Assiti o filme Código 46 pela terceira ou quarta vez, tem a direção de Michael Winterbotton e atores brilhantes (Tim Robbins e Samantha Morton). Li algo que foi publicado sobre o filme: “Picante” - The Holywood Repórter, “Provocante, discretamente erótico” – Premiere. Nessas palavras encontrei definições que me pareceram vazias diante da densidade do filme e da profundidade dos significados das relações e sentimentos que se passa ao longo da estória contada pelo filme. Retirei algumas frases que os personagens falam e que achei retratar um pouco das questões que parecem banais, mas afora o olhar simplista que possamos ter sobre o tema vou “colar” aqui alguns trechos do texto, só para ajudar a quem queira fazer uma reflexão:
“Se fôssemos mais informados...
Poderíamos prever as conseqüências de nossas ações.
Você gostaria de saber?
Se beijar aquela garota,
Se falar com aquele homem...
Se aceitar aquele emprego, casar com aquela mulher ou roubar aquele passe?
Se soubéssemos o que aconteceria no final...
Seríamos capazes de tomar a iniciativa, de dar o primeiro passo?
(...)
Todos nós temos problemas. É como lidamos com eles que mostra o nosso valor.”
Tudo isso tem haver essencialmente com a vida objetiva, prática, racionalista, das grandes metrópoles, que transforma o ser em algo estranho a ele mesmo, uma coisa sem sentimento humano, violento, frio, assombrado, cheio de “medos”, e os sentimentos humanos (empatia, amor – “no futuro... amar é um jogo perigoso”) são “codificados” como vírus que agride a ordem das coisas, ficam fora dos padrões regulamentados pelos códigos de comportamento, ou infecta o indivíduo causando males irreversíveis a sua vida dita organizada, definida, e a sua relação com os outros. São os reflexos de uma sociedade em processo de destruição ou “globalitarização” melhor dizendo nas palavras do professor Milton Santos.
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