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sexta-feira, março 28, 2008

Oração

Sete Maravilhas

Faço uma nova oração agora. Procuro-a...
Em mim, ouvi-la. Suave, fluida, e respiro.
Vinda do silencio, mínima, quase muda.

Sou um oceano, santuário ainda a guardar,
O que ainda é sagrado nos meus sentimentos:
Ver, ouvir, tocar, provar, sentir, rir e amar!

Aonde ir? Não é lá fora que vou descobri-la!
Tudo acontece bem perto da gente, dentro.
Sou fogo, ar e terra, sou da água o seu fio de vida.

Tenho essa seiva correndo interna e divina.
Vista de outra forma, tão plena de vínculos,
Que me abraça no movimento da Terra.

Sou um todo com o Universo, seu canto.
Bem afinado, rouxinol, regido por um plano.
Que nem sei pra que entende-lo. Vivo e amo.

quarta-feira, março 26, 2008

Acender a Luz

Amanhecendo

Pra que acender uma luz?
Nem palmilhei os meus pés!
O peito e as plantas até ardiam...
Andaram numa lua aquarela,
E lembrava dela deitada no dia.

Voltei a perguntar... Em silencio.
Porque se iluminar, por que?
Continuar em voltas sem parar,
Receando uma armadilha.
Então, acender uma luz pra que?

Furei a sombra da hipocrisia,
Essa possuía uma grande fila!
Levei um tapa do preconceito?
Tentou-se e a mão virou tisna.
Fiquei sem minha liberdade?
Não tem preço. Tenho cisma.

Agitei a cabeça novamente.
Só devia ir em frente. E a luz?
Nem pros lados, nem acima.
Nunca para trás, aí pedi ajuda!
Porque mesmo na nossa cara,
Há coisas que não mudam?

“A história é um carro alegre”,
“Cheio de gente contente”.
Cantam Chico e Bituca,
“Que atropela indiferente”,
“Todo aquele que a negue”. Hô!
Aí acendi a luz. Aguentem.

Vi a compaixão dissonante.
Aos pulos, despertei meu prazer.
Que brilhou lágrimas nos olhos
Restaurando pontes no acender...
Eram luzes, após esse til de momento.
Abri um sonho que me fez amanhecer.

terça-feira, março 25, 2008

Sem Emenda

Será O Que Será

Será do feminino?
Será do masculino?
Seja dos dois, réstia no íntimo.
Será de uma sereia?
Será de um tritão?
Seja calda rica de estrelas
Que caiba no coração.

Quanta razão em mente,
Fará um cego desse sentimento?
Mais que um movimento, alma.
Exige encanto, olhar... Uma quilha.
E que se faça conhecer a tempo,
Que te levará mais longe,
Bem mais profundo que ilha.

Sem malícia, é sua natureza.
A beleza o escuta, o aceita.
Qual diamante, puro instinto.
É loucura, tem seu fruto... Sinta!
Nada que o infinito impeça,
Com seu brilho ébrio, livre.
Sempre que fluir, sem espera.

Quantos passos no sereno,
Mantendo a busca pelo encontro.
Um corpo que fala, nascente!
Rio ao mar, corrente, furor.
Atração... Dueto...
Soneto etéreo!
Que se faça sua luz, meu amor.

segunda-feira, março 24, 2008

Para Mi

Um Presente

Ainda que seja outro dia
Te direi sobre essa manhã
Acordei sem fantasia
Prá te oferecer uma maçã

Esse será o meu presente
Letras com muito sabor
Internamente amorosas
Com todo sentimento que for

Quero muitos raios de sol
Muita vida desabrochando
Sua criança de olhos azuis
Brincando com esperanças

Olhe o novo te acompanhando
Sinta os afagos de Deus
Coma a sua dádiva de bocados
Entre por caminhos só seus

quarta-feira, março 19, 2008

Um Passeio

Eu e o Outro

Bem diante do lago calmo
Havia o outro que vinha
Qual outro que me parecia
Desde quando me conheço
Também o lembro assim
E sua presença está aqui
Cada vez mais perto de mim
Viaja com minhas coisas
Pressente o que tem comigo
Vê a mesma paisagem
Carrega a minha bagagem
Caminhando feliz ao vento
Cada vez mais por dentro
Solto, mas de mãos dadas...
Trabalha em um compasso
Dormindo do lado esquerdo
Aquecido no meu peito
Vivendo seu intenso presente
Amando diferente
Com o olhar sinceramente
Aberto simplesmente

segunda-feira, março 17, 2008

Partes

Traduzir-se
Autor: Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Essa Arte

O poeta Fernando Sabino, nos lembra que:

“De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!!!”

