Páginas

domingo, maio 27, 2007

Homo

Sábios e Doentes

Quando um dia sequer sem ameaças,
Se dor e fome ainda morrem no corpo ?
Mais caminhos demonstra violências
E ainda impunes se entrelaçam.

As mesmas promessas arrastam-se
Anos a fio cortando no osso.
Sem panacéias que satisfaçam,
É navalha o mais provido esboço.

Mesquinharias de ambições e lucros
Impedem as necessidades da gente.
Propiciam as cicatrizes nos sonhos,
Assim como as repetições dementes.

Folias, más políticas, bravatas
Nos queima a todos através dos anos.
Suja-se o bom gosto das almas
Que ainda acreditam nos planos.

A hora de consertos nos chega e se vai
Pelos filhos que tateiam esperanças,
Mas de vendas manchadas por dias e noites
Até se acudir no balanço das mudanças.

Ainda pisamos no olho da água doce,
O mineral com vigor ainda borbulha
Espelho da natureza sem rancor se derrama,
E nos alimenta com manancial ternura.

Vale mais os valores da sabedoria
Em cascatas reviradas por letras e danças,
Numa verdade com gosto de ruptura
Que no peito do ser humano se balança.

sábado, maio 26, 2007

Em Tempo

Este Amor

De curiosidades semeadas por cristais de luz matutina
Mais um dia corria solto entre gorjeios de passarinhos
Notas se soltavam pelos ares através de trino afinado
Indo compor cenários retratados em flores e sons de sinos

Passando as mãos pela noite senti a voz líquida da lua
E medi seus compassos riscando no chão raras nuanças
Renovando espaços internos alarguei ruas e casas
Compreendi o frio na procura do cobertor que faltava

Muitas vezes não revelava quantos medos me escondia
Longe dessa verdade não encontrava vontade de mudar
Agora acordo cedo como um grão gerando ramos e folhas
E exploro a imensa força que antes não podia enxergar

Vivenciei o novo amor falando de palavras que queria
E parei nos traços de sua boca que ocupava um sorriso
Não saberia contar quantas letras teria essa arquitetura
Percorri curvas sem acidentes atrás desse outro abrigo

Hoje o que sou não se traduz em milhares de palavras
Pelos mesmos motivos ainda visto as cores da vida
Como no momento em que me molho de vez na chuva
Na esteira de muitas delicias ela é a minha preferida

segunda-feira, maio 21, 2007

Tororó

Mar e Brisa

A praia exibia montinhos de areia fina e branca
De repente uma onda derramou-se em espuma
Os pinceis da natureza misturaram os horizontes
O mar fez-se céu e o sólido chão moveu-se em dunas

Mergulhamos em ângulos feito gaivota abrindo as asas
As cores de nosso sol reviraram arco-íris em calda
Nossa pele cochichava em línguas soltas e variadas
Nos movimentos do sexo nossos corações cavalgavam

Gostosuras em criar formas de navegar sem regras
Entrelaçados no prazer de remar com as mesmas mãos
E fincar os pés nos próprios pés para deslizarmos tortos
Nos vários naufrágios resgatados por insaciável paixão

Como aguardamos por essa brisa de manhã despertada
Desconhecendo para onde corria nosso perpetuo balão
Acordando trôpegos por planos de querer viver o agora
De certezas nos enchemos em uma mutua admiração

Vivendo mudanças sobre trilhos como vagões alados
Brincamos na superfície de uma lamina da vida
Para comer e beber das horas de nosso trabalho
Nos achamos numa estrada de viagem indefinida

quinta-feira, maio 17, 2007

Meu Tigre

Pelo Avesso

Descobri um sentimento que ainda permanece
Seja ao lado numa música que sintonize no rádio
Talvez oculto na sorte diferente de uma escolha
No prazer de uma dança que suspira descompasso

Como tigre se movendo em ataques sublimes
Que rodeia sua presa de maneira a respeitá-la
Cravo minhas garras em ataques de surpresa
Depois afloro em carinhos bem mansos ao abraçá-la

Toco os avessos fazendo coisas e descobertas
Quando eu quero segredo mostro-me expressão
Perco todo o curso ao dançar fechando os olhos
As dobras e costuras esvaem-se sem significação

