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sábado, novembro 27, 2010

o governo tem de estar atento

"BRASIL PRECISA SE PROTEGER E CUIDAR DAS CONTAS EXTERNAS"
Foto: Sidney Murrieta

A economista Maria da Conceição Tavares defendeu nesta sexta-feira, durante a Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo IPEA, em Brasília, que o Brasil deve proteger sua economia, reverter o processo de sobrevalorização do real e adotar mecanismos de controle de capital para evitar um ataque especulativo. Em sua fala, ela deixou algumas sugestões para o futuro governo Dilma: "Eu diria que a primeira preocupação agora é, sem dúvida nenhuma, com o setor externo. Se ele continuar assim vai haver degradação da indústria, déficit crescente da balança de pagamentos e uma fragilidade externa que na crise de 2008 nós não tivemos".
por Katarina Peixoto
O sexto painel da Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em Brasília, apresentou um tema abrangente e desafiador: Macroeconomia e Desenvolvimento. Um tema à altura da homenagem feita pelo IPEA aos 80 anos da professora Maria da Conceição Tavares, formadora de mais de uma geração de economistas brasileiros. Bem humorada, ela brincou com a relação entre a homenagem e o tema escolhido para a conferência: 
“Esta homenagem está gloriosa, porque o clima é Woodstock, não é? Vamos ver se sou capaz de tocar guitarra elétrica. O tema proposto para mim, só tocando guitarra elétrica. Macroeconomia e Desenvolvimento não são temas pensados conjuntamente, geralmente”.
O propósito da política macroeconômica, lembrou, é evitar os desequilíbrios. E agora mais do que nunca em função da crise econômica mundial. Maria da Conceição Tavares fez um rápido resumo do quadro atual. 
“Neste ano que passou foram os países ditos emergentes que cresceram. O primeiro mundo não cresceu nada. A crise de 2008, agora em 2010, veio repicada com a crise na Europa. A política macroeconômica na Europa deve estar fazendo Keynes se remover na tumba. Um desemprego cavalar e eles vêm com ajuste fiscal. Além de tudo há uma pletora de dólares. O Banco Central europeu está sustentando os países mais pobres da UE, mas o problema não é de liquidez, mas de insolvência”. 
Frente a essa situação, alertou, o Brasil precisa ficar atento:
“Nossa taxa de juros é historicamente cavalar. Não é uma maluquice do presidente do Banco Central. Desde a década de 70 que a taxa de juros primária é muito alta. E as taxas ativas dos bancos também são muito altas. Então estamos numa situação braba: que tipo de investimentos essa taxa de juros elevada atrai? O investimento direto não tem nenhum problema, desde que sejam estertores importantes do desenvolvimento. Mas nossas taxas de juros fazem com que sejamos atrativos para o capital especulativo. Resultado: estamos com uma grande sobrevalorização do real”. 
Diante deste quadro, acrescentou, a economia brasileira precisa se proteger, não apenas dos Estados Unidos, mas também da China. Neste ponto, ela fez algumas advertências importantes ao governo Lula e, principalmente, ao futuro governo Dilma:
“Temos aumentado desvairadamente as importações. Está um festival de importação. Nós estamos diminuindo o conteúdo de valor agregado de nossa indústria, até com coeficiente em importação em aço, no qual temos competitividade internacional, temos 15% da importação em aço. Há sobra de aço na Europa, que está fazendo dumping para cima da gente e nós deixamos. Eu diria que a primeira preocupação agora é, sem dúvida nenhuma, com o setor externo. Se ele continuar assim vai haver degradação da indústria, déficit crescente da balança de pagamentos e uma fragilidade externa que na crise de 2008 nós não tivemos. Foi a primeira vez que o Brasil passou por uma crise sem se arrebentar. Ao contrário, somos credores líquidos internacionais. Passar dessa situação, outra vez, para devedor líquido é péssimo. Só não passamos a tanto porque o governo é credor líquido. Mas as grandes empresas, o capital privado já está devendo. O que significa que qualquer repique da crise internacional pode nos trazer problemas”.
