O têrmo "globalitarização" ouvi pela primeira vez, do professor Milton Santos, em uma entrevista dada ao "isto é, uma vergonha" jornalista Boris Casoy, por sua preferência avessa à presumida semelhança com a expressão globalização. O professor Milton Santos não apenas exemplificou com fatos o que quis dizer com seu neologismo "globalitarização" como deixou claro que sua definição era obviamente sobre a recorrente violência da expansão militar, da indústria da guerra, pelo domínio estratégico, pelo controle das riquezas do petróleo, efetuados pelo clube das potências econômicas. E quem sabe, até das reservas de água doce daqui algumas décadas. A expressão "globalitarização" passa a ser bem adequada em referência a realidade que se perpetua decorrente das ações de ocupação territorial sob falsos pretextos, das relações do movimento do capital financeiro e seus interesses globalizados de exploração.
A despeito da relação de significação cabal suposta por mim entre as duas expressões, principalmente porque a globalização ser muito cantada em nosso mundo atual, prefiro colocar tal significação como uma questão que, se realmente se referem a exatamente dois conceitos permissíveis de identidade, prefiro aqui suscitar uma provocação, uma abertura, para que permita um desdobramento em nosso vocabulário científico. Quanto a isso, acho procedente a leitura de um pequeno trecho do economista Carlos Matus extraído de seu rico trabalho "Adeus Senhor Presidente" publicado em 1989 pela Eitora Litteris:
“O mundo do homem é do tamanho dos conceitos que conhece. Se para mim, não existe o conceito de oponente, na minha realidade só há agentes econômicos. Se também não domino o conceito de ação estratégica, só existirá para mim, na realidade, a ação-comportamento que assimilei da teoria econômica. Por esse caminho, nego, inadvertidamente, uma parte da realidade. Se conheço o mundo através do vocabulário que, previamente, conheço, não existe meio de enriquecer minha visão do mundo se não amplio o meu vocabulário. O congelamento de minha forma de conhecer corre em paralelo com a estagnação dos conceitos que manejo.(...)Se paraliso minha capacidade de conhecer o mundo, paraliso meu vocabulário, se congelo meu vocabulário, detenho minha capacidade de conhecer o mundo. E se isto ocorre, voltarei repetidamente com as mesmas perguntas sobre o mundo em que vivo e deixarei de interrogar-me sobre a potência do meu vocabulário. Ainda mais, quando alguém usa "palavras novas" em um discurso teórico, minha segurança intelectual me inclinará a considerá-las sinônimos das que já conheço e acusarei este perturbador de inventar palavras novas para renomear velhos conceitos. Assim, ao invés de responder ao seu discurso teórico alternativo, dir-lhe-ei que não tem o direito de obrigar-me a usar o seu vocabulário. A forma mais simples de congelar o vocabulário científico é considerar os novos conceitos como sinônimos.””.
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