Caminhos Feitos

"Seja qual for o caminho que já tenha percorrido, o poeta já passou por ele." (Sigmund Freud)

sábado, março 15, 2008

Diálogos

O Constante Diálogo
Autor: Carlos Drummond

Há tantos diálogos
Diálogo com o ser amado
o semelhante
o diferente
o indiferente
o oposto
o adversário
o surdo-mudo
o possesso
o irracional
o vegetal
o mineral
o inominado
Diálogo consigo mesmo
com a noite
os astros
os mortos
as idéias
o sonho
o passado
o mais que futuro
Escolhe teu diálogo
e tua melhor palavra
ou teu melhor silêncio
Mesmo no silêncio e com o silêncio
dialogamos.

Prelúdio

Viagens

Aqui no meu mar, eu entendo as pausas...
as ondulações, as ressalvas.
Ando de um lado para o outro
criando situações e marolas
para ampliar meus espaços,
que assumem as vezes por impulsos e afagos...
demais? Assim quase alcançando
o outro que me chama, mas,
com o seu olhar de barco,
a deriva, que busca ao meu farol,
parecendo que quer um cais!

quarta-feira, março 12, 2008

Sobre a Pausa

"ALGUMAS LIÇÕES NÃO PODEM SER ENSINADAS, DEVEMOS VIVÊ-LAS PARA ENTENDER"

segunda-feira, março 10, 2008

Vínculos

Teia da Vida

Olhe como nossa emoção estremece o outro
E melhora se sorrimos ou choramos face ao olhar
Que passa a ser muito mais do que se espera
No fundo é assim que algo novo pode começar

Ë incrível essa teia de vidas em mudança
Veias de relações possíveis e prazerosas
Na verdade tecida pelas mãos do coração
Que quer juntar a todos em abraços numa roda

Amizade, carinho, afeto e amor são os fios dessa rede
Imensidade de fome que saciamos a cada vez
Ainda que reparada nos vem mais adiante no cio
E continuamos com ela na ida e volta a nos levar a sede

Instinto que nos põe na busca de saber viver
Despindo sem cortes as capas que nos cobre o corpo
Transpirando suores que nem imaginamos ter
Pelo tempo de entrega ao outro por outro prazer

sexta-feira, março 07, 2008

Claramente

O que é verdadeiramente imoral é desistir de si mesmo. (Clarice Lispector)

terça-feira, março 04, 2008

Retalhos

"Minha cidade é uma metrópole, e como todo organismo vivo, é um organismo em mutação.
Desaparecendo bem diante de meus olhos. Edifícios brotam, alterando o DNA das suas ruas..."

"Há muitas formas de morrer. Mas é preciso achar uma forma de viver.
E... isso é difícil. "

"É... surpreendente... estarrecedor... descobrir que dentro de você há uma pessoa estranha. Uma pessoa que tem seus braços... suas pernas, seus olhos. Uma pessoa insone e irrequieta. Que continua andando, continua comendo. Não há como voltar a ser àquela outra pessoa... voltar àquele outro lugar. Essa coisa, essa pessoa estranha... é só o que você é agora."

sábado, março 01, 2008

Instinto e Afeto

Rastros de Laços

O fogo espontâneo do meu afeto arrefeceu
Parece que foi longe seu reflexo na rosa
Num desejo completo de pintar sua rima
E permanecer numa íntima e rara prosa

Sem prestar atenção onde estaria o tempo
Na confiança de fazer fluir risos e impulsos
Os gestos embaraçados em ritmo de luz
Criavam rastros de laços breves sem curso

Doar-se no lugar de se descobrir um objeto
Gerar calor de abraços no ser inteiro e feliz
Das birutices geniais de convites ao carinho
E saber nos atos de como fazer a casa florir

Ah! Puta hora de consentir uma nova escolha
Sentir a vida pelo limite de linhas mal traçadas
Por velas abertas em constelação presa na pelve
Mantendo o mesmo gosto do sal de outras praias

Tinha de seguir cuidando das arestas da alma
Com sonhos de lavar a pele tatuada por espinhos
Beber da taça da sorte sem receio da mudança
Para chegar tão bem ao outro lado do caminho