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terça-feira, agosto 24, 2010

China, Índia, cenários de um modelo

Enorme necessidade energética da China cria cenário propício a desastres ambientais


Vazamento de petróleo em Dalian, China. Foto: Reuters/NYT
Vazamento de petróleo em Dalian, China. Foto: Reuters/NYT

Às vezes as estatísticas colidem no momento exato para mostrar um quadro mais amplo. A necessidade crescente de energia da China está resultando num aumento dos incidentes industriais, e são poucas as chances de que a série de catástrofes ambientais do país diminua no futuro próximo.
Faz um mês que a República do Povo sofreu seu pior vazamento de petróleo. O desastre de 16 de julho aconteceu num momento sensível para Beijing, ao mesmo tempo em que veio a notícia de que a China ultrapassou os Estados Unidos no consumo de energia.
O vazamento aconteceu depois que dois oleodutos explodiram num depósito de armazenagem de petróleo no porto de Dalin, administrado pela China National Petroleum Corp., parente da companhia mais valorizada por capitalização de mercado do mundo, a PetroChina. Desde 2006, o local do acidente havia sido considerado um risco ambiental pelas autoridades locais. Reportagem de Sam Chambers, International Herald Tribune/The New York Times.
O incidente detonou uma chama espetacular que queimou por três dias, espalhando um cheiro acre pela metrópole do nordeste chinês, que costumava vencer as enquetes sobre cidade mais habitável da China.
Alguns dias depois da explosão, a Agência Internacional de Energia disse que a China era a maior consumidora de energia do mundo, e não os Estados Unidos. A mudança histórica aconteceu anos antes do que se previa, uma vez que o consumo de energia da China mais do que dobrou em menos de uma década.
A AIE disse que o consumo de energia da China em 2009, do petróleo e carvão até a energia eólica e solar, equivaleu a 2,265 bilhões de toneladas de petróleo. Os Estados Unidos usaram 2,169 bilhões de toneladas no ano passado. Per capita, entretanto, os norte-americanos ainda consomem cinco vezes mais energia.
No ano passado a China se tornou o maior mercado de carros do mundo. Só em agosto de 2009 os habitantes de Beijing compraram mais carros novos do que toda a população norte-americana. E no entanto a China tem apenas 1/20 do número de carros por pessoa do que os Estados Unidos têm. E a consultoria Mckinsey estima que o número de automóveis nas estradas da China irá mais do que triplicar até 2020.
Beijing contestou os números da AIE. Entretanto, a confusão estatística foi esclarecida mais tarde com números do próprio ministério de proteção ambiental da China.
O número de acidentes ambientais aumentou 98% nos primeiros seis meses do ano, de acordo com o ministério, enquanto a demanda por energia e minerais levou ao envenenamento de rios e derramamentos de óleo no país que hoje é o maior poluidor do mundo.
“O rápido desenvolvimento econômico está ocasionando cada vez mais conflitos com a capacidade de o meio ambiente absorver” as demandas, disse o ministério numa declaração no mês passado. Ele acrescentou que a qualidade do ar se deteriorou pela primeira vez em cinco anos nos seis primeiros meses deste ano.
Durante as duas últimas décadas, o fornecimento de petróleo se tornou uma prioridade de segurança nacional. Em janeiro de 2009, a dependência da China do petróleo estrangeiro atingiu 50% pela primeira vez. Essa dependência só irá crescer – nem a China, nem a Índia nesse caso, têm reservas significativas de petróleo para explorar; seu crescimento econômico irá continuar e superar em muito a capacidade da produção doméstica de petróleo. Importar a maior parte de sua necessidade energética é agora um fato para as duas nações mais populosas do mundo.
Entre 2004 e 2009, a China respondeu por 40% do aumento total do consumo de petróleo, um fator-chave no aumento dos preços do petróleo visto durante o período. Beijing sabe que qualquer interrupção no fornecimento de petróleo deixará o país refém dos interesses estrangeiros, gerará um caos em sua indústria manufatureira e deixará milhões de pessoas desempregadas.
Assim, a China embarcou num esforço para aumentar seus estaleiros e frota mercante, e está aumentando o investimento estratégico em algumas áreas portuárias, principalmente no oceano Índico. Beijing quer que a China seja a maior construtora de navios até 2015, e que 40% de todas as importações de petróleo do país sejam feitas por navios chineses até essa data.
Há uma década só existia um estaleiro na China capaz de construir os grandes navios-tanque. Hoje, o país tem uma dúzia de estaleiros capazes de construir esses navios gigantescos.
No ano de 2000, a frota da China carregava apenas 6,7% das importações de óleo bruto do país; essa quantidade aumentou para 20% em 2005. O objetivo de 40% deve ser atingido em 2011, quatro anos antes do previsto, enquanto a maior parte das entregas de novos navios a cada duas semanas é feita para proprietários chineses. Mas a qualidade ainda é um problema – a mão de obra de baixa qualidade transforma muitos dos navios construídos na China em bombas-relógio ambientais.
A China também acelerou dramaticamente a construção de grandes terminais de petróleo acima de 200 mil toneladas de porte bruto. Em 2000, existiam apenas três grandes terminais de petróleo para o país inteiro. No final de 2009, a China havia construído 13 terminais de petróleo de 200 mil toneladas de porte bruto ou mais, com a capacidade de receber 282 milhões de toneladas de petróleo.
No período de uma década, a China construiu uma gama incrível de infraestrutura para gerir seu comércio marítimo de petróleo. Ninguém nunca montou uma frota de navios-tanque ou terminais dessa escala num período tão curto de tempo. Mas essa pressa traz problemas – como mostra o desastre de Dalian.
(Sam Chambers é coautor de “Petróleo na Água”, um estudo sobre como a China está mudando os padrões do comércio mundial de petróleo.)
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Tradução: Eloise De Vylder
Reportagem [China's Ticking Time Bomb] do International Herald Tribune/The New York Times, no UOL Notícias.
Fonte: EcoDebate, 24/08/2010

segunda-feira, agosto 23, 2010

desigualdad en las reglas de juego

El crecimiento depredador en India
Alejandro Nadal 
01/08/10
...
La economía de India mantiene elevadas tasas de crecimiento desde hace varios años y para muchos es un ejemplo a seguir. Se afirma incluso que la experiencia del subcontinente es muestra de que el neoliberalismo sí puede funcionar. La realidad es otra. La evolución de la economía india es un proceso patológico que se nutre de la desigualdad social y la destrucción ambiental.
India mantuvo un crecimiento modesto después de la independencia en 1947. El proyecto de industrialización sostuvo una expansión reducida (4 por ciento) pero estable de 1950 a 1980. El ingreso per cápita aumentó en promedio 1.3 por ciento anual en ese periodo. La balanza comercial se mantuvo con déficit permanente y la economía estuvo cerrada a los flujos comerciales y de capital.
La crisis mundial de la deuda en los años 80 sometió a India a los dictados del Fondo Monetario Internacional y en los años 90 se impusieron las reformas de corte neoliberal, lo que representó un viraje radical en política económica. En los últimos 10 años India tuvo en promedio una tasa de crecimiento anual de 6.8 por ciento. La prensa internacional ha presentado esto como un milagro económico.
En estos años la desigualdad y la pobreza en India han empeorado. Hoy, 42 por ciento de la población total de ese país (mil 173 millones) vive con menos de un dólar diario. Un 75 por ciento de la población vive con dos dólares diarios y el modelo económico no va a revertir esta estructura tan desigual.
A pesar de las tasas de crecimiento de 6 por ciento-7por ciento, el aumento en el empleo formal en India es raquítico y no pasa de 1 por ciento anual. Por cierto, eso significa que la expansión económica se apoya en aumentos de productividad muy importantes. Eso se relaciona con la estrategia de orientar la inversión hacia las exportaciones, lo cual requiere abatir al máximo los costos salariales para poder competir. Por eso la racionalización de las cadenas productivas se acompaña de fuertes recortes en el empleo.
A pesar del milagro en las tasas de crecimiento, India mantiene déficit crónico en sus cuentas externas y necesita financiarlo. Para ello ha optado por recibir flujos de capital, tanto en inversión extranjera directa, como en inversiones en cartera (capitales de corto plazo). Pero esto entraña un costo enorme: la política macroeconómica debe respetar reglas de juego que no tienen nada que ver con las necesidades de la población india.
La política monetaria está dominada por la necesidad de atraer capitales al espacio económico indio. Eso implica mantener altas tasas de interés. Además sólo los privilegiados tienen acceso al crédito, todo esto imprime un sesgo regresivo en la distribución de la riqueza al privilegiar la cartera de activos de los estratos más ricos y profundizar la desigualdad. Pero eso es irrelevante: lo que importa es mantener el flujo de capitales que permite financiar el déficit externo.
Todo esto explica que India tenga hoy las reservas más elevadas de su historia (unos 230 mil millones de dólares). En esto se parece a China, pero la diferencia es que aquél país tiene enorme superávit en su balanza comercial, mientras India sufre déficit crónico. Las reservas de India no lo son propiamente, son un recurso que en cualquier momento puede evaporarse.
La política fiscal se rige por el dogma del presupuesto balanceado y como no hay que incomodar a los dueños del capital para no afectar las inversiones, el equilibrio fiscal se logra recortando el gasto social y reduciendo el monto de recursos para la conservación ambiental.
La apertura a la inversión extranjera pasa por la entrega de concesiones en las industrias extractivas, forestal y turística. Esto desemboca en el despojo de tierras en las que se encuentran los yacimientos (hierro en Chhattisgarh, bauxita en Orissa, etc.) o cubiertas con densos bosques que representan una riqueza comercial de fácil acceso. Muchas de esas tierras son el hogar de pueblos originarios o adivasi (término derivado del sánscrito que significa primeros habitantes del bosque). Los adivasi son menos de 8 por ciento de la población de India, pero constituyen 40 por ciento de la población despojada de valles, cerros y cuencas de ríos. La entrega de sus tierras a megacorporaciones en las industrias extractivas y turísticas es uno de los rasgos más violentos del milagro neoliberal en India.
El economista Amit Bhaduri, profesor emérito de la Universidad Jawaharlal Nehru en Nueva Delhi, ha calificado a este proceso como crecimiento depredador. Hay que aclarar que no se trata de una metáfora. Es efectivamente un complejo proceso económico y político en el que los perdedores entregan su forma de vida a un crecimiento que privilegia a unos pocos y no puede elevar el nivel de vida de la mayoría de la población.
El paralelismo con México es extraordinario. Realmente lo único diferente son las tasas de crecimiento. Lo demás es idéntico. El mismo modelo, la misma injusticia.
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Alejandro Nadal es miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO.
La Jornada, 14 julio 2010

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