A Centelha
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Numa interminável sede entorno a voz calma no ar
Os gestos das mãos se repetem a chamar as suas
Na imaginação toco a nota de cada cifra da música
Acho o silêncio de corais que ignora o caos das ruas
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Entre nuvens de origame descem olhos de águia
Abaixo descubro os pés ardendo nos sapatos
Sigo a caminhada ao lado de um espinheiro salgado
Desisto das receitas e bulas das quais estou farto
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Quero a atenção do céu modificado que contemplo fiel
Num olhar perpétuo de abelhas na direção do ninho
O que me preenche ao arranhar a centelha da vida
Bebo do amor que preservo puro como um bom vinho
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