Páginas

terça-feira, junho 03, 2008

Escrevendo

O Dia do “Não Quero”

Fiquei preso a uns pensamentos ao ler um desses livros de auto-ajuda, e por um instante, me senti motivado, com a vontade louca de ir logo escrevê-los, para registrar a sua passagem por aqui, a minha cabeça parecia feita por eles e sã (ainda), criativa, mesmo que ultimamente ande carecendo um pouco de rumo, voando sem pára-quedas precisando de "parte" do elemento terra (segundo a amiga Neila), aparentemente sem uma rota bem definida, acredito que (procurando a minha bússola) o exercício de escrever, o que se passa no meu interior, intensamente, em meio a tantas mudanças e processos desordenados, me mantém vivo. Vivo em um pendulo do caos e da ordem, nesse movimento, só enxergando uma luz, uma centelha distante, ainda que duvide que exista mesmo um túnel como saída. A saída será sempre uma chegada para outra partida, outra nova caminhada.

A minha conclusão, a questão que se torna cada vez mais premente é: tenho que escrever tudo, depois vou depurando! Cada linha da mínima criação da mente ávida em expor as subjetividades, os pensamentos soltos, coisas que logo se vão fugazes, desbotando pelos meandros dos recônditos neurônios maduros, se anunciam livres de amarras, como se acompanhadas da sorte do encontro de uma única pepita verdadeira após anos de garimpagem em solo bruto de rocha áspera, e apontam quase repetidamente, intuitivamente, para a vida que sempre quis e quero continuar construindo, escrevendo.

Pensei em adotar um método uma trilha segura, achar um jeito mais prático de obter sucesso, mas alguma reflexão sobre o impasse da difícil arte faz compreender melhor o que se passa, então decidi repisar as sensações da certeza que se tem quando começamos a fazer as coisas certas que precisam ser feitas, e me senti melhor.

Pode se fácil para alguns, entretanto é importante e necessário para todos nós, decidir o que fazer para ser integro realizando o que se quer da vida e vivê-la integralmente, como ser possuidor de alma, sentimento e razão. Mesmo que uma avaliação posterior nos reoriente no caminhar mais consciente, tranqüilo, vitorioso, ainda que se limpando da poeira dos erros ou do “cheiro e lama do mangue” que se tem de atravessar uma vez ou outra.

Nesse momento de criação, encontrei um mote, um simples motivo, que para mim serviu para provocar um tanto de idéias sobre a necessidade de liberdade de expressão que a gente tem todos os dias, que é vital, e que me trouxe uma lembrança de como transformar uma espécie de brincadeira inventada numa combinação puramente lúdica, para adultos e crianças, para que nós possamos aceitar o que o outro possa querer sem ter que dar razões ou explicações profundas de comportamento. Claro, que tal combinado deve ficar estabelecido entre pessoas que tenham um mínimo de civilidade ou bom senso, que se afirmam sem querer ferir sentimentos alheios com propósitos mesquinhos ou banais.

A minha proposta depois de um tempo de reflexão é de se criar um dia do “não quero”. Sendo assim, teremos instantes de um completo conhecimento do “não quero” de quem quer que seja, dos filhos, do irmão, dos pais, da namorada, do empregado, do vizinho, das pessoas do trabalho ou da sala de jantar. Mas não seria um dia do não quero só por que não quero, teria que ir além de somente não querer, mas, sobretudo fazer o querer, ser o querer, pois tudo que se quer, quando se quer tem o outro lado da moeda, tem o não querer, e está claro na escolha do que se quer, querer beltrano é não querer sicrano, abrir uma outra porta é entrar por ela e não por outra, ver uma outra cor dá um tom diferente as coisas vistas, ter uma outra via a outro modo de vida muda tudo. Daí, o “não quero” esse político corrupto, esse emprego, essa salada roxa, esse programa de TV, essa roupa fashion do desfile de moda, essa comida pouco saudável etc então, todo o leque de escolhas estaria em alto e bom som pronunciados, recusados, com nossa opinião decisiva sendo apresentada finalmente, publicamente, seja pelos meios dos canais de informação possíveis existentes de onde se tiraria uma estatística, se adotaria uma certa “norma constitucional”, uma proposição ou mesmo uma postura, atitude, diretamente frente ao objeto do “não quero”, diante dos presentes na circunstância que fosse, suficiente e necessária para o que se propõe a consigna, podendo abalar alguns paradigmas, de forma que o dia do “não quero” passaria a se tornar o dia do grande ato, sendo manifestado com a maior amplitude social e toda representatividade de um movimento cívico, transformador e ao mesmo tempo provocador de questões sejam as quais fossem, ordinárias ou essenciais para cada um de nós.

Nenhum comentário:

Postar um comentário