O governo tem de estar atento, enfatizou a economista, para não agravar o déficit fiscal. “A inflação é de custos, não de demanda. Então, não é o caso elevar taxa de juros, para não agravar o déficit fiscal, aumentando o serviço da dívida. Isso tira a possibilidade de desenvolvimento. Como se faz desenvolvimento com uma taxa de juros dessas?” - indagou. 
A economista garantiu que não discutiu pessoalmente esses temas com ninguém do governo. E reafirmou a defesa da adoção do controle de capitais para proteger o país de um ataque especulativo.
“Já disse publicamente e repito, penso que numa situação como essa tem de ter controle de capitais. Todos os controles quantitativos. Aumenta o compulsório. Controla a taxa de crédito. Mas não com essa taxa de juros. Mesmo que o FMI tenha dito que controle de capitais pode ser recomendado, na atual conjuntura, o “mercado” e “os do mercado” aqui no Brasil não suportam ouvir isso. Mas temos no Banco Central gente discreta, não vedetes. Eu acho que a mudança do presidente do BC se prende a isso”.
O Brasil, recomendou ainda a economista, precisa fazer uma política fina e ir diminuindo lentamente a taxa de juros e a taxa de câmbio. “Devagar com o andor que o santo é de barro. Tem de andar devagar”, enfatizou. 
E criticou aqueles que defendem o corte de gastos para promover um duro ajuste fiscal.
“O eixo deste governo é a política econômica com eixo social. Esse é o nosso custeio. Cortar para investir, para agradar a imprensa? Eu acho que não há sentido nenhum. No desenvolvimento econômico, o eixo social está correto. Mas se não cuidarmos da parte cambial, não conseguiremos fazer política industrial e tecnológica e, no longo prazo, não há desenvolvimento econômico regredindo nessas coisas”.
Maria da Conceição Tavares manifestou confiança na capacidade da presidente eleita Dilma Rousseff enfrentar esses problemas:
“Graças a deus a nossa presidente é uma mulher de coragem, de discernimento e economista competente. Este primeiro ano dela é complicado, em todos os sentidos. Enfim, que deus a proteja. Não adianta pedir que deus proteja individualmente nestas questões. Nestas questões é melhor proteger o coletivo”.
“Tenho muita fé na presidente, mas uma coisa é saber, outra é operar – não sei se a proporção de forças dos industriais pesam tanto quanto a dos banqueiros. Para sair dessa encrenca, agora mais do que nunca, não dá para deixar para o mercado ou a divina providência. A solução é humana e de todo o governo. Até o fim dessa década vamos erradicar a miséria, para que isso ocorra não podemos fazer coisas que abortem essas intenções.”
O Brasil tem um caminho duro pela frente, concluiu, e “deve agir com a autonomia de um país independente e soberano”. “Precisamos fazer uma defesa soberana da política industrial, cambial e de balanço de pagamentos. Não quero que me impinjam política macroeconômica que me atrapalhe o desenvolvimento. E que não se espere que o G7, G20, o G 400 resolvam alguma coisa, porque a ordem mundial está uma bagunça e o mundo hoje é multipolar. Acho melhor cumprir o nosso papel”.
Fonte: Carta Maior, 26/11/2010

