povo.
Outros manifestam publicamente a frustração com alguém que tinham em alta conta. "Lula foi o melhor presidente que esse país já teve, sem dúvida, e isso não muda", disse a psicanalista Maria Rita Kehl, simpatizante do PT, que então reconheceu: "É claro que é muito decepcionante que ele tenha sido delatado na Lava Jato".
Para ela, a frustração é com "a pessoa" do Lula –"ele não era uma pessoa tão bacana e tão íntegra". Mas não com o governante –"não muda que ele tenha feito um governo espetacular, o primeiro principalmente", afirmou.
"A decepção é muito maior com alguém de quem você esperou tanto, que prometeu tanto. Aí não adianta ele invocar 'mas eu fiz tanto por esse país'. Justamente porque fez tanto por esse país, não era para ter nada contra ele."
Outro lulista, o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu site, "Conversa Afiada", afirmou que o conteúdo das delações "macula de forma profunda a imagem de um líder popular digno de ser eleito presidente em 2018".
"Os Odebrecht revelaram que o presidente Lula mantinha com a empreiteira, notória subornadora, uma relação promíscua, que tinha por objetivo obter vantagens indevidas de um ex-presidente da República com a responsabilidade histórica de Lula", afirmou Amorim.
Ele disse, ainda assim, que a Lava Jato é formada por "justiceiros" que perseguem o petista politicamente.
DELAÇÕES
Os delatores afirmaram que a Odebrecht pagou mesadas ao irmão do ex-presidente, ajudou o seu filho a impulsionar a carreira e reformou um sítio como presente ao ex-presidente, entre outras menções, em troca do apoio do petista em questões de interesse da empresa no governo e fora do país.
Em uma das passagens de sua delação, o patriarca do grupo, Emílio Odebrecht, relatou ter dito a Lula que o "pessoal dele estava com a 'goela muito grande'". "Estavam passando de 'jacaré para crocodilo'", afirmou.
Emílio disse que parte dos recursos era repassada via caixa dois.
A assessoria do ex-presidente rebate, uma a uma, as acusações. Afirma que os depoimentos "estão sendo manipulados para falsificar a história do governo Lula".
"Insistem em tratar como crime, ou favorecimento, políticas públicas de governo voltadas para o desenvolvimento do país e aprovadas pela população em quatro eleições presidenciais."
A assessoria do petista afirmou que o ex-presidente nunca pediu valor indevido à Odebrecht.
PRECEDENTES
Não é a primeira vez que intelectuais e militantes de esquerda expressam desencanto com o ex-presidente.
No mensalão, alianças com empresários e concessões políticas em troca de governabilidade fizeram fundadores do PT deixarem o partido e defensores de Lula abandonarem seus postos.
Desta vez, a alegada contradição entre discurso e prática foi a gota d'água.
"A classe produtiva faz parte da sociedade e é preciso sempre saber lidar com ela. Mas é duro de engolir, para um cidadão de esquerda, a aproximação excessiva de Lula com a Odebrecht e seu dono. O mesmo Lula que denuncia, com tanta propriedade, o egoísmo e a ganância de nossas elites. Por acaso a Odebrecht não faz parte da elite?", questionou a jornalista Cynara Menezes, em seu blog "Socialista Morena".
Como ela, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo diz que Lula não se beneficiou pessoalmente. "Eu conheço o Lula, nunca vi ele levar vantagem pessoal. Mas é claro que se envolveu nos negócios do Estado e das empresas, porque elas têm uma relação muito próxima do Estado, como FHC, como todos, porque é uma coisa complicada."
Para ele, as delações revelam "um processo agudo, amplo e inadequado: as empresas invadiram o Estado".
Como relatou o colunista da Folha Clóvis Rossi, o linguista americano Noam Chomsky fez críticas à esquerda latinoamericana e especificamente a brasileira.
"É simplesmente doloroso ver que o Partido dos Trabalhadores no Brasil ""que implantou medidas significativas"" simplesmente não pôde manter as mãos fora da caixa registradora. Juntaram-se à elite extremamente corrupta", afirmou, ao programa "Democracy Now".
Chomsky defendeu "forças que sejam honestas o suficiente para desenvolver programas decentes sem roubar o público ao mesmo tempo". 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1876370-lula-sofre-nova-leva-de-desencanto-na-esquerda-com-delacoes-da-odebrecht.shtml

Lava Jato, Mãos Limpas, Justiça

Mãos limpas, o tempo nos ensina justiça.

O tempo nos ensina a hora de limpar e cortar as unhas. Unhas e mãos limpas tornam a nossa vida mais saudável. Quando deixamos de lado esse trato, alguém nos fala com um certo sentido crítico, observador, inconsciente ou interferindo no processo quando ainda somos criança, desleixados ou incapaz. Mesmo porque, unhas e mãos limpas evitam odores, o aspecto de sujeira, inclusive os contágios e enfermidades que advém naturalmente com o contato diário com objetos, na relação social, nos procedimentos praticados e em algumas atividades que exercemos.
Mas, porque falar sobre unhas e mãos limpas? O que me fez lembrar, acordando essa hora, do tempo que nós percebemos de ter de cuidar das nossas mãos e unhas?
Percebo então que o tempo em determinados casos não pode ser como é, a única justiça. Li algo sobre esse tema ontem. Não esquecer que a sujeira do ilícito, da interferência por relações de interesse, o ódio transferido para o tecido social, a improbidade administrativa, o jeitinho dado no trato da coisa pública através da propina, o jogo decadente e nojento da velha política que, resiliente, tenta por todos os meios procrastinar o seu poder quase onipresente e corrupto. Tudo isso está em cheque, ou pelo menos encontra-se em conflito com os novos interesses da sociedade, mesmo contra os estertores de oligarquias políticas, o foro privilegiado, os desatinos das raposas de toga, as ações violentas de corporações e organizações criminosas. Mas o tempo continua sendo a justiça. E essa agora de voto em lista fechada? Descarou de vez.
Infelizmente constatamos esse histórico atraso imposto pelas incompetências laureadas, as práticas econômicas da ilusão, as custosas desonerações, as criatividades pedaladas, as absurdas taxas de juros prejudiciais a economia, assim como as leniencias indevidas, sendo o seu trato necessário ainda dependente do velho e justo tempo. Oh tempo rei, oh tempo rei.
As próximas eleições, parece, funcionarão como um cortador de unhas, a água e sabão que chegará com o nariz aguçado dos eleitores enganados no passado, na medida do possível, considerando as leis, os costumes e as regras locais, quem dera viesse com a força de uma Lava Jato.

Pontes irreparáveis e Chave

Pontes e chave

A cada espera os dias duravam feito o caótico voo da borboleta azul
Os pensamentos condensavam no lume dos mesmos vagalumes
Eram tentativas por um segundo de sair do planeta vermelho
E cada hora adiante só se contavam lentamente as incertezas
 Sentindo o peito apertado transformar em chave e um aviso
Indo e vindo sem poder traduzir o presente do rosto das ruas
Joguei questões entre anjos de vidro e me sairam respostas
Foram treze anos e loucos temperando anéis que não cabiam em nossos dedos
As luas quando cheias indicavam a linha dos nossos passos em labirintos
Qualquer palavra permaneceria flutuando sua arte vendida
Era a vez de nossas mãos cruzarem as folhas feridas das estações
 E grãos de esperança surgiriam de faíscas e pontes irreparáveis

O bon vivant, o "amigo" da lista da Odebrecht

A desfaçatez de um bon vivant

O "amigo" da lista, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, o bon vivant, teve anos de regalia sustentado pela Odebrecht e por incrível que pareça ainda fala como vítima para seus admiradores, uns são bastiões, outros uma pá de inocentes úteis, esses que por claro infortúnio persistem em acreditar nele como salvador da pátria. Não por falta de tempo para compreender, apesar dos esclarecimentos das delações sobre o controle gerencial da propina, do dinheiro de contratos com o poder público ser desviado para o Setor de Operações Estruturadas, e toda a capilaridade do dinheiro fácil surrupiado para pagamentos não contabilizados, indo para a goela grande dos diversos partidos aliados e tantos "colaboradores", tanto o "amigo" como os seus admiradores, ainda se sentem perseguidos, por Moro e por quem quer se importe com toda trama surpreendente dessa organização criminosa que prejudicou todo um país.