Mostrando postagens com marcador comunicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comunicação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, abril 12, 2011

a natureza e o conceito de técnica hoje

A técnica pode ser um instrumento neutro?

Ainda atuais, as ideias de McLuhan são essenciais para compreender a tecnologia e meios de comunicação, diz o filósofo Celso Cândido
.
por Anelise Zanoni
.
Nem sempre o desenvolvimento da técnica acompanha a evolução das ideias. Da mesma forma, às vezes, os pensadores do presente não conseguem entender com os próprios referenciais o tempo vivido hoje. No caso de Marshall McLuhan, o mundo do pensamento encontrou a vanguarda, o que fez com que o pesquisador canadense se ocupasse, entre as décadas de 1950 e 1960, com a crítica da cultura do meio, do meio enquanto mensagem, ou seja, da mensagem do meio.
Na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o filósofo Celso Candido de Azambuja analisa a relação de técnica e novas tecnologias com as referências do autor. Para ele, meios e homens estão em simbiose constante e vivem de mútuas e múltiplas interdeterminações.
“A técnica não é apenas um instrumento neutro o qual manipulamos e que, do conforto de nossos posicionamentos éticos e instrumentos conceituais, podemos dirigir para o bem ou para o mal”, afirma. Considerando os grandes pensadores como “pintores do desvelamento do ser”, o entrevistado acredita que o conhecimento necessário hoje para a tomada de decisões é cada vez mais complexo, o que implica métodos transdisciplinares.
Doutor em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Celso Cândido é professor adjunto da Unisinos e coordenador do curso de Filosofia da instituição. Confira a entrevista.
IHU On-Line – Com o tempo, a técnica evolui, mas o pensamento de McLuhan continua atual. Como você analisa a natureza e o conceito de técnica hoje? 
Celso Candido de Azambuja - Não há dúvidas de que as técnicas evoluíram muito nas últimas décadas, especialmente, as de comunicação. Computadores, celulares, televisores, rádios – todos interconectados por redes globais de comunicação e informação – formam hoje a grande aldeia global. Mas o modo de evolução das ideias é distinto do modo de evolução das técnicas. Nem sempre os pensadores do presente conseguem entender com suas ideias seu tempo.
De um lado, não parece que grande parte da academia e dos intelectuais tenha compreendido este fenômeno comunicativo monumental, espantoso. E, sinceramente, nem parece que estejam muito interessados nisto. Entretanto, de outro lado e diferentemente da famosa Escola de Frankfurt , a qual concentrou sua crítica à industria da “cultura de massas” e cujos efeitos se mostraram muito visíveis com os fenômenos de massas como o nazismo, as duas guerras mundiais, a padronização do estilo, o consumo de massa, entre outros, McLuhan se ocupou com a crítica da cultura do meio, do meio enquanto tal, do meio enquanto mensagem, ou seja, da mensagem do meio.
A partir dessa perspectiva, McLuhan tornou possível uma reflexão acerca do problema do meio, dos efeitos no âmbito das relações, das percepções e da subjetividade humanas. Entendeu que os meios técnicos não são simples máquinas. Que a técnica não é o outro do homem. Que os meios são extensões do homem. Que meios e homens estão, portanto, em simbiose e que vivem de mútuas e múltiplas interdeterminações. Assim, a análise dele centrou-se na tentativa de entender os efeitos dos meios na vida social e dos indivíduos.
Com a evolução e transformação dos meios – ou seja, das extensões do homem – a abordagem e o problema tornou-se fundamental e complexo, porque hoje estamos literalmente mergulhados nas tecnologias de comunicação. E evoluímos para uma situação de interconexão total e visceral. Mas o problema, o desafio lançado por McLuhan, permanece o mesmo: quais os efeitos dos atuais meios de comunicação cada vez mais molecularizados, sofisticados e colados nos corpos dos indivíduos. As ideias do pensador, portanto, continuam atuais e são essenciais para compreender a tecnologia e meios de comunicação. Elas nos fornecem pistas fundamentais para entender que a técnica não é apenas um instrumento neutro o qual manipulamos e que do conforto de nossos posicionamentos éticos e instrumentos conceituais, podemos dirigir para o bem ou para o mal. McLuhan sorria desta ingenuidade, desta superficialidade, desta cegueira que pretendia entender a técnica como um simples instrumento “neutro”.
IHU On-Line – Como você avalia a ideia de que a tecnologia contemporânea tem como meta fundamental manipular e criar novas formas de vida?
Celso Candido de Azambuja - Há uma mutação essencial na evolução da tecnologia e que se refere não apenas à dos instrumentos, mas também à de sua concepção. Podemos indicar pelo menos três grandes e diferentes concepções de tecnologia situadas esquematicamente na Antiguidade, na Modernidade e na atualidade.
Inicialmente, a técnica é puro instrumento, órgão dos instintos, força, luta contra e domínio sobre as forças da natureza: trata-se principalmente de controlar. Em seguida, trata-se de usar as forças da natureza para benefício próprio. Neste contexto, a natureza permanece inviolada.
Na Modernidade, avançamos para uma relação na qual a natureza começa a ser violada. A sociedade industrial penetra na natureza para extrair das suas entranhas as forças necessárias para a produção de bens e a reprodução humana. O resultado, hoje, mais angustiante são os problemas ambientais que este poderoso processo de violação e extração geral na natureza fazem surgir.
Na atual sociedade do conhecimento, com o avanço da tecnociência, a situação é totalmente nova e inédita, espetacular. Trata-se de manipular a matéria para criar novas formas de vida, para transformar as formas de vida. É nesse sentido que se deveria entender a ideia de pós-humano : o da humanidade autoengendrada, autotransformada por suas próprias invenções; porque a manipulação das formas de vida é feita pela própria humanidade.
Aristóteles propunha uma distinção das formas através das quais nós nos relacionamos com a verdade. Além da sabedoria (sofia), da razão intuitiva (nous), da sabedoria prática (phronesis), existiam a ciência (episteme) e a técnica/arte (techne). A técnica era a arte de bem fazer alguma coisa: uma virtude intelectual técnica. A ciência é teorética-prática, suas verdades são eternas e demonstráveis, objetivas.
Assim, na Antiguidade, a techne operava em uma dimensão relativamente autônoma da episteme e das demais virtudes intelectuais. Seu poder se circunscrevia aos limites da cidade e da natureza. Trata-se de explorar as potencialidades da natureza dentro de seus próprios limites. Na Modernidade expansionista, a natureza aparecerá como objeto a ser explorado e manipulado pela técnica a fim de satisfazer as necessidades e os interesses humanos. O conhecimento da natureza é neste contexto fundamental. Técnica e ciência se associam na mesma tarefa comum: manipular a natureza para melhor explorá-la. Heidegger  afirmará que na Modernidade a técnica e a ciência eram inseparáveis e tinham se transformado em uma única forma de saber. Hoje, tudo depende da pesquisa e do desenvolvimento tecnocientífico. Nova forma de saber que hegemoniza cada vez mais velozmente os poderes diretivos da civilização atual.
A tecnociência, hoje, tem como fundamento não mais penetrar na natureza para lhe esgotar as forças até seu definhamento. Trata-se, antes de tudo, de um trabalho de recuperação e invenção de formas de vida. De melhoramento da qualidade de vida humana. Do aperfeiçoamento humano por meio da tecnociência. Trata-se de um trabalho de manipulação criadora. Se para Kant  o século XVIII era o do esclarecimento, hoje, indiscutivelmente, vivemos no século da tecnociência.
IHU On-Line – Qual a importância das obras de McLuhan para o pensamento filosófico?
Celso Candido de Azambuja - Não podemos entender nossa atualidade sem o aporte intelectual e a arquitetura conceitual legados por autores como McLuhan. Os grandes pensadores resistem ao tempo. Normalmente visionários, estão sempre além de seu próprio tempo. Eles nos ensinam a olhar o mundo de novas formas, de perspectivas inéditas, com novos olhos; apontam a direção e problemas nunca antes pensados. Tornam visível o que antes nos era invisível. São pintores do desvelamento do ser.
Pensadores como McLuhan, conseguem, com seu trabalho crítico e criativo, nos orientar no pensamento no nosso tempo. O tempo é uma sucessão infindável e complexa de tempos os mais diversos possíveis. As ideias de McLhuan continuam sendo essenciais para entender nossa atualidade marcadamente tecnológica e comunicativa.
Parece-me que a originalidade de sua contribuição ainda não foi esgotada, e os teóricos e pesquisadores da filosofia da comunicação e da tecnologia terão ainda muito trabalho para ser decifrá-la.
IHU On-Line – McLuhan acreditava que algumas mudanças culturais ocorriam devido às mudanças resultantes da tecnologia. Como você relaciona o pensamento dele com a sociedade que valoriza cada vez mais os resultados e o dinheiro?
Celso Candido de Azambuja - O debate ideológico em torno do problema da tecnologia me parece às vezes um pouco simplificador. Em primeiro lugar porque tecnologia é poder. Sendo poder ela não tem uma direção unívoca. Ao mesmo tempo, a noção de tecnologia não pode ser reduzida à sua capacidade de produzir resultados e dinheiro. Não podemos considerar isto como um mal em si. Tudo depende de que resultados e de que dinheiro nós estamos falando. Será que a tecnociência já não está em condições de acabar com a fome no mundo? Não seria este um ótimo resultado?
Não devemos reduzir a complexidade do problema. A tecnologia é condição essencial para a vida humana. Não haveria vida humana sem a técnica, sem estas extensões que tornaram possível aos seres humanos sobreviver às intempéries e aos inimigos naturais.
A tecnologia é poder humano, sim. Quando ela está concentrada, quando se transforma em capital, ela se torna instrumento de poder de uns sobre os outros, de poucos sobre muitos; tal como, por exemplo, as relações de produção em um sistema capitalista clássico. Mas na sociedade do conhecimento, da informação e da comunicação as forças produtivas e tecnológicas estão em contínuo e intensificado processo de desterritorialização e molecularização social. O capital tecnológico e científico encontra-se cada vez mais compartilhado, distribuído e acessível. O que antes era poder de uns poucos, hoje se transformou, está se transformando ainda, em poder de muitos. O computador é um exemplo.
Não podemos fechar os olhos para as mudanças em curso no âmbito das relações de produção e de poder. As forças produtivas estão hoje cada vez mais desterritorializadas, desmaterializadas, tornando mais difícil e complexo seu controle por pequenos ou poucos grupos. O capital tradicional está infiltrado por todos os lados por novas formas e complexas forças produtivas.
Ao mesmo tempo em que a tecnologia moderna de tipo explorador já não é mais tolerada com facilidade, a automação industrial e agrícola liberta o homem de um tipo de trabalho essencialmente reprodutivo e alienante. Cresce atualmente a demanda por serviços, criatividade, inteligência, estratégias. Ao mesmo tempo em que cresce a demanda por qualidade de vida.
Os potenciais culturais, políticos, econômicos e subjetivos da revolução tecnológica das comunicações em pleno curso são extraordinários. Precisamos urgentemente nos alfabetizar nesta nova linguagem emergente hipertextual e intercriativa. Caso contrário, estaremos falando já uma linguagem que ninguém mais entende nem está interessado em entender.
McLuhan, como educador, filósofo, teórico da comunicação e da tecnologia, estava preocupado com os potenciais culturais dos meios, em especial, da televisão, cujo potencial integrador e pedagógico foi por ele desde o princípio ressaltado. Por isso sua preocupação em torno do problema da mensagem dos meios, pois somente com esta compreensão fundamental poderíamos explorar seus verdadeiros potenciais educacionais e culturais.
IHU On-Line – Como a nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global?
Celso Candido de Azambuja - A aldeia global que vivemos é a da intercriatividade. Através dos meios eletrônicos de comunicação, tais como os celulares, os computadores, os televisores, a humanidade encontra-se em processo de unificação transcultural.
Diferentemente de uma aldeia global massificada, tal como aquela condicionada pela indústria da cultura de massas durante grande parte do século passado, a aldeia global eletrônica atual é intercriativa, pois convoca seus internautas a uma navegação criativa, autoprodutiva. Ela convoca à produção de uma subjetividade singular, à produção de inventivas narrativas de si e do mundo a respeito das quais os meios precedentes sequer um dia podiam sonhar. Basta olhar a experiência do Google, da Wikipédia, do YouTube, do Twitter, do Facebook  para perceber o que estou querendo dizer. Nestes ambientes, nestas interfaces de comunicação, não é possível mais manter a postura de um espectador que ouve e assiste a sua história ser contada desde fora. Ao contrário, nestes ambientes comunicativos os indivíduos apropriam-se da narrativa de suas vidas, de seus sentimentos, valores, projetos.
Avalio que estamos entrando em uma era em que os modelos de governança de tipo republicanos serão os mais adequados não apenas técnica, mas também subjetivamente para dar conta dos nossos problemas cada vez mais complexos. Os meios tecnológicos em expansão atualmente tornaram possível – e eu diria mesmo necessária – a participação cada vez mais direta dos cidadãos nesta aldeia, através de uma forma de comunicação ativa, da informação processada em alta escala, do conhecimento compartilhado, das redes de integração social e política.
O conhecimento hoje necessário para a tomada de decisões é cada vez mais complexo, implicando necessariamente um método transdisciplinar. É preciso assim saber articular redes de saberes decisórias, propositivas, múltiplas, em escala mundial. Na medida em que a tecnologia e conhecimento se tornam compartilhados, também o poder é compartilhado.
IHU On-Line – Para McLuhan, o livro individualiza e o rádio unifica. Com a chegada de meios como Facebook e Twitter estamos valorizando o pensamento escrito, mas não a individualização. Como você avalia esse comportamento?
Celso Candido de Azambuja - O livro individualiza não somente porque reproduz um pensamento escrito. É porque convoca à introspecção, à imaginação e à reflexão. O livro tende ao isolamento e isto tão mais acentuadamente nas culturas quentes.
O pensamento escrito esteve circunscrito ao território do papel e do livro impresso durante muito tempo. De tal modo que acabamos por identificar o escrito impresso com o próprio pensamento escrito. Mas este já esteve inscrito em outros suportes, tais como em pedras, tábuas, metais. Platão  chegou a elaborar uma séria crítica aos pensamentos escritos com letras. Denunciou tal atividade como inapropriada e como forma de falsificar a verdadeira sabedoria que só o embate dialético oral seria capaz de produzir.
Acontece que o pensamento escrito tem atualmente uma nova interface através da qual pode presentificar-se. Trata-se de um suporte em si mesmo dinâmico que, por sua natureza, dá novo dinamismo à palavra escrita. Antes da internet, o tempo de processamento da palavra escrita era complemente diferente. A escrita digital é fluída, móvel. A palavra se movimenta na tela e viaja à velocidade da luz no espaço. É uma situação diferente. O pensamento escrito libertou-se das amarras do texto impresso. Ele movimenta-se livre nas telas e redes intercontinentais de comunicação.
Deste modo, o pensamento escrito tornou-se instrumento ágil de comunicação, ao mesmo tempo em que seu poder cresceu em toda parte. Hoje, se você não souber ler e escrever um e-mail, você estará completamente por fora. A escrita, na rede, é intercriativa, fragmentada, veloz. Ela convida ao diálogo. Se você não teclar, não irá se comunicar.
Esta nova plasticidade do texto está muito mais próxima da velocidade de renovação dos saberes e do modo como se pode aproximar da verdade em nossos dias. E não há dúvidas que já supera em muito o potencial civilizacional do livro e do pensamento escrito impresso.
IHU On-Line – Para McLuhan, a cultura do alfabeto predispõe o homem a dessacralizar seu modo de ser. Como fica a relação do ser nos dias atuais?
Celso Candido de Azambuja - As sociedades orais são naturalmente mais coesas, mais coletivas, mais afetivas – mais frias no sentido mcluhniano – comparadas com as sociedades da escrita alfabética. Nas culturas onde predomina a oralidade as crenças, os mitos, as lendas, jogam peso também maior na articulação dos sentidos e significações sociais. O alfabeto dota o homem de uma potência de esclarecimento que o projeta para além das suas crenças, mitos, verdades da sua comunidade.
A oralidade convoca à participação, é um meio frio, aproxima. A escrita isola. O alfabeto projeta o homem para além de seu próprio universo imaginário, unificando os homens culturalmente, ainda que não politicamente. Isto força o homem a sair de si mesmo, quer dizer, sair de seu próprio universo fechado de significações.
O mundo da escrita alfabética é cada vez mais humano no sentido de que o horizonte dos problemas humanos se coloca para ser respondido no âmbito da própria palavra humana. Os enigmas, os problemas, as questões passam a ser definidas no embate puramente humano.
Grande parte da cultura oral é marcada pelo recurso ao mito, aos cultos de adivinhação. Platão, como disse antes, fará a denúncia do empobrecimento do discurso através do recurso ao texto escrito com letras. Com os sofistas que escrevem seus discursos, portanto, a sabedoria teria chegado ao seu fim, lamenta Platão. Entretanto, a força do meio literário, o obriga a fazer sua luta contra o movimento sofista através do recurso da palavra escrita. Os diálogos escritos foram sem dúvida uma tentativa de resgatar o que o texto escrito anunciava: a morte da dialética. A escrita alfabética arrastou Platão e todos os que vieram depois. Reinou praticamente absoluta até o advento dos meios eletrônicos no século XX. Hoje, como já dissemos, encontra-se em pleno processo de reinvenção e ressignificação.
É neste contexto de reinvenção e ressignificação não apenas da escrita, mas também e talvez principalmente da linguagem hipertextual, que os indivíduos estão construindo suas narrativas autoprojetadas. Nessa autoconstrução generalizada de nossos dias, penso que o problema do sentido do ser pode ser colocado para além da massificação e da impessoalidade que predominaram na era dos mass media.
Se, como pretendia Parmênides,  o ser que é possível ser é o ser que é pensado, o ser que é possível ser pensado hoje, na era eletrônica, é aquele que somente pode se compreender através de uma nova perspectiva: transdisciplinar, transcultural, transmidiática, polifônica. É o ser de uma enorme complexidade cujas potencialidades e modos de aparecer são de uma riqueza extraordinária. É nesta irreversível – e desejável – pluralidade de formas de vida, moral, religiosa, política e estética através da qual o ser do humano em nossa época se revela e se transforma que reencontraremos a pergunta pelo sentido de nossa existência.
Fonte: IHU On-line

quinta-feira, setembro 30, 2010

face a uma derrota eleitoral

A mídia comercial em guerra

por Leonado Boff

.
Sou profundamente a favor da liberdade de expressão, em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
Esta história de vida me avaliza a fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o presidente Lula e a midia comercial, que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o presidente e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como famiglia mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo o Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quase desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica, produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que continua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vêm Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo, cansado de ser governado pelas classes dominantes, resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes, havia apenas desenvolvimento/crescimento, que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituídas e com salários de fome. Agora, ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico, que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela Veja (que faz questão de não ver…), protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas, para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.
Esse Brasil é combatido na pessoa do presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.
*Leonardo Boff é teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.
** Colaboração de Danilo Pretti Di Giorgi, para o EcoDebate, 30/09/2010
Fonte: Portal EcoDebate.

terça-feira, setembro 14, 2010

consagração da banalidade

A banalização do banal
por Carlos Vogt
.
Entre os muitos sinais de que o novo, no modernismo, trazia já, em si, os elementos de sua superação, um deles pode ser destacado, até porque é emitido de um lugar, de um topos cultural, menos esperado, mais discreto talvez e por isso, quem sabe, mais surpreendente.
Ele vem da linguística e de sua concepção tal como proposta no Curso de linguística geral, publicado em 1905 por obra de discípulos do mestre suíço, Ferdinand Saussure, reunindo em livro aulas, palestras e conferências que o autor, ele próprio, não teve tempo, em vida, de organizar.
E aqui vai o sinal de uma primeira ausência: Saussure é autor de um livro que ele não escreveu mas cujas ideias revolucionaram os estudos da linguagem humana e de todos os sistemas de signos. Daí que, ao fundar a linguística moderna, Saussure funda também a semiologia e lança as bases para os estudos de todos os sistemas de significantes em qualquer tipo de linguagem, tendo como princípio de sua organização a função comunicativa.
A segunda ausência, esta agora parte integrante e constitutiva da teoria, diz respeito à noção de valor do signo linguístico. Para Saussure, o valor do signo linguístico é relacional, não é uma coisa em si, não é uma substância. É na relação de um signo com outros, dentro do sistema a que ele pertence, que ele vale por alguma coisa que ele representa, mas que ele não é.
Desenha-se aqui, como consequência dessa noção relacional do valor do signo, o princípio de classificação e de organização dos fenômenos de comunicação, princípio que domina todo o estruturalismo, do ponto de vista teórico e metodológico, e que consiste em procurar estabelecer as regras de funcionamento de um dado sistema de significações pela estrutura das relações de oposição entre os elementos significantes que integram o referido sistema.
A linguística tem como objeto explicar como se dá a relação som/sentido, isto é, como uma cadeia material de sonoridades com propriedades mecânicas e físicas específicas produz sentidos e significados cuja natureza é imaterial, sem nenhuma relação de motivação necessária entre um nível e o outro.
O fenômeno da significação da linguagem humana e de todos os sistemas semiológicos é, assim, explicado negativamente, por uma ausência: a de ser o que ele não é. Isto é, para que a linguagem realize plenamente a sua função maior, que é a comunicação, ela nega sua materialidade física e afirma a imaterialidade do que ela significa nos atos de fala e de enunciação que entrelaçam a comunidade dos falantes numa rede de reconhecimentos e de estranhamentos que formam a dinâmica da vida em sociedade. Portanto, a linguagem é, para forçar o paradoxo, o que ela não é.
Essa visão negativa, relacional, da linguagem e da comunicação será fortalecida, ainda mais, com o advento da informática, da internet e da rede mundial de computadores e de seus vários produtos sociais como o são, entre outros, os sites, os blogs e o Twitter.  
Com eles ganha força o conceito de rede social, sobretudo com as últimas formas de organização da comunicação rápida, veloz e instantânea, baseada numa limitação cada vez maior do número de caracteres a serem utilizados pelos adeptos, em número crescente no mundo todo, dessa nova espécie de tribalismo virtual.
Com o processo de semiotização da vida social no mundo contemporâneo, processo caracterizado pela substituição da coisa pela sua representação, isto é, pela sua imagem, pelo seu signo e no qual as tecnologias de informação e comunicação, as TICs, têm um papel fundamental , vem se constituindo também uma espécie de nova metafísica, uma metafísica não do ser, mas de seu simulacro, não do mundo real e das ideias de sua concepção, mas da virtualidade da forma de suas apresentações. Breve, uma metafísica da imagem.
Associe-se a isso a velocidade dos dados e informações e tem-se, com o instantaneísmo, a presentificação do tempo e do espaço feitos agora em imagens de simultaneidade que se oferecem a uma nova forma de percepção, sem perspectiva, porque sem passado, sem passado, porque sem distância, sem distância, porque sem futuro de possibilidades.
Se tudo cabe no cenário familiar da sala de jantar, da biblioteca, do escritório, da caminhada pelas ruas, da viagem de carro, de ônibus, de navio, de avião, entrando pela janela da TV, do computador, do laptop, do celular, tendemos também a estar em toda parte e em lugar nenhum, não como uma nova espécie de divindade jansenista, mas como uma ausência tecida nos intervalos dos nós que amarram a rede, feita do vazio relacional que nos constitui, no jogo dinâmico, veloz e fugaz das representações, em imagem, não do que somos porque isso já não saberemos , mas do que somos levados a ser e logo a deixar de ser.
Um dos aspectos característicos da sociedade contemporânea, sublinhado pelo fenômeno das redes sociais, é o da banalização da privacidade, homólogo, de algum modo, ao da banalização da violência, já tão apontado, descrito e analisado como traço marcante do cotidiano de nossas vidas.
O Twitter, independente das utilizações práticas e boas que dele se podem fazer, como as que, por exemplo, permitem uma grande otimização dos serviços na administração pública, é uma consagração da banalidade e uma banalização da privacidade.
Consagra o banal porque registra para as tribos de seguidores a “planitude” infinita do sem-importância de que todos somos investidos em boa parte de nosso dia-a-dia. Acordamos, levantamos, vamos ao banheiro, escovamos os dentes, tomamos café, saímos, conversamos, trabalhamos, bebemos, comemos, vamos ao cinema, deitamos, dormimos, namoramos, e por aí vai. Não é viver que é banal. A banalização da vida é tentar fazê-la brilhar só pelo banal, erigindo-o, nas tribos, em mantras de revelação pela boca do sacerdote cuja eminência é, no momento, mais evidente, ou, o que dá no mesmo, cuja evidência é mais eminente.
Nesse sentido, é ilustrativa a mini-crônica de humor da coluna de Tutty Vasques publicada n’ O Estado de S.Paulo, caderno “Metrópole”, p. C-12, do dia 19/08/10, intitulada “Você conversa com o seu pillow?”, que abaixo transcrevo:
Se você é desses que de vez em quando vai dar umas voltinhas no Twitter e volta com a impressão de que não sabe andar nessa bicicleta, calma! Na maioria das vezes, a falta de intimidade com a linguagem das redes sociais é até louvável num ambiente sem cerimônia ou privacidade. Muita coisa que você lê ali e não entende não é mesmo da sua conta.
Quer ver só?
Dia desses, me embrenhei nas novíssimas mídias eletrônicas pra ver se aprendia a ganhar dinheiro com isso. Cheguei ao Twitter de Eike Batista já nos finalmente da conversa fiada do bilionário: “Vou bater mais um papinho com meu Pillow” sem duplo sentido, por favor!
Como nunca tinha ouvido aqui no Brasil alguém chamar travesseiro de “Pillow” (ainda mais com inicial em caixa alta), resolvi pesquisar no Google a respeito. Descobri um certo Pillow Talk, travesseiros que, por meio de sensores, se comunicam a grandes distâncias, permitindo que namorados sintam a presença e até o batimento cardíaco um do outro quando dormem em cidades diferentes.
Daí a você começar a imaginar se a namorada do Eike Batista está viajando é um pulo que, sinceramente, parece coisa de maluco, né não? Sei lá se ele tem namorada, caramba!
À banalização do banal segue-se a banalização da privacidade a tal ponto que, há algum tempo atrás, foi noticiado em todo o país, por diferentes meios de comunicação, o caso do casal de jovens adolescentes que se expuseram e expuseram pelo twittcam uma relação sexual, sem outro propósito, ao que parece, se não o de tratar esse ato de grande intimidade na praça pública das trivialidades corriqueiras e das banalidades virtuais.
Não sendo apenas isso, o que serão também as redes sociais?
.
Fonte: Com Ciência | Editorial

na tela ou dvd

  • 12 Horas até o Amanhecer
  • 1408
  • 1922
  • 21 Gramas
  • 30 Minutos ou Menos
  • 8 Minutos
  • A Árvore da Vida
  • A Bússola de Ouro
  • A Chave Mestra
  • A Cura
  • A Endemoniada
  • A Espada e o Dragão
  • A Fita Branca
  • A Força de Um Sorriso
  • A Grande Ilusão
  • A Idade da Reflexão
  • A Ilha do Medo
  • A Intérprete
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • A Janela Secreta
  • A Lista
  • A Lista de Schindler
  • A Livraria
  • A Loucura do Rei George
  • A Partida
  • A Pele
  • A Pele do Desejo
  • A Poeira do Tempo
  • A Praia
  • A Prostituta e a Baleia
  • A Prova
  • A Rainha
  • A Razão de Meu Afeto
  • A Ressaca
  • A Revelação
  • A Sombra e a Escuridão
  • A Suprema Felicidade
  • A Tempestade
  • A Trilha
  • A Troca
  • A Última Ceia
  • A Vantagem de Ser Invisível
  • A Vida de Gale
  • A Vida dos Outros
  • A Vida em uma Noite
  • A Vida Que Segue
  • Adaptation
  • Africa dos Meus Sonhos
  • Ágora
  • Alice Não Mora Mais Aqui
  • Amarcord
  • Amargo Pesadelo
  • Amigas com Dinheiro
  • Amor e outras drogas
  • Amores Possíveis
  • Ano Bissexto
  • Antes do Anoitecer
  • Antes que o Diabo Saiba que Voce está Morto
  • Apenas uma vez
  • Apocalipto
  • Arkansas
  • As Horas
  • As Idades de Lulu
  • As Invasões Bárbaras
  • Às Segundas ao Sol
  • Assassinato em Gosford Park
  • Ausência de Malícia
  • Australia
  • Avatar
  • Babel
  • Bastardos Inglórios
  • Battlestar Galactica
  • Bird Box
  • Biutiful
  • Bom Dia Vietnan
  • Boneco de Neve
  • Brasil Despedaçado
  • Budapeste
  • Butch Cassidy and the Sundance Kid
  • Caçada Final
  • Caçador de Recompensa
  • Cão de Briga
  • Carne Trêmula
  • Casablanca
  • Chamas da vingança
  • Chocolate
  • Circle
  • Cirkus Columbia
  • Close
  • Closer
  • Código 46
  • Coincidências do Amor
  • Coisas Belas e Sujas
  • Colateral
  • Com os Olhos Bem Fechados
  • Comer, Rezar, Amar
  • Como Enlouquecer Seu Chefe
  • Condessa de Sangue
  • Conduta de Risco
  • Contragolpe
  • Cópias De Volta À Vida
  • Coração Selvagem
  • Corre Lola Corre
  • Crash - no Limite
  • Crime de Amor
  • Dança com Lobos
  • Déjà Vu
  • Desert Flower
  • Destacamento Blood
  • Deus e o Diabo na Terra do Sol
  • Dia de Treinamento
  • Diamante 13
  • Diamante de Sangue
  • Diário de Motocicleta
  • Diário de uma Paixão
  • Disputa em Família
  • Dizem por Aí...
  • Django
  • Dois Papas
  • Dois Vendedores Numa Fria
  • Dr. Jivago
  • Duplicidade
  • Durante a Tormenta
  • Eduardo Mãos de Tesoura
  • Ele não está tão a fim de você
  • Em Nome do Jogo
  • Encontrando Forrester
  • Ensaio sobre a Cegueira
  • Entre Dois Amores
  • Entre o Céu e o Inferno
  • Escritores da Liberdade
  • Esperando um Milagre
  • Estrada para a Perdição
  • Excalibur
  • Fay Grim
  • Filhos da Liberdade
  • Flores de Aço
  • Flores do Outro Mundo
  • Fogo Contra Fogo
  • Fora de Rumo
  • Fuso Horário do Amor
  • Game of Thrones
  • Garota da Vitrine
  • Gata em Teto de Zinco Quente
  • Gigolo Americano
  • Goethe
  • Gran Torino
  • Guerra ao Terror
  • Guerrilha Sem Face
  • Hair
  • Hannah And Her Sisters
  • Henry's Crime
  • Hidden Life
  • História de Um Casamento
  • Horizonte Profundo
  • Hors de Prix (Amar não tem preço)
  • I Am Mother
  • Inferno na Torre
  • Invasores
  • Irmão Sol Irmã Lua
  • Jamón, Jamón
  • Janela Indiscreta
  • Jesus Cristo Superstar
  • Jogo Limpo
  • Jogos Patrióticos
  • Juno
  • King Kong
  • La Dolce Vitta
  • La Piel que Habito
  • Ladrões de Bicicleta
  • Land of the Blind
  • Las 13 Rosas
  • Latitude Zero
  • Lavanderia
  • Le Divorce (À Francesa)
  • Leningrado
  • Letra e Música
  • Lost Zweig
  • Lucy
  • Mar Adentro
  • Marco Zero
  • Marley e Eu
  • Maudie Sua Vida e Sua Arte
  • Meia Noite em Paris
  • Memórias de uma Gueixa
  • Menina de Ouro
  • Meninos não Choram
  • Milagre em Sta Anna
  • Mistério na Vila
  • Morangos Silvestres
  • Morto ao Chegar
  • Mudo
  • Muito Mais Que Um Crime
  • Negócio de Família
  • Nina
  • Ninguém Sabe Que Estou Aqui
  • Nossas Noites
  • Nosso Tipo de Mulher
  • Nothing Like the Holidays
  • Nove Rainhas
  • O Amante Bilingue
  • O Americano
  • O Americano Tranquilo
  • O Amor Acontece
  • O Amor Não Tira Férias
  • O Amor nos Tempos do Cólera
  • O Amor Pede Passagem
  • O Artista
  • O Caçador de Pipas
  • O Céu que nos Protege
  • O Círculo
  • O Circulo Vermelho
  • O Clã das Adagas Voadoras
  • O Concerto
  • O Contador
  • O Contador de Histórias
  • O Corte
  • O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante
  • O Curioso Caso de Benjamin Button
  • O Destino Bate a Sua Porta
  • O Dia em que A Terra Parou
  • O Diabo de Cada Dia
  • O Dilema das Redes
  • O Dossiê de Odessa
  • O Escritor Fantasma
  • O Fabuloso Destino de Amelie Poulan
  • O Feitiço da Lua
  • O Fim da Escuridão
  • O Fugitivo
  • O Gangster
  • O Gladiador
  • O Grande Golpe
  • O Guerreiro Genghis Khan
  • O Homem de Lugar Nenhum
  • O Iluminado
  • O Ilusionista
  • O Impossível
  • O Irlandês
  • O Jardineiro Fiel
  • O Leitor
  • O Livro de Eli
  • O Menino do Pijama Listrado
  • O Mestre da Vida
  • O Mínimo Para Viver
  • O Nome da Rosa
  • O Paciente Inglês
  • O Pagamento
  • O Pagamento Final
  • O Piano
  • O Poço
  • O Poder e a Lei
  • O Porteiro
  • O Preço da Coragem
  • O Protetor
  • O Que é Isso, Companheiro?
  • O Solista
  • O Som do Coração (August Rush)
  • O Tempo e Horas
  • O Troco
  • O Último Vôo
  • O Visitante
  • Old Guard
  • Olhos de Serpente
  • Onde a Terra Acaba
  • Onde os Fracos Não Têm Vez
  • Operação Fronteira
  • Operação Valquíria
  • Os Agentes do Destino
  • Os Esquecidos
  • Os Falsários
  • Os homens que não amavam as mulheres
  • Os Outros
  • Os Românticos
  • Os Tres Dias do Condor
  • Ovos de Ouro
  • P.S. Eu te Amo
  • Pão Preto
  • Parejas
  • Partoral Americana
  • Password, uma mirada en la oscuridad
  • Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
  • Perdita Durango
  • Platoon
  • Poetas da Liberdade
  • Polar
  • Por Quem os Sinos Dobram
  • Por Um Sentido na Vida
  • Quantum of Solace
  • Queime depois de Ler
  • Quero Ficar com Polly
  • Razão e Sensibilidade
  • Rebeldia Indomável
  • Rock Star
  • Ronin
  • Salvador Puig Antich
  • Saneamento Básico
  • Sangue Negro
  • Scoop O Grande Furo
  • Sem Destino
  • Sem Medo de Morrer
  • Sem Reservas
  • Sem Saída
  • Separados pelo Casamento
  • Sete Vidas
  • Sexo, Mentiras e Vídeo Tapes
  • Silence
  • Slumdog Millionaire
  • Sobre Meninos e Lobos
  • Solas
  • Sombras de Goya
  • Spread
  • Sultões do Sul
  • Super 8
  • Tacones Lejanos
  • Taxi Driver
  • Terapia do Amor
  • Terra em Transe
  • Território Restrito
  • The Bourne Supremacy
  • The Bourne Ultimatum
  • The Post
  • Tinha que Ser Você
  • Todo Poderoso
  • Toi Moi Les Autres
  • Tomates Verdes Fritos
  • Tootsie
  • Torrente, o Braço Errado da Lei
  • Trama Internacional
  • Tudo Sobre Minha Mãe
  • Últimas Ordens
  • Um Bom Ano
  • Um Homem de Sorte
  • Um Lugar Chamado Brick Lane
  • Um Segredo Entre Nós
  • Uma Vida Iluminada
  • Valente
  • Vanila Sky
  • Veludo Azul
  • Vestida para Matar
  • Viagem do Coração
  • Vicky Cristina Barcelona
  • Vida Bandida
  • Voando para Casa
  • Volver
  • Wachtman
  • Zabriskie Point