terça-feira, novembro 16, 2010

volta à política de classe

A História da Austeridade
A recente reunião do G-20 em Seul foi um fracasso e mostrou que a ordem econômico-financeira criada no final da Segunda Guerra Mundial está colapsando, indicando no horizonte a eclosão de graves conflitos comerciais e monetários. Por toda parte, os cidadãos vão são sendo bombardeados pelas mesmas ideias de crise, de tempo de austeridade, de sacrifícios compartilhados. O que não é dito é que a crise foi provocada por um sistema financeiro desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados (e, portanto, os cidadãos) a salvá-lo da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhes pedir contas.
por Boaventura de Sousa Santos
A recente reunião do G-20 em Seul foi um fracasso total. Chegou a ser constrangedora a perda de credibilidade dos EUA, como suposta economia mais poderosa do mundo, e o modo como tentaram acusar a China de comportamentos monetários afinal tão protecionistas quanto os dos EUA. A reunião mostrou que a “ordem” econômico-financeira, criada no final da Segunda Guerra Mundial e já fortemente abalada depois da década de 1970, está a colapsar, sendo de prever a emergência de conflitos comerciais e monetários graves. Mas curiosamente estas divergências não têm eco na opinião pública mundial e, pelo contrário, um pouco por toda a parte os cidadãos vão sendo bombardeados pelas mesmas ideias de crise, de tempo de austeridade, de sacrifícios repartidos. Há que analisar o que se esconde por detrás deste unanimismo. 
Quem tomar por realidade o que lhe é servido como tal pelos discursos das agências financeiras internacionais e da grande maioria dos Governos nacionais nas diferentes regiões do mundo tenderá a ter sobre a crise econômica e financeira e sobre o modo como ela se repercute na sua vida as seguintes ideias: todos somos culpados da crise porque todos, cidadãos, empresas e Estado, vivemos acima das nossas posses e endividamo-nos em excesso; as dívidas têm de ser pagas e o Estado deve dar o exemplo; como subir os impostos agravaria a crise, a única solução será cortar as despesas do Estado reduzindo os serviços públicos, despedindo funcionários, reduzindo os seus salários e eliminando prestações sociais; estamos num período de austeridade que chega a todos e para a enfrentar temos que aguentar o sabor amargo de uma festa em que nos arruinamos e agora acabou; as diferenças ideológicas já não contam, o que conta é o imperativo de salvação nacional, e os políticos e as políticas têm de se juntar num largo consenso, bem no centro do espectro político.
Esta “realidade” é tão evidente que constitui um novo senso comum. E, no entanto, ela só é real na medida em que encobre bem outra realidade de que o cidadão comum tem, quando muito, uma ideia difusa e que reprime para não ser chamado ignorante, pouco patriótico ou mesmo louco. Essa outra realidade diz-nos o seguinte. A crise foi provocada por um sistema financeiro empolado, desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados (e, portanto, os cidadãos) a salvá-lo da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhes pedir contas. Com isto, os Estados, já endividados, endividaram-se mais, tiveram de recorrer ao sistema financeiro que tinham acabado de resgatar e este, porque as regras de jogo não foram entretanto alteradas, decidiu que só emprestaria dinheiro nas condições que lhe garantissem lucros fabulosos até à próxima explosão. A preocupação com as dívidas é importante, mas, se todos devem (famílias, empresas e Estado) e ninguém pode gastar, quem vai produzir, criar emprego e devolver a esperança às famílias? 
Neste cenário, o futuro inevitável é a recessão, o aumento do desemprego e a miséria de quase todos. A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado investir, criar emprego, tributar os super-ricos, regular o sistema financeiro. E quem fala de Estado, fala de conjuntos de Estados, como a União Europeia e o Mercosul. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado.
Porque é que esta solução não parece hoje possível? Por uma decisão política dos que controlam o sistema financeiro e, indiretamente, os Estados. Consiste em enfraquecer ainda mais o Estado, liquidar o Estado de bem-estar onde ele ainda existe, debilitar o movimento operário ao ponto de os trabalhadores terem de aceitar trabalho nas condições e com a remuneração unilateralmente impostas pelos patrões. Como o Estado tende a ser um empregador menos autônomo e como as prestações sociais (saúde, educação, pensões, previdência social) são feitas através de serviços públicos, o ataque deve ser centrado na função pública e nos que mais dependem dos serviços públicos. Para os que neste momento controlam o sistema financeiro é prioritário que os trabalhadores deixem de exigir uma parcela decente do rendimento nacional, e para isso é necessário eliminar todos os direitos que conquistaram depois da Segunda Guerra Mundial. O objetivo é voltar à política de classe pura e dura, ou seja, ao século XIX.
A política de classe conduz inevitavelmente à confrontação social e à violência. Como mostram bem a recentes eleições nos EUA, a crise econômica, em vez de impelir as divergências ideológicas a dissolverem-se no centro político, agrava-as e empurra-as para os extremos. Os políticos centristas (em que se incluem os políticos que se inspiraram na social democracia europeia) seriam prudentes se pensassem que na vigência do modelo que agora domina não há lugar para eles. Ao abraçarem o modelo estão a cometer suicídio. Temos de nos preparar para uma profunda reconstituição das forças políticas, para a reinvenção da mobilização social da resistência e da proposição de alternativas e, em última instância, para a reforma política e para a refundação democrática do Estado.
(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte: Carta Maior, 15/11/2010

domingo, novembro 14, 2010

distribuição de renda e força geopolítica

Mudança nos termos de intercâmbio, desocidentalização e sustentabilidade ambiental

