Em bom tempo e sonolento despertar,
Essa estória não é de pescador! No dia em que minha mãe Odete me pariu e a vovó Abigail estava presente oportunamente para impedir um drama anunciado, nascia um curioso e irrequieto menino que desde cedo passava a cumprir o traçado do seu mapa para a vida.
Chegando na Água
Quando o menino nasceu iluminou-se o pequeno quarto caiado
A parteira rodopiou com a energia de um “santo”
Que baixou na réstia da cumeeira ao entardecer
A água na bacia estava límpida e fresca
Naquele momento vital do nascimento aguardado
De um pequenino mensageiro dos deuses
A médium inusitadamente imergiu o rebento
Arrebatando-o dos braços da luz maternal
Banhando-o vezes seguidas em mergulhos pretensos
Num transe inesperado de insano corte
Como para caber na lâmina do fundo poço molhado
Preso ao colo pronunciado de uma estranha sorte
Entontecida transferência de energia
Nascimento e óbito
Com destino ao ventre da lâmina d’água fria
Uma fatalidade interrompida que faria
A vida continuar transbordando
E que não se saberia até quando
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