Por cuidar do outro aprendo de novo a respirar
Refaço todo o corpo para provar outra roupagem
Os sentidos se orientam todos para renovar a vida
Repetindo que te amo como se fosse novidade

segunda-feira, maio 14, 2007

Carrossel

Crianças Sãs

Nós andamos com a alegria de receber um brinquedo
Voltamos ao garrafão de giz como antigamente
Dando pulos num ensaio de gritos em férias passadas
Resgatando uma criança viva em tempos de verão

Fez-se uma disputa de forças sem propor conflitos
Reunimos sensibilidades de gênero face a face
Em revelações de cristal e adrenalina desperta nas mãos
Abraçamos um ao outro sem nenhuma mascara

Pela pele nós e fios de uma tensão não regulada
Saiam em sísmica tremulação por causas duras
Eram espasmos de puras emoções acumuladas
Que nos davam presentes em tramas de ternura

Todo espaço poderia ser alinhado com o nosso céu
E nessa identidade que superviveríamos como somos
Sentimos vibrações poderosas num louco carrossel
Antecipando gratidão pela vivencia que provamos

sexta-feira, maio 11, 2007

Por Você


Vazão e Remanso

Quero algo muito simples na hora da chegada
Uma chuva sem motivos achará o fluxo da emoção
Serei folhas e ervas no preparo de um banho
Pelos seus devaneios navegarei sem qualquer proteção

No momento certo estarei livre de minhas bagagens
Aguardando sua passagem numa parada do relógio
Marcas e sinais de uma viagem combinada há tempos
Como gotas de seiva escorrerei leite no seu colo

Cartas perfumadas espalharão permissões em rabiscos
Que por si só firmará um cruzeiro em ondas de chama
Em imprevisível amor e desvelo até um curto remanso
De vazão incontrolável ainda assim nos aproximando

segunda-feira, maio 07, 2007

Convites

Cachos de Carinho

Seguindo os laços de um convite afetuoso em sua voz
Um motivo inspirava algo incomum para esse dia
Entre nós haviam ramos de trevos da sorte enfileirados
Nenhuma adversidade em desacordo aparecia

Copas verdes estampavam os lados de um longo caminho
O que escolheríamos não mudaria em nada aquela tarde
Só um amor vulcânico derramado fez-se incandescente
Algumas carícias em marolas e antecipações de saudade

Uma intuição sorridente morava em seu olhar imaterial
Verde intocável como um por do sol riscando o cenário
Acasos nos levavam a um terraço suspenso até o mar
Um almoço combinava boa música com o sabor imaginário

Atiramos aos céus livros de desejos e aguardamos respostas
Detalhes costuravam brilhos de espelhos sobre a cidade
Por onde andávamos colhíamos mais cachos de carinho
Versos debruçados nos alçando ao patamar da paisagem

A vista alcançou um horizonte de onde viria a novidade
Saltitava no canto de um esperado fruto que logo chegaria
Para percorrer toda a casa sustentada em evidente emoção
Nos despedimos com abraços de jasmim pintados de poesia

quinta-feira, maio 03, 2007

Aniversário

Em bom tempo e sonolento despertar,
Essa estória não é de pescador! No dia em que minha mãe Odete me pariu e a vovó Abigail estava presente oportunamente para impedir um drama anunciado, nascia um curioso e irrequieto menino que desde cedo passava a cumprir o traçado do seu mapa para a vida.

Chegando na Água

Quando o menino nasceu iluminou-se o pequeno quarto caiado
A parteira rodopiou com a energia de um “santo”
Que baixou na réstia da cumeeira ao entardecer

A água na bacia estava límpida e fresca
Naquele momento vital do nascimento aguardado
De um pequenino mensageiro dos deuses

A médium inusitadamente imergiu o rebento
Arrebatando-o dos braços da luz maternal
Banhando-o vezes seguidas em mergulhos pretensos

Num transe inesperado de insano corte
Como para caber na lâmina do fundo poço molhado
Preso ao colo pronunciado de uma estranha sorte

Entontecida transferência de energia
Nascimento e óbito
Com destino ao ventre da lâmina d’água fria

Uma fatalidade interrompida que faria
A vida continuar transbordando
E que não se saberia até quando