por José Eustáquio Diniz Alves*

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Estamos assistindo atualmente a uma guerra cambial entre os diversos países do mundo, mas com os Estados Unidos e a China no centro da disputa. Esta guerra cambial reflete mudanças mais amplas que estão ocorrendo no mundo.
Enquanto o século XIX foi considerado um século inglês, o século XX foi considerado um século americano. Os Estados Unidos (EUA) aproveitaram os seus enormes recursos naturais, baixa densidade demográfica e grande vantagem comparativa na produção industrial e se tornaram uma potência mundial. A posição privilegiada dos EUA criou uma situação internacional em que os preços dos produtos industriais sempre se valorizavam em relação ao preço das matérias-primas (ou commodities, como se costuma dizer atualmente). Sem considerar outras injunções, a riqueza do país foi, em grande parte, o resultado do aproveitamento desta situação favorável.
Analisando o quadro econômico do século passado, Raul Prebisch e a escola cepalina consideravam que os países “periféricos”, ou do Terceiro Mundo, sofriam com a evolução desfavorável dos termos internacionais de troca, pois a baixa elasticidade renda da demanda de produtos primários por parte dos países desenvolvidos deprimia o preço das commodities, enquanto o aumento da produtividade do setor exportador transferia para o exterior o fruto do progresso técnico das economias periféricas.
Arghiri Emmanuel, de uma perspectiva teórica um pouco diferente, considerava que a deterioração do preço das mercadorias transacionadas entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos era decorrente do baixo valor da força de trabalho periférica. Assim, os diferenciais de remuneração da mão-de-obra possibilitavam apropriações diferenciadas do lucro nos dois polos do sistema internacional. A baixa taxa de crescimento populacional nos países desenvolvidos e o alto crescimento populacional nos países periféricos reforçava a apreciação do valor da força de trabalho, nos primeiros, e uma depreciação, nos segundos.
O fato é que durante o século XX os países centrais apresentaram maior crescimento econômico do que os países periféricos, elevando as desigualdades internacionais da renda per capita. Desta forma, mesmo apresentado menor crescimento demográfico, os países desenvolvidos apresentaram grande crescimento do consumo de produtos de todos os tipos. Já os países subdesenvolvidos apresentavam alto crescimento demográfico e baixo crescimento do consumo. Portanto, o impacto ambiental foi maior nos países desenvolvidos, pois a pegada ecológica dos países mais ricos é cerca de 6 vezes superior à dos países mais pobres. Ou seja, o impacto ambiental do consumo dos ricos foi superior ao crescimento populacional dos pobres.
Contudo, este padrão começou a mudar a partir do ano 2000. Dados do FMI mostram que os países subdesenvolvidos e emergentes (cerca de 83% da população mundial) representavam apenas 38% do PIB mundial (em poder de paridade de compra – ppp), em 2000. Já em 2010, os países subdesenvolvidos representam 47% do PIB e devem ultrapassar 50% a partir de 2013. Isto é, no século XXI, os países do Terceiro Mundo estão apresentando maiores taxas de crescimento econômico. Nos dois últimos anos, os países industrializados passaram por severos surtos de instabilidade financeira. Assim com a Grécia, outros países avançados enfrentam problemas graves de dívida soberana e alto desemprego. Mas as economias emergentes, no passado consideradas como mais vulneráveis, provaram-se notavelmente resistentes.
A China é a grande responsável pela mudança e pelo alto desempenho. Em primeiro lugar, o país apresenta baixo crescimento demográfico (o país possui uma política draconiana de controle populacional) e alto crescimento econômico. Embora ainda não possa ser considerada uma nação desenvolvida, a China avança rapidamente no aumento do seu padrão de consumo e já é o país com maior impacto total sobre o meio ambiente e o maior emissor de gases do efeito estufa.
Mas o impacto maior tem sido a mudança nos termos internacionais de intercâmbio, pois a China tem conseguido ampliar a produção de bens industriais a preços declinantes, garantido uma demanda crescente de commodities a preços ascendentes. Ou seja, possuindo uma força de trabalho numerosa e barata, a China consegue incorporar, além de inovações tecnológicas, capital humano e físico para produzir bens e serviços de baixo custo.
Nos últimos 20 anos, a China tem conseguido desinflar o preço dos produtos industriais, permitindo que as companhias possam rebaixar custos e preços, garantindo uma oferta quase ilimitada à crescente demanda de consumo da classe média mundial. O envelhecimento populacional e as recentes greves acontecidas em fábricas do sul da China podem colocar em xeque este esquema de mão-de-obra abundante e barata.
