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quarta-feira, novembro 12, 2008

dream is over

Veia Aberta

 Procurei e achei um motivo, bateu na veia. Queria escrever umas lembranças, assim, qualquer nesga do que passasse pelas minhas idéias em conflito com uma solidão presa na modernidade. Só um estímulo era o suficiente, e lá estava eu com as mãos sobre o teclado enquanto escutava uma entrevista com um ex-ministro da ditadura militar no Brasil, o Delfin Neto, o cara é o mesmo “funcionário da técnica” do século passado. Assistia uma parte do documentário sobre “1968, o ano que não acabou”, e veio até meu olhar criterioso um outro estimulo que passou vibrando no corpo das palavras que crescia na tela do monitor correndo entre virgulas e exclamações, pontuando uma a uma frases que continuava falando de algo sem um conteúdo maior, diante da interpretação televisiva dos fatos, mostrada pela entrevista, e ainda nem escorria uma linha para me fazer claro.

 Época cheia de lufadas de ventos transformadores, que trouxeram mudanças tão importantes para todos, inclusive para os passivos e contra a sanha dos reacionários, sem se importar com perguntas se depois de tudo os resultados durariam, até quando? A prova veio forte, até agora se percebe seu estalo inicial de força político-social e cultural. Quem viveu intensamente viu as cores do vermelho, dos poetas, do teatro popular, da mpb, ah tropicália pra que te quero? De todos os processos o que beneficiou indiscriminadamente: a liberdade conquistada.

 Para quem quer que fosse, para as mentes de todos os matizes ideológicos mostrou-se o poder da escolha de um povo trabalhador quando se faz, de fato, valer seus direitos que muitas vezes nem se tem consciência que se tem; e o “proibido proibir” se fez além da música e foi às ruas chegando depois ao parlamento pelo voto direto, se concretizaram novas conquistas e a liberdade de expressão, em grande parte os ideais pousaram na nova Carta Cidadã de 1988.

 O que veio depois se desdobrou em esforços continuados por mais direitos que reforçaram as necessidades de uma sociedade carente de leis ordinárias, de redistribuição de renda e de um forte mercado interno, além de um Estado presente no social, regulador econômico, pautado em referencias de desenvolvimento globais. O Brasil navegou por crises perversas recheadas de diagnósticos, mas sem efetivação dos propósitos constitucionais, e um pendular de poderes conservadores ainda moldado em modelos arcaicos de gestão. Ainda são necessárias muitas mais sacudidelas nessa nata de especuladores viciados em lucros exorbitantes, navegar é preciso! Abaixo o castelo de cartas do capitalismo financeiro. Água, trabalho e moradia para todos.


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