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sábado, julho 30, 2011

não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as

Caí no mundo e não sei voltar

por Eduardo Galeano
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os aparelhos de som uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez. Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que havia em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar. Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de… anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu.  E não que tenha sido melhor…. É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com “guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa”, mudar para o “compre e jogue fora que já vem um novo modelo”.
Troca-se de carro a cada três anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado… E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas… por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (porque éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular há poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos…
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê?  Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas dos primeiros rádios Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisas para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia “esta é um 4 de copas”.
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue…
Eduardo Galeano é jornalista e escritor uruguaio.
Fonte: Tribuna da Imprensa (Tribuna da Internet), 24/07/2011

domingo, janeiro 09, 2011

"Talvez, o imponderável nos salvará."

Edgar Morin, mestre do pensamento, às vésperas de seus 90 anos
A morte da mãe quando criança, a ocupação nazista, a Resistência. Mas também as viagens, as mulheres, os estudos que o tornaram famosos. Agora, às vésperas dos 90 anos, o "Diderot do século XX", que previu os danos da globalização, confessa ter "bebido a vida". E pensa nos mais jovens: "Nós nos iludimos com o comunismo e o consumismo. Eles perderam o futuro. Precisam de esperança".
A reportagem é de Anais Ginori, publicada no jornal La Repubblica, 02-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
"Se eu fosse guiado só pela luz da razão, diria que o mundo vai rumo à catástrofe, que estamos à beira do abismo. Todos os elementos que temos sob os olhos nos prospectam cenários apocalípticos. Mas, na história da humanidade, existe o imprevisto, aquele fato inesperado que muda o curso das coisas. Eis porque, no fundo, sou otimista".
Mesmo quando se trata de olhar para o longo prazo, Edgar Morin não renuncia ao seu famoso "pensamento complexo", que ele teoriza já há 40 anos. Tese, antítese, síntese. A sua marca de fábrica. Unir os opostos, abraçar saberes diversos, como explicou nos seis volumes do Méthode, a obra enciclopédica escrita entre 1967 e 2006, que já lhe valeu o apelido de "Diderot do século XX".
Morin é um pensador poliédrico, culturalmente onívoro. Filósofo, sociólogo, antropólogo, uma bibliografia feita de mais de 50 títulos, ensaios que vão da elaboração do luto aos novos mitos do espetáculo, da ecologia à reforma do welfare. Em poucos meses, ele irá completar 90 anos. O Le Monde lhe dedicou um número especial. Segundo o Nouvel Observateur, ele é um dos "gigantes do pensamento" do século passado. Diante do computador, no pequeno escritório do seu apartamento da rua Saint-Claude, debaixo das velhas tipografias de Marais, ele trabalha no seu novo livro. Ele será dedicado à esperança. "Sim, gostaria de restituí-la aos jovens que sentem que perderam o futuro. Nós tínhamos a fé no progresso, nos iludimos antes com o comunismo e depois com o consumismo. A democracia ainda parecia a fórmula perfeita de convivência. Agora, esse horizonte foi arrebatado".
Jamais trocaria de lugar com um jovem de 20 anos de hoje, embora caminhe lentamente na casa vazia, ajudando-se com uma bengala. Há dois anos, morreu sua terceira esposa, Edwige Lannegrace, à qual dedicou um livro, Edwige l'inséparable. Com a modelo e atriz canadense Johanne Harelle, que conheceu nos EUA, havia passado os barulhentos anos 60 viajando pela América Latina. Grande sedutor, conta ter "bebido a vida". Não deixou faltar nada.
Nascido em 1921, na comunidade judaica sefardita do bairro de Menilmontant, correu o risco de morrer durante as fases do parto, junto com a mãe Luna, gravemente doente do coração. "Os médicos lhe haviam aconselhado a não ter filhos. Ela havia escondido a sua patologia até do meu pai Vidal". A mãe sobreviveu por milagre, acudiu o filho único como um pequeno príncipe, mas nove anos depois foi vítima de um infarto. "Aquela morte foi a minha Hiroshima", lembra. Não por acaso, o seu primeiro livro de antropologia, publicado em 1951, intitula-se L'homme et la mort e analisa, dentre outras coisas, o conceito de "resiliência", a capacidade de resistir aos choques.
Resistência
Durante a ocupação nazista, encontrou a sua segunda família. Entrou nas forças de combate da Resistência, na facção liderada por François Mitterrand. Foi assim que Edgar Nahoum, para o registro civil, tornou-se Edgar Morin, nome de batalha que manterá também depois da guerra. Aprendeu a se esconder, a comprar as informações, a antecipar os movimentos da polícia. Um dia, estava chegando a Lyon para um encontro. Teve um pressentimento, decidiu não ir. O amigo que o esperava foi capturado, torturado e morto. 
Na clandestinidade, conheceu Violette Chapellaubeau, primeira mulher e mãe das duas filhas Irène e Véronique. No dia da Libertação, entrou em Paris a bordo de um automóvel militar, hasteando a bandeira junto com a amiga escritora Marguerite Duras. Logo decidiu partir para Baden-Baden. Em 1946, dois anos antes do filme de Roberto Rossellini, escreveu O Ano Zero da Alemanha, um conta sobre o país em ruínas, uma tentativa de entender como a nação de Goethe e de Beethoven pôde provocar a barbárie do nazismo.
Até os 30 anos, acreditou no Sol do Porvir. "Fui um comunista de guerra, porque deu a prioridade à luta contra o nazismo, ignorando, porém, os defeitos do stalinismo. Mas em tempos de paz, assim que começaram os processos e as "purgas", rasguei a minha carteirinha". 
Em 1951, foi definitivamente expulso da direção do Partido Comunista Francês por ter criticado, em um artigo, o Grande Timoneiro Mao Tse Tung. "O partido era como uma igreja, um ambiente sagrado – lembra –, algo inimaginável para os jovens de hoje".
"Direitista de esquerda"
Morin escreveu naqueles anos Autocritique, memórias de um ex-comunista, gênero destinado a fazer prosélitos não só na França. Hoje, considera-se um droitier gauchiste. "À direita, porque, segundo a tradição revolucionária, quero defender as liberdades, e à esquerda, porque penso que há necessidade de radicalidade". De Karl Marx, ao qual dedicou um pequeno ensaio no ano passado, diz que "foi um formidável profeta da globalização capitalista, mas não viu que o homo faber, o homem produtor, era também ohomo economicus, e que o homo sapiens era também o homo demens, a loucura humana que se manifesta em toda a história da humanidade".
Em 2008, Nicolas Sarkozy citou a "política de civilização" teorizada por Morin em um discurso seu. Ele fez saber que não gostou. "Duvido que o presidente conheça os meus trabalhos e o significado real dessa expressão", repete ainda, com um movimento de incômodo. Para Morin, a "política de civilização" consiste no retorno da supremacia da política sobre a economia, do público sobre o privado. "Os partidos de esquerda aceitaram de cima para baixo o liberalismo, sem entender que antes era preciso discutir regras e salvaguardas dos direitos. Com a globalização econômica, tivemos coisas positivas, como a circulação das pessoas e das ideias, mas integramos também os ritmos de trabalho da China".
No seu álbum pessoal, conserva fotos com muitos líderes da esquerda francesa, de Maurice Thorez a Mitterrand, com os quais frequentemente polemizou. Porém, todas as vezes que a gauche está em dificuldade, Edgar Morin é consultado como um oráculo. Todos, também os seus inimigos, lhe reconhecem uma grande capacidade de farejar o esprit du temps, o espírito do tempo, título de um estudo seu de 1962. 
Batizou os anos 60 como a geração yé yé, os jovens dependentes do consumismo. Em 1993, publicou um panfleto sobre a Terra-Pátria, antes que o ambientalismo se tornasse uma moda. Previu o retorno dos nacionalismos e da xenofobia na Europa. "Fiquei chocado ao ver o que a França fez com os ciganos, um povo perseguido há séculos, que foi mandado aos campos de concentração pelos nazistas". Morin não tem medo de se encontrar em posições politicamente incômodas. Inclinou-se para o lado dos palestinos durante a Intifada, foi falar na universidade de Sarajevo debaixo das bombas.
Metamorfose
Enquanto fala, continua consultando os e-mails no computador. "Já sou dependente desta coisa", brinca. Ainda viaja para conferências, principalmente para o Brasil, onde há diversos cursos dedicados ao seu trabalho. Recém recebeu um convite para ir à China. O seu sonho, hoje, seria ver nascer uma nova fase da esquerda. "Não há segredos. As duas palavras que devemos redescobrir são solidariedade e responsabilidade. Em sentido ético, mas também político. A ideia de um único partido de esquerda me parece destinada ao fracasso, porque contém forças que sempre se combateram e que dificilmente podem superar as suas diversidades internas.  Pelo contrários, é preferível uma coalizão que una as esquerdas, sem que ninguém deva renegar sua própria origem, seguindo um processo que eu chamo de metamorfose".
Na natureza, explica, a lagarta se autodestrói para se tornar uma crisálida e depois uma borboleta. Muda, mas permanece o mesmo ser vivo. "É exatamente o contrário do conceito de fazer 'tábula rasa', como diz o slogan da Internacional. Eu penso, ao contrário, que devemos seguir em frente, sempre integrando o nosso passado".
O medo é a nova ideologia. Um sentimento que paralisa as consciências, a doença deste século. Quando estourou a crise, Morin se separou do coro. "É uma extraordinária oportunidade para repensar o nosso estilo de vida, o momento em que se pode finalmente aprender com os próprios erros. Infelizmente, não está acontecendo isso, e ainda estamos dentro do túnel. Lembremos que Adolf Hitler chegou ao poder de modo absolutamente legal, justamente depois de uma longa crise econômica".
Talvez, o imponderável nos salvará. Aquilo que nem acadêmicos como Edgar Morin se arriscam a prever. A pequena Atenas que resiste ao império da Pérsia, fazendo nascer a filosofia e a democracia. A URSS que, em 1941, expulsa os nazistas às portas de Moscou e preanuncia o fim da guerra. "Já aconteceu, acontecerá de novo", confia Morin, com o tom de quem ainda tem muito a estudar. Quando se está à beira do abismo, não há tempo para se entediar.
Fonte: IHU, 09/01/2011

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