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terça-feira, agosto 25, 2009

último ato

imagem em metal de Joaquim Luiz Mendes de Almeida

Mar e Naufrágios

A praia exibia montinhos de areia fina e branca
De repente uma onda derramou-se em espuma
E pinceis da natureza misturaram os horizontes
O mar fez-se céu e o sólido chão moveu-se em dunas

Mergulhamos em ângulos feito gaivotas soltando asas
As cores de nosso sol reviraram arco-íris em calda
Nossa pele cochichando em línguas soltas e variadas
Nos movimentos do sexo nossos corações cavalgavam

Gostosuras criando formas de navegar sem regras
Entrelaçados no prazer de remar com as mesmas mãos
E pés fincados nos próprios pés para deslizarmos tortos
Nos vários naufrágios resgatados por insaciável paixão

Como aguardar por essa brisa da manhã despertada
Sem saber para onde correria nosso perpetuo balão
Acordamos trôpegos sob planos de viver o agora
Leves de certezas nos enchemos de mútua admiração

Vimos mudanças em vagões alados sobre trilhos
Brincamos na superfície de uma lâmina da vida
Para comer e beber das horas de nosso trabalho
E nos acharmos numa estrada de viagem indefinida


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