Concomitantemente à alta demanda chinesa por matérias-primas, que fez aumentar o preço das commodities no plano internacional, o alto superávit comercial com os países desenvolvidos possibilitou que a China acumulasse altas reservas cambiais que estão sendo investidas nos países do Terceiro Mundo, para garantir o suprimento de insumos industriais. Isto ficou claro em 2009 e 2010, quando os EUA e a Europa entraram em crise econômica, mas os países em desenvolvidos tiveram bom desempenho e sofreram pouco os efeitos e recessão acontecida nos países desenvolvidos.
A China colocou mais de US$ 50 bilhões na América Latina nos últimos 18 meses. Companhias estatais e bancos chineses estão investindo pesado na região, especialmente por meio de créditos garantidos com entrega de petróleo. Os objetivos são garantir matérias-primas, vender produtos e diversificar suas reservas internacionais. A Venezuela lidera com US$ 28 bilhões em créditos chineses. Depois vêm Brasil e Argentina, com US$ 10 bilhões cada. Muitos bancos e empresas chinesas são estatais ou contam com apoio do governo. Por isso, não se guiam só por lucro, mas também por decisões políticas, o chamado “capitalismo de Estado”. De certa forma, estas mudanças refletem a perda de influência do “Consenso de Washington” e mostram a crescente presença do chamado “Consenso de Beijing”.
Desta maneira, a China – que deve ser o país economicamente hegemônico do século XXI – está liderando uma grande transformação internacional que, do ponto de vista econômico, tende a favorecer os países em desenvolvimento. Isto quer dizer que são os países de maior crescimento demográfico que vão apresentar as maiores taxas de crescimento econômico. Portanto, enquanto o grupo desenvolvido – que mais poluiu no passado – tende a reduzir sua pegada ecológica no século XXI, os países subdesenvolvidos tendem a aumentar muito seus impactos ambientais.
A Índia, por exemplo, desde 2005, deve ter um aumento de 500 milhões de habitantes, chegando a 1,6 bilhão em 2050 (cerca de 1% ao ano). Mas em termos econômicos tem apresentado taxas de crescimento acima de 7% ao ano. Isto quer dizer que o crescimento do consumo indiano será enorme nas próximas décadas, como aponta a produção do carro Nano, da Tata Motors, que deverá custar módicos US$ 2,5 mil e deverá estar presente em todas as ruas da Índia e do mundo.
Segundo o relatório “Perspectivas sobre o Desenvolvimento Mundial 2010 – Deslocamento da Riqueza” (divulgado em 16/06/2010), da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, os 30 países da OCDE representavam 62% do PIB mundial, no ano 2000. Porém, os países subdesenvolvidos, ou emergentes (não pertencentes à OCDE) vêm apresentando um crescimento mais acelerado no século XXI e passaram de 38% do PIB, em 2000, para 49%, em 2010, e devem atingir 57% do PIB mundial, em 2030.
Ou seja, o centro de gravidade econômica do planeta tem caminhado em direção ao leste e ao sul do globo – isto é, dos países ricos que integram a OCDE para os países emergentes – fenômeno que o referido relatório chama de “deslocamento da riqueza”. Isto representa um processo de desocidentalização da economia internacional. Este processo de desocidentalização do mundo não significa que o Ocidente vá declinar em termos absolutos, mas significa uma perda relativa. Já os países não-ocidentais irão crescer em termos absolutos e relativos. A novidade é que, a partir de 2011, a participação da economia dos países ocidentais deixará de ser superior a 50% do PIB mundial (em valores ppp). A valores de mercado, as economias emergentes devem superar as economias avançadas antes do fim desta segunda década do século XXI.
Evidentemente, a perda de posição dos países “avançados” e o aumento absoluto e relativo dos países “emergentes” é uma boa noticia do ponto de vista da distribuição de renda e da força geopolítica dos países que não pertencem ao “Ocidente do Norte” (OCDE). A própria mudança da “governança global” do G-8 para o G-20 já reflete um certo peso das principais economias “emergentes”, como China, Índia, Indonésia, Brasil, África do Sul, etc. Mas ainda falta se atingir uma maior representatividade das economias emergentes no FMI, Banco Mundial e instâncias de deliberação da ONU, como o Conselho de Segurança.
Porém, o crescimento econômico dos países mais populosos – que estão mimetizando o padrão de consumo dos países ocidentais – vai provocar um enorme stress sobre o meio ambiente. O grande desafio das próximas décadas será: a) garantir a capacidade de regeneração da Terra; b) mitigar o aquecimento global; e, c) garantir a sobrevivência da biodiversidade do Planeta. Assim, mais do que nunca é preciso discutir a alternativa do modelo do “decrescimento sustentável”, especialmente a redução das atividades mais poluidoras, com mudança no padrão de consumo e o avanço da sociedade do conhecimento e da produção de bens imateriais e intangíveis.
Referências:
ALVES, J.E.D. O Consenso de Beijing e a mudança de hegemonia. Aparte, IE/UFRJ, 05/02/2010
(*)José Eustáquio Diniz Alves, colunista do Ecodebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE. As opiniões deste artigo são do autor e não refletem necessariamente aquelas da instituição. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Fonte: EcoDebate, 21/10/2010

