Curvas de Fá
Ouço as notas musicais na sua gravidade e calibre
Uma atração parecida vem do mar e me desafoga
Como a respiração dos pássaros migrando em vôo livre
Estórias de rio e lugarejos sempre me acompanham
Gente mudando de lugar a lugar constantemente
Indo a cada virada ver-se em correntes que banham
Tanta sonoridade em seus meandros num crescente
Caudalosamente soltas me bebem no gargalo
Dança de espumas me revira os órgãos inteiramente
Conheço os perigos dessa viagem nas curvas e calor
Mas o que mais interessa é perceber-se estar sendo
Deixar-se enquanto a paisagem se modifica a favor
Íntima confissão que repassa me revelando calmo e só
Corpo em gozo raso entrando na terra como água bruta
No livro de minhas asas subo direto ébrio para o Sol
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