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terça-feira, setembro 27, 2011

palavras de Saramago

Os abismos que nos separam

por Fundação José Saramago
Estava claríssimo que as desigualdades se iriam intensificar, que um abismo nos ia separar. E não é só o abismo do ter: é, também, o abismo do saber. Porque o saber está a concentrar-se numa minoria escassíssima. Estamos a repetir, mutatis mutandis, o modelo da Idade Média, em que o saber disponível estava concentrado numa gruta de teólogos, uns poucos mais, o resto era uma massa ignorante.
Seara Nova, Lisboa, nº 72, Abril-Junho de 2001

Perante um mundo destroçado

por Fundação José Saramago
É preocupante ver que a sociedade inteira é uma sociedade amorfa, abúlica. As camadas médias e altas só se preocupam com suas próprias satisfações, perante um mundo destroçado, onde a diferença entre os que têm e os que não têm, os que sabem e os que não sabem, é cada vez maior.
O Globo, Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 1999

Deserto de ideias

por Fundação José Saramago
Jamais na história da Humanidade estivemos tanto numa caverna olhando sombras como agora mesmo. Não tem tanto a ver com o fato de a imagem predominar sobre a palavra, mas estamos a viver totalmente em algo a que se pode chamar cultura da banalidade, da frivolidade, e nenhuma delas deve ser usada para isso. Há uma espécie de deserto no que tem a ver com as ideias.
La Provincia, Las Palmas de Gran Canaria, 7 de Janeiro de 1999

Final de uma civilização

por Fundação José Saramago
O problema não é que acabe um século, o problema é que está a acabar uma civilização. O século é um convencionalismo, como o é o milênio, porque para uma quantidade de seres humanos que se regem por outros calendários, o milênio não tem nenhum sentido. O que, sim, está claro é que chegamos ao final de uma civilização. Nós somos os últimos de uma forma de viver, de entender o mundo, de entender as relações humanas, que chegou ao fim.
José Saramago: El amor posible, Barcelona, Planeta, 1998

Novas universidades

por Fundação José Saramago
Os hipermercados não tomaram apenas o lugar das catedrais, eles são também as novas escolas e as novas universidades, abertas a maiores e a menores sem distinção, com vantagem de não existirem exames à entrada ou notas máximas, salvo aquelas que na carteira se contenham e que o cartão de crédito cubra.
Visão, Lisboa, 9 de Outubro de 1998

Globalização e fragmentação

por Fundação José Saramago
[O mundo do fim de milênio é] um mundo com duas tendências contraditórias: a globalização e a fragmentação. Um homem está em sua casa, afastado de todo o contato humano, podendo chegar pelo computador, o modem, o fax, a todos os lugares. Cada vez mais perto de tudo e mais longe de tudo. A tecnologia permite-nos ter tudo dentro de casa sem sair dela. E, se eu não estiver satisfeito com a realidade, posso viver noutra realidade, a virtual.
Expresso, Lisboa, 28 de Outubro de 1995

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