sexta-feira, novembro 12, 2010

o padrão ouro foi abandonado

Velharia reluzente

por Celso Ming
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, em artigo no jornal Financial Times, no dia 8, fez uma proposta surpreendente e incompreensível. Ele pediu a volta do padrão ouro ao sistema monetário internacional.
Quando, em 2002, era a autoridade da Casa Branca para Assuntos Comerciais (portanto, com status de ministro), Zoellick foi chamado por Lula de "sub do sub do sub". Hoje é presidente de uma das instituições criadas em 1946 pelo Acordo de Bretton Woods para supervisionar o Sistema Monetário Internacional.
O padrão ouro desmilinguiu-se em 1971 quando os Estados Unidos não conseguiram mais garantir a conversibilidade do dólar em ouro, na proporção de US$ 35 por onça-troy (31,1 gramas). Ao longo dos anos 50, o governo americano teve enormes despesas com a Guerra Fria e, nos anos 60, deixou-se atolar na Guerra do Vietnã. Por isso, recorreu ao velho truque de pagar boa parte de suas contas com emissão de moeda.
As emissões foram tão descaradas que, instigado pelo economista Jacques Rueff, o então presidente da França, Charles de Gaulle, não parou de apresentar dólares aos guichês do Tesouro americano para que fossem trocados por ouro. Como não havia em Fort Knox metal suficiente para dar conta da enormidade de dólares em circulação, o presidente Richard Nixon não teve outra saída senão suspender a conversibilidade do dólar em ouro.
A proposta de Zoellick certamente não pressupõe o atrelamento das moedas mais importantes ao ouro, porque não há ouro em volume suficiente para dar conta disso. O maior economista do século 20, John Maynard Keynes, já tinha feito as contas e chegara à conclusão que todo o ouro do mundo nos anos 40 cabia num navio. Ele imaginava que essa embarcação carregada com todo esse ouro pudesse ser afundada em alguma fossa abissal dos oceanos para que "a relíquia bárbara", que, a rigor, tem pouca utilidade prática além de produzir enfeites para nossas mulheres e servir para próteses dentárias, nunca mais fosse trazida de volta.
A principal preocupação de Zoellick parece ser a enorme volatilidade dos mercados cambiais e a imprevisibilidade para a execução dos contratos que isso produz.
Mas fica difícil entender como evitar volatilidades com eventual retorno do padrão ouro. A partir do momento em que isso acontecesse, os preços, hoje acima de US$ 1,4 mil por onça-troy, saltariam para o que Deus quisesse, com grandes lucros para os principais países mineradores, como China, Austrália, Estados Unidos e África do Sul. A produção global não passa de 2,5 mil toneladas por ano. A oferta brasileira não chega a cerca de 60 toneladas.
Enfim, uma coisa foi a conversibilidade em ouro enquanto a economia mundial era relativamente pequena, como acontecia no início do século 20. E outra, bem diferente, quando tem de atender às necessidades de um PIB global de US$ 61,9 trilhões e negócios financeiros diários de outras dezenas de trilhões de dólares.
Se o padrão ouro foi abandonado não foi apenas porque fora mal manejado. Foi, principalmente, porque não conseguia mais exercer as funções monetárias de uma economia que cresce todos os dias.
Se voltasse a ser adotado, provavelmente provocaria instabilidade muito maior do que a de agora. Se não por outra coisa, isso aconteceria porque, até mesmo antes de sua volta, as pessoas perguntariam quanto tempo uma velharia dessas conseguiria se manter em pé.
Por trás da inflação 
A cada mês se pode eleger um bode expiatório para a esticada da inflação. Mas é preciso ir mais fundo. Esse aumento do IPCA de outubro tem a ver com o avanço da despesa pública, que gera renda, estimula o consumo e puxa os preços.
Vai ter de segurar 
O principal efeito dessa inflação mais alta vai ser frustrar o governo que pretendia derrubar os juros e, assim, tirar o atrativo dos especuladores no câmbio. O Banco Central não vai conseguir baixar a Selic imediatamente.
Fonte: Estadão, 10/11/2010

