Em cada infância acontecem fatos que nunca vão desmanchar em nuvens carneirinhos ou como folhas secas, sumirem num redemoinho, após um vendaval. Sempre vem no painel das lembranças de uma dada época em que vivemos juntos as horas que pareciam infindáveis em dias de incontáveis brincadeiras. Algumas imagens estáticas batem na mente como uma foto em preto e branco ou mesmo um imaginário filme digital sobre uma tarde no futebol de bola-de-meia perto dos Labirintos com seu leite venenoso, um domingo na praia do Trapiche soltando papagaio, uma carreira de cágados no quintal da casa da avó Abigail e as voltas rápidas de velocípede, no qual montava, e rodopiava por debaixo da mesa da sala de jantar ignorando os gritos de recomendações de perigo dessa arte incrivelmente pueril. Selecionei uma foto que me faz recordar de meus irmãos, todos nós na expectativa de se ver nos anos que eram nossos (eu 4 anos, Armando 2 anos e Alba 3 anos), feita por um fotografo profissional que nos deu um susto danado com seu flash explosivo. Como estava paralisado e de olho duro reparei bem quando o homem clicou o curioso disparador e um clarão luz prateado nos pegou de surpresa, marcando de jeito nossa atenção, como quando um raio cai do céu. E olha que, a gente morria de medo de trovão nessa idade.
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quinta-feira, março 15, 2007
O Flash
Em cada infância acontecem fatos que nunca vão desmanchar em nuvens carneirinhos ou como folhas secas, sumirem num redemoinho, após um vendaval. Sempre vem no painel das lembranças de uma dada época em que vivemos juntos as horas que pareciam infindáveis em dias de incontáveis brincadeiras. Algumas imagens estáticas batem na mente como uma foto em preto e branco ou mesmo um imaginário filme digital sobre uma tarde no futebol de bola-de-meia perto dos Labirintos com seu leite venenoso, um domingo na praia do Trapiche soltando papagaio, uma carreira de cágados no quintal da casa da avó Abigail e as voltas rápidas de velocípede, no qual montava, e rodopiava por debaixo da mesa da sala de jantar ignorando os gritos de recomendações de perigo dessa arte incrivelmente pueril. Selecionei uma foto que me faz recordar de meus irmãos, todos nós na expectativa de se ver nos anos que eram nossos (eu 4 anos, Armando 2 anos e Alba 3 anos), feita por um fotografo profissional que nos deu um susto danado com seu flash explosivo. Como estava paralisado e de olho duro reparei bem quando o homem clicou o curioso disparador e um clarão luz prateado nos pegou de surpresa, marcando de jeito nossa atenção, como quando um raio cai do céu. E olha que, a gente morria de medo de trovão nessa idade.
Somos a somatória de tudo que vivemos. Os vendavais passam, mas as lembranças ficam guardadas para sempre. Que bom podermos ter “filmes” de beleza inocente, que nos faz recordar a singeleza da vida. Clarões de luz prateadas podem até nos assustar, mas depois descobrimos que tudo não passou de um “flash” e não necessitamos ficar paralisado. E assim é a vida...
ResponderExcluirNeila