quarta-feira, janeiro 14, 2026

O Paradoxo de Aristóteles

 

O Paradoxo de Aristóteles

Conhecimento Teórico e Conhecimento por Habitação: A Epistemologia da Presença

 A distinção entre o conhecimento do teórico e o conhecimento do "habitante do tempo" não é meramente quantitativa — como se um soubesse mais e outro menos —, mas qualitativa, tocando a própria estrutura do ato cognoscitivo. Trata-se de duas modalidades de acesso ao real que, embora convirjam no mesmo objeto, diferem radicalmente na forma de aproximação, na natureza da evidência obtida e, sobretudo, na relação ontológica que o cognoscente estabelece com o conhecido.

O teórico — tomado aqui não em sentido pejorativo, mas em sua acepção clássica de theorein, contemplar à distância — aproxima-se do objeto mediante operações de abstração, análise e síntese conceitual. Seu instrumento é o conceito universal; seu método, a redução do singular ao típico; seu horizonte, a lei geral que subsume os casos particulares. Este conhecimento possui virtudes inegáveis: permite a comunicação intersubjetiva, a verificação metódica, a acumulação sistemática do saber. A ciência moderna, em seu sentido mais rigoroso, é filha legítima desta orientação epistêmica. Porém — e aqui reside o cerne do paradoxo —, o preço desta universalidade é uma específica forma de distância. O teórico conhece o objeto enquanto objeto, isto é, enquanto algo posto diante de si (ob-jectum), recortado do fluxo da experiência vivida e fixado na imobilidade do conceito.[1]

O conhecimento do "habitante do tempo", por sua vez, possui uma estrutura radicalmente diversa. Não se trata de contemplação distanciada, mas de participação. Gabriel Marcel, ao distinguir entre problema e mistério, ilumina precisamente esta diferença: o problema é aquilo que encontro inteiramente diante de mim, que posso circunscrever e analisar; o mistério é aquilo em que me encontro engajado, de modo que a distinção entre "o que está em mim" e "o que está diante de mim" perde seu sentido habitual.[2] O experiente não conhece o objeto estudando-o de fora, mas vivendo-o de dentro — e este "dentro" não é metáfora espacial, mas indicação de uma modalidade ontológica de presença.

A Sintonia Afetiva como Órgão de Conhecimento

A expressão "sintonia afetiva" merece atenção especial, pois nela se condensa uma tese epistemológica de grande alcance: a de que o afeto não é obstáculo ao conhecimento, mas seu veículo privilegiado para certas dimensões do real. Max Scheler desenvolveu extensamente esta intuição ao mostrar que existe uma ordo amoris — uma ordem do coração — que possui sua lógica própria, irredutível à lógica do entendimento discursivo.[3] O coração, nesta acepção, não é sede de irracionalidades cegas, mas órgão de percepção de valores e qualidades que permanecem invisíveis ao olhar puramente teórico. A tradição fenomenológica, particularmente em sua vertente francesa, elaborou esta intuição mediante o conceito de connaissance — distinta do mero savoir. O savoir é conhecimento proposicional, articulável em enunciados verificáveis; a connaissance é conhecimento por familiaridade, por frequentação íntima, por aquela proximidade que só o tempo compartilhado pode engendrar. Conhecemos teoricamente (savons) as leis da gravitação; conhecemos por familiaridade (connaissons) o rosto de um amigo, o sabor de um vinho, a atmosfera de uma cidade natal. Este segundo conhecimento não é inferior ao primeiro — é simplesmente outro, respondendo a outras exigências do espírito e revelando outras faces do real.[4]

A "afinidade" de que fala o texto remete, por sua vez, à antiga noção de que o semelhante conhece o semelhante. Não se trata de identidade, mas de uma certa conaturalidade entre o cognoscente e o conhecido que permite uma penetração mais íntima. Santo Tomás de Aquino, retomando Aristóteles, desenvolve esta ideia ao falar do conhecimento por conaturalidade: aquele que possui uma virtude conhece as coisas pertinentes a essa virtude não por demonstração, mas por uma espécie de inclinação interior que permite julgar retamente.[5] O justo conhece o justo não porque estudou tratados de ética, mas porque a justiça, tornada nele hábito arraigado, funciona como órgão de percepção do que é justo em cada situação concreta.

A Temporalidade como Condição do Conhecimento Encarnado

Se o conhecimento teórico aspira à atemporalidade — o teorema de Pitágoras vale igualmente para os gregos antigos e para nós —, o conhecimento por habitação é essencialmente temporal. Ele se constitui no tempo, pelo tempo, através do tempo. A experiência aqui não é dado instantâneo, mas sedimentação progressiva; não é captação pontual, mas maturação lenta. Henri Bergson capturou esta dimensão ao distinguir entre o tempo espacializado da ciência — homogêneo, divisível, reversível — e a duração concreta da experiência vivida — heterogênea, indivisível, irreversível.[6] O habitante do tempo conhece na duração e pela duração; seu saber é inseparável do processo temporal que o engendrou.

Esta temporalidade constitutiva implica que o conhecimento por habitação não pode ser integralmente transferido. Posso comunicar um teorema; não posso comunicar, senão muito imperfeitamente, o que significa ter vivido uma guerra, ter criado filhos, ter envelhecido. Michael Polanyi desenvolveu esta intuição através do conceito de conhecimento tácito: aquele saber que excede nossa capacidade de articulação explícita, que "sabemos mais do que podemos dizer".[7] O artesão conhece seu ofício de modo que nenhum manual poderia capturar integralmente; o médico experiente percebe nuances que escapam aos protocolos diagnósticos; o prudente (phronimos) aristotélico julga a situação singular com uma acuidade que nenhuma regra geral poderia substituir.

O Paradoxo Reconfigurado

O paradoxo, portanto, não consiste em que um conhecimento seja verdadeiro e outro falso, ou que um seja superior e outro inferior em sentido absoluto. O paradoxo reside na irredutibilidade mútua de duas formas legítimas de acesso ao real, cada uma com suas virtudes e seus limites próprios. O teórico ganha em universalidade o que perde em intimidade; o experiente ganha em profundidade participativa o que perde em comunicabilidade sistemática.

A sabedoria — se nos é permitido usar esta palavra clássica — consistiria então não em escolher um polo contra o outro, mas em reconhecer a complementaridade tensa entre ambos. O perigo do teoricismo puro é a abstração vazia, o conhecimento que perdeu contato com a carne do real; o perigo do experiencialismo puro é o mutismo, a sabedoria incomunicável que morre com seu portador. A tarefa do pensamento autêntico seria, assim, a de mediar entre estas duas ordens: enraizar o conceito na experiência vivida, sem dissolver a experiência na generalidade do conceito; dar voz ao conhecimento tácito, sem pretender esgotá-lo em fórmulas definitivas. Aristóteles, ele próprio, parece ter pressentido esta tensão quando, na Ética a Nicômaco, reconhece que em matéria de ação humana — onde o singular e o contingente predominam — devemos contentar-nos com um rigor adequado à natureza do objeto, e não exigir a precisão matemática que seria apropriada apenas em outros domínios.[8]⁸ O conhecimento prático, a phronesis, exige precisamente aquela familiaridade com as situações concretas que só a experiência pode conferir. O jovem pode ser geômetra, mas não pode ser prudente — não por defeito intelectual, mas por falta de tempo vivido.

 


[1] A etimologia de objeto — do latim ob-jectum, "lançado diante" — revela esta estrutura de distanciamento. Cf. HEIDEGGER, Martin. A Questão da Técnica. In: Ensaios e Conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão. Petrópolis: Vozes, 2002.

[2] MARCEL, Gabriel. Être et Avoir. Paris: Aubier, 1935, pp. 145-146. Marcel desenvolve esta distinção fundamental no contexto de sua crítica ao idealismo e ao racionalismo abstrato.

[3] SCHELER, Max. Ordo Amoris. Trad. Xavier Zubiri. Madrid: Caparrós, 1996. Ver também Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik, onde Scheler elabora sua teoria da percepção afetiva dos valores.

[4] A distinção entre savoir e connaître atravessa toda a tradição filosófica francesa. Ver especialmente BERGSON, Henri. Introduction à la Métaphysique. In: La Pensée et le Mouvant. Paris: PUF, 1938; e MERLEAU-PONTY, Maurice. Phénoménologie de la Perception. Paris: Gallimard, 1945.

[5] TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, II-II, q. 45, a. 2. O conhecimento por conaturalidade (per modum connaturalitatis) é ali apresentado como modo de conhecimento distinto do conhecimento por estudo (per modum cognitionis).

[6] BERGSON, Henri. Essai sur les données immédiates de la conscience. Paris: PUF, 1889. A distinção entre tempo espacializado e duração concreta é central em toda a obra bergsoniana.

[7] POLANYI, Michael. The Tacit Dimension. Chicago: University of Chicago Press, 1966, p. 4: "We can know more than we can tell."

[8] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, I, 3, 1094b 12-27. "Seria igualmente absurdo aceitar raciocínios apenas prováveis de um matemático e exigir demonstrações científicas de um orador."

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