quarta-feira, novembro 10, 2010

castigam a si mesmos

A vitória dos “moralizadores” e a depressão nos EUA
Eleições legislativas dos EUA. Quantos de vocês querem pagar a hipoteca do vizinho que construiu um banheiro extra e não pode pagar suas faturas? Falta coragem a Obama para pôr em questão as falsas ideias populares, ou é simplesmente preguiça intelectual? Cada vez mais votantes, tanto aqui como na Europa, estão convencidos de que aquilo de que necessitamos não é mais estímulo, mas castigo. A ironia é que, em sua determinação de castigar os eleitores que não merecem, castigam a si mesmos: rechaçando o estímulo fiscal e o alívio da dívida, perpetuam o desemprego elevado. A análise é de Paul Krugman(*)
É a célebre pergunta que Rick Santelli fez em 2009, pela CNBC, numa discussão que para muitos foi o ponto de partida do movimento Tea Party. É um sentimento que tem eco não só nos EUA, mas em grande parte do mundo. O tom difere de um lugar a outro – ao escutar um funcionário alemão denunciando o déficit, minha mulher sussurrou: “na saída distribuirão chicote a todo mundo, para nos flagelar-nos”.
Mas a mensagem é a mesma: a dívida é má, os devedores devem pagar pelos seus pecados e daqui por diante viveremos todos de acordo com os nossos meios.
E esse tipo de atitude moralizadora explica por que estamos atolados numa depressão econômica aparentemente sem fim. Os anos anteriores à crise de 2008 foram marcados por um endividamento insustentável, que foi muito além dos créditos de alto risco que se segue vendo, erroneamente, como a origem do problema.
A especulação imobiliária foi alocada na Flórida e em Nevada, mas também na Espanha, na Irlanda e na Letônia. E tudo estava sendo pago com dinheiro emprestado. Este endividamento tornou o mundo mais vulnerável. Quando os dirigentes do golpe decidiram que tinham emprestado em demasia e que os níveis de dívida eram excessivos, os devedores se viram obrigados a cortar o gasto. Isso jogou o mundo na recessão mais profunda desde 1930. E a recuperação, até o momento, tem sido débil e incerta.
O essencial que devemos ter presente é que, para o mundo em seu conjunto, gasto é igual a receita. Se um grupo de pessoas – os que têm dívidas excessivas – se vê obrigado a deixar de gastar para pagar suas dívidas, de duas, uma: outro tem de gastar mais ou a receita do mundo desmorona.
No entanto, as partes do setor privado que não se encontram sob o peso de níveis elevados de dívida não vêem motivos para aumentar o gasto.
Os que não se endividaram em excesso podem conseguir créditos a taxas baixas – mas esse incentivo a gastar é mais que superado pelas preocupações relativas a um mercado de trabalho frouxo. Ninguém no setor privado está disposto a preencher o vazio criado pelo excesso de dívida.
O que se deve fazer, então? Em primeiro lugar, os governos deveriam gastar enquanto o setor privado não o faça, para que os devedores possam pagar suas dívidas sem perpetuarem uma depressão global. Em segundo, os governos deveriam estar promovendo um alívio da dívida.
Mas os moralizadores não permitem nada disso. Denunciam o gasto com déficit, declarando que não se pode resolver os problemas de dívida com mais dívida. Denunciam o alívio da dívida, dizendo que é uma recompensa para quem não merece.
E se alguém lhes diz que seus argumentos não se sustentam, enfurecem-se. Tente explicar-lhes que se os devedores gastam menos, a economia fica deprimida, a menos que outro gaste mais, e vão dizer-lhe que você é socialista. No ano passado, quase todos se esquivaram de John Boehner, presidente da minoria de deputados, quando ele declarou: “É hora do governo ajustar o cinturão”; frente ao gasto privado deprimido, o Estado deve gastar mais, não menos. Mas desde então o presidente Obama utilizou em reiteradas oportunidades a mesma metáfora, prometendo equiparar o ajuste do setor privado com o do setor público.
Falta-lhe coragem para pôr em questão as falsas ideias populares, ou é simplesmente preguiça intelectual? Seja como for, se o presidente não defende a lógica de suas políticas, quem o fará?
Enquanto isso, o programa de modificação do regime hipotecário da administração – o programa que inspirou a diatribe de Santelli – de definitivo não conseguiu praticamente nada. Uma das razões é que os funcionários estavam tão preocupados com que os acusassem de ajudarem a quem não merecia, que finalmente não ajudaram a quase ninguém. Ou seja, os moralizadores seguem ganhando. Cada vez mais votantes, tanto aqui como na Europa, estão convencidos de que aquilo de que necessitamos não é mais estímulo, mas castigo. Os Estados devem ajustar o cinturão; os devedores devem pagar o que devem.
A ironia é que, em sua determinação de castigar os votantes que não merecem, castigam a si mesmos: rechaçando o estímulo fiscal e o alívio da dívida, perpetuam o desemprego elevado.
Na realidade, estão reduzindo seus empregos para incomodar seus vizinhos. Mas não o sabem. E como não o sabem, a depressão continuará. 
(*) Paul Krugman é Prêmio Nobel de Economia
Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, novembro 09, 2010

desordem monetária e cambial

"Quando a realidade muda, minhas convicções também mudam." John M. Keynes (1883-1946)
por Antonio Corrêa de Lacerda*
A guerra cambial é um dos principais pontos de discussão na pauta da reunião do G-20, que ocorrerá em Seul, na próxima semana. O mundo vive um quadro de desordem monetária e cambial, que se agravou depois da crise mais recente, o que tem imposto enormes desafios aos países em desenvolvimento. 
A recente decisão do FED (Federal Reserve) de injetar US$ 600 bilhões no mercado, mantendo baixas taxas de juros, deve estimular as operações carry trade, a arbitragem entre taxas de câmbio e de juros, deslocando-as para países em desenvolvimento, especialmente aqueles que praticam taxas de juros superiores à média dos países centrais.
Do outro lado, a China mantém há décadas uma política de câmbio desvalorizado como fator crucial de competitividade. Mas, a guerra cambial não é um movimento que se restringe aos dois países citados. Há muitos outros países se aproveitando do momento para se fortalecer.
Para a economia brasileira, especialmente, o novo quadro representa, ao mesmo tempo, desafios e oportunidades. A relevância do problema cambial brasileiro e seus impactos negativos sobre a estrutura produtiva e no balanço de pagamentos, está na ordem do dia. 
A discussão cambial até então restrita aos fóruns econômicos ou de demandas empresariais, muitas vezes tidas como "corporativas", ganha relevância e amplitude, inclusive no discurso e decisões do governo. O desafio é ir além do simplismo do "câmbio flutuante que flutua" e da definição das taxas de juros unicamente baseada no sistema de metas de inflação de curto prazo. 
Em relação ao déficit em conta corrente, o que impressiona é a velocidade da sua deterioração.
Na questão cambial, a mudança não requer, necessariamente, o abandono do regime flutuante - que já se mostrou o mais adequado - mas sim, o seu aperfeiçoamento, levando em conta as circunstâncias impostas pela conjuntura internacional. Seria ingênuo de nossa parte deixá-lo simplesmente oscilar ao sabor dos movimentos dos fluxos de capitais. A recente elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) tem se mostrado uma medida acertada, porém insuficiente, por si só, de fazer frente à magnitude do problema a ser enfrentado. O quadro requer mais ousadia.
Cada vez mais países estão instrumentalizando a sua política cambial como incentivo às suas exportações e de proteção à produção doméstica como antídoto para os efeitos da crise, visando principalmente a retomada da atividade, assim como preservar emprego e renda. Da mesma forma, EUA, Europa e Japão reduziram a suas taxas nominais de juros a quase zero, o que na prática significa juro real negativo, com o mesmo objetivo.
É essa a circunstância que impõe ao Brasil a necessidade de mudar para manter. Ou seja, é preciso utilizar todos os instrumentos possíveis, de políticas macroeconômicas (fiscal, monetária e cambial), assim como as políticas de competitividade (políticas industrial, comercial e tecnológica/inovacional) para fazer frente à guerra cambial instalada. 
Assim como o regime de câmbio flutuante, o nosso sistema de metas de inflação tem seus méritos, mas, tem que ser aperfeiçoado. É preciso levar mais em conta a conjuntura internacional, para evitar manter a nossa política monetária na contramão dos demais países, pois isso nos torna alvo fácil da especulação. A inflação de commodities, por exemplo, não pode implicar automaticamente em uma elevação da taxa de juros básica, até mesmo porque ela tem pouco efeito sobre esses preços.
Faz-se necessário ainda ampliar a desindexação da economia, definir um horizonte mais estendido no prazo de cumprimento da meta, além de rever o que considerar como definidor da taxa de juros. O quadro atual de juros nos faz incorrer em um custo muito elevado tanto de financiamento da dívida pública quanto de carregamento das reservas cambiais. Aí está uma oportunidade para o Brasil. Temos hoje um déficit nominal das contas públicas de cerca de 2% do PIB, muito abaixo de muitos países. Por outro lado, o custo do financiamento da dívida pública representa 5,5% ao ano. Há um evidente espaço para reduzir juros e, consequentemente, diminuir o custo de financiamento da dívida pública e o déficit nominal.
Outra oportunidade decorrente é que o juro alto agrava a valorização do real e suas consequências. Reduzir os juros ajudaria a conter a pressão pela valorização do real. Além disso, a deterioração do déficit em transações correntes do balanço de pagamentos e os estragos na estrutura produtiva e de padrão de comércio exterior brasileiro, derivados da apreciação cambial, requerem mudanças. Há uma perversa desintegração das cadeias produtivas locais, muitas vezes inviabilizadas pela impossibilidade de exportar, ou pelo crescimento expressivo que temos observado no coeficiente de importação. Estas não mais se restringem a matérias primas, componentes, ou máquinas e equipamentos, mas a todos os elos da produção.
A deterioