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segunda-feira, março 19, 2007

Na Pressão

Lotação Esgotada

Vida pobre, mundo de natureza nua,
De novo acontecia.
O que nos faltava mais e mais rompia,
O fio esticado pipocava faísca,
Como a última gota do gozo
Entornava o caldo.

Vez em quando pular a borboleta,
Outras, pegar o troco rasgado miúdo
Pelo corte do vidro estilhaçado
Da desembestada da marinete.
Sucata levando gente feito gado.

Ira solta,
Ofendida e cega.
Arriscava num “tirambaço”,
Certamente contida na pontaria incerta
Do previsto pedregulho arremessado.

Agarrando pela traseira
Não valia um barbante,
Pela coisa natural, da morte fácil,
Continuando próxima
Embrutecida e puta.

Pela janela esquerda
Entrava desatada a sangria,
Na velocidade das mudanças.
E a onda arrebentava no piquete
Da revolta desarrumada.

A miséria viajando afoita
Em alucinada e obscurecida ignorância,
No buzú corujão da hora tão esperada.
Desespero formado em pé-de-guerra,
Ia sentado no duro degrau e mordia o nada.

Passeata de retratos,
Reunião de retalhos velhos e emprestados,
Aqui, ainda acontecia.

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