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sábado, agosto 27, 2011
estado da arte em tecnologia, conceito e características do novo aparelho (?!!!)
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sexta-feira, novembro 26, 2010
para reencantar o mundo
FELICIDADE E ALEGRIA
por Contardo Calligaris
Ser alegre (muito melhor do que ser feliz) é gostar de viver mesmo quando a vida nos castiga
QUANDO EU era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.
Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor.
Por sorte, 1) meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados; 2) graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; 3) com isso, evitei uma depressão profunda pois, uma vez que a infância e a adolescência, que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; 2) quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes.
Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.
No filme de Arnaldo Jabor, "A Suprema Felicidade", que está em cartaz atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre.
Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria?
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.
Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível, sobretudo no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?
Pois é, para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor.
Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime (descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso).
Para justificar a vida, bastam as experiências (agradáveis ou não) que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.
Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é.
É óbvio que não consegui explicar o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser mostrados: procure-os em "Amarcord" (1973), de Federico Fellini, em "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (2003), de Tim Burton ou no filme de Jabor. "A Suprema Felicidade" me comoveu por isto, por ter a sabedoria terna de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.
Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos, vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas de cinema); aparentemente, eles nos ajudam a reencantar o mundo.
Ótimo, mas, para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.
Fonte: Blog Contardo Calligaris, 18/11/2010
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quinta-feira, setembro 09, 2010
voltando para casa:
A origem, os limites e as prisões da mente
por Clarissa De Franco
O filme “A origem” agita as telas de cinema do mundo e nos convida a refletir sobre as dimensões que a consciência humana pode alcançar.
Assim como mostra o enredo da história, autores do campo da psicologia declaram há décadas que o tempo dos sonhos é diverso do real. Os sonhos se passam no compasso do inconsciente, que trabalha de modo cíclico e sincrônico, ultrapassando as barreiras de presente, passado e futuro.
Nos sonhos, as memórias reais são associadas com nossas sensações e projeções sobre a realidade, servindo unicamente ao processo de integração das experiências que nos mantêm vivos. Ser quem somos depende de entender e sentir o mundo do modo como fazemos, portanto, sonhar é reconstruir o real de forma a manter nossa identidade preservada, poupando-nos da loucura de que cada fato encobre inúmeras realidades ambivalentes.
Sonhar é escolher a sua realidade possível, aquela que mais serve ao aprendizado do momento. Por isso mesmo, A Origem torna os arquitetos figuras centrais do mundo inconsciente. É preciso que nossos arquitetos mestres internos desenhem realidades plausíveis nos sonhos, pois, caso contrário, não aprendemos a lição deles, já que as nossas defesas racionais não nos permitem flutuar para além de um mundo seguro.
Cobb, o personagem central da trama interpretado por Leonardo Di Caprio, banca seus riscos e vai ao limbo da mente, um estágio no qual o vínculo com a realidade é quase nulo. O limbo é onde nos esquecemos de quem somos e não podemos mais voltar para casa enquanto o encontro com nossa alma não ocorrer novamente. Nesse lugar perigoso da mente humana, os mestres-ladrões de sonhos perdem seus amuletos e não se lembram mais que estão sonhando. O limbo é o limiar entre a realidade e a loucura, um mundo quase sem volta.
Não é por acaso que o estágio-limite entre as dimensões de consciência no filme é cercado por água. As águas são o símbolo máximo da fluidez inesgotável do inconsciente, onde as emoções não oferecem lugar para a razão. A kombi vai ao encontro da água do rio no primeiro estágio de sonho. Eis o sinal derradeiro, não há tempo depois disso para o retorno. Mergulhar nas águas significa enxergar além dos muros da consciência e entregar-se ao abismo da loucura.
A fim de voltar para casa, assumir seu lugar de pai, retornar de seu mundo doente, distorcido e empobrecido pela necessidade de aprisionar memórias que um dia foram boas, mas que não servem mais ao momento presente, Cobb aceita inverter seu papel: no lugar de ladrão de idéias e memórias, ele se tornaria um insertor dessas ferramentas, aquele que planta uma simples ideia que pode mudar tudo, como ele mesmo repete por vezes durante o correr das cenas.
É fácil perceber a vulnerabilidade de nossa mente. Quantas pessoas vemos declinadas aos vícios de todos os tipos, sem ver saída de tal realidade destrutiva? Ou como não reconhecer a força de uma publicidade bem feita que nos faz ter desejos que antes não tínhamos? Sim, nossa mente é corruptível, manipulável, dominável. E uma simples ideia pode realmente inverter nossa percepção e alterar completamente a realidade.
Outro elemento bastante significativo no filme é que os sonhadores que se lançam juntos em um sonho são co-responsáveis uns pelos outros. É como a lei do karma, na qual as ações e reações de cada indivíduo afetam seus semelhantes que vêm viver juntos um enredo. O mundo inconsciente tem leis próprias e, ao que tudo indica, uma delas parece ser uma lei física: “a toda ação corresponde uma reação igual e contrária”, em termos de freqüência e intensidade.
Como vemos, mergulhar no inconsciente não é para qualquer um. Pelo menos, não para os acomodados ou covardes de alma. A metáfora do filme carrega um ensinamento: é preciso coragem e treino para lidar com a linguagem sutil do inconsciente, manifesta nos sonhos. Por isso, para compreender um sonho não é preciso consultar livretos de símbolos (embora muitas vezes eles ajudem nas percepções). Muito mais importante que esses manuais são as reflexões sobre os sentimentos, as paisagens, os personagens e outros tantos elementos dos sonhos que trazem um significado pessoal e íntimo a cada sonhador.
Buscar a origem é ir ao encontro de si mesmo em meio às marés instáveis da alma. É ter a coragem de ir além para voltar para casa reconhecendo sua própria força e luz. Quando sonhamos vamos além e quando acordamos temos a chance diária de voltar para nossa origem e aprender um pouco mais sobre quem somos.
Fonte: www.personare.com.br , 14/08/2010
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terça-feira, agosto 03, 2010
hora de decidir
A escolha de um futuro
.
O que acontece com você sempre é o resultado das suas escolhas, ainda que inconsciente e mais, quando as consequências se tornam fruto de uma decisão consciente que muda o curso das coisas em que esteja envolvido, por mais indesejável que seja, irá se perguntar depois sobre o que teria ocorrido depois sem ela, e decerto observará se ela teria sido mesmo importante naquelas circunstâncias, e porque se tornou uma extraordinária experiência na sua vida e parte das responsabilidades que teve de assumir.
O que acontece com você sempre é o resultado das suas escolhas, ainda que inconsciente e mais, quando as consequências se tornam fruto de uma decisão consciente que muda o curso das coisas em que esteja envolvido, por mais indesejável que seja, irá se perguntar depois sobre o que teria ocorrido depois sem ela, e decerto observará se ela teria sido mesmo importante naquelas circunstâncias, e porque se tornou uma extraordinária experiência na sua vida e parte das responsabilidades que teve de assumir.
Então você dará boas risadas, caso tenha feito a melhor escolha, a que te colocou em paz consigo mesmo, dignidade na tua existência do ponto de vista prático, através do teu trabalho, sobretudo por ser justo aquela que lhe trouxe melhores benefícios (espirituais, emocionais, materiais) ao invés de te parar numa continuidade de incômodos, somatizações, patologias e erros recorrentes. O aprendizado com nossas escolhas é que nos aproxima da real dimensão da vida humana; que tem sede, tem fome, apaixona-se e tem esperança de se tornar melhor, criando instrumentos de poder, de formas de luta na busca das liberdades de expressão, das artes e da incansável satisfação de suas necessidades.
Depois de certas escolhas tudo se revela como uma guinada para o rumo de casa, um ato investido de poesia e prazer, uma conquista que se torna aprendizado e parte do seu modo de ser, uma prova de existência renovada. Qualquer de suas escolhas (inconsciente ou consciente, ética, ideológica) define o seu modo e curso de vida, e serão seus pesadelos ou seus sonhos. Não é o trabalho que fazes, mas antes os sonhos e a ação realizada por você que definem a sua identidade e a vida que tens. A sua vida é em qualidade a sua identidade respeitando a sua natureza.
Aquela outra opção, descartada, que lhe pareceu um rumo impossível, não desejado, logo poderá ser revista, avaliada com autocrítica, como uma coisa tão simples (agora) lhe parecia tão complicada? Uma barbárie. Porém, significava uma via de sentido único e de qualidades desconhecidas, que você seguiria do seu jeito, aprendendo do mesmo jeito, caso houvesse decidido por ela. Quem sabe até desfrutando de imprevistos enriquecedores, algum sufoco sem medida, uns vícios de passagem pelo descontrole, pelo caos, que te sacudiria para uma superação. Enfim, talvez uma eventual mudança de vôo curto te levasse a algum lugar. Ainda assim, seria igualmente vivida como uma variante das múltiplas escolhas que temos, mais uma, outra dura realidade tanto quanto previsível.
Ninguém vive realmente sem fazer escolhas, senão só viverá por conta da sorte ou por conta do humor alheio. Afinal, quem não toma suas próprias decisões, algo ou alguém as tomará nas mãos, por algum tempo, até que num futuro mais à frente você se defina por si mesmo. As escolhas são formadoras dos caminhos que estruturam toda nossa finita vida.
O lance sobre o futuro, é que ele muda toda vez que você olha para ele. Só porque você olhou para ele.
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