Amanhecendo
Pra que acender uma luz?
Nem palmilhei os meus pés!
O peito e as plantas até ardiam...
Andaram numa lua aquarela,
E lembrava dela deitada no dia.
Voltei a perguntar... Em silencio.
Porque se iluminar, por que?
Continuar em voltas sem parar,
Receando uma armadilha.
Então, acender uma luz pra que?
Furei a sombra da hipocrisia,
Essa possuía uma grande fila!
Levei um tapa do preconceito?
Tentou-se e a mão virou tisna.
Fiquei sem minha liberdade?
Não tem preço. Tenho cisma.
Agitei a cabeça novamente.
Só devia ir em frente. E a luz?
Nem pros lados, nem acima.
Nunca para trás, aí pedi ajuda!
Porque mesmo na nossa cara,
Há coisas que não mudam?
“A história é um carro alegre”,
“Cheio de gente contente”.
Cantam Chico e Bituca,
“Que atropela indiferente”,
“Todo aquele que a negue”. Hô!
Aí acendi a luz. Aguentem.
Vi a compaixão dissonante.
Aos pulos, despertei meu prazer.
Que brilhou lágrimas nos olhos
Restaurando pontes no acender...
Eram luzes, após esse til de momento.
Abri um sonho que me fez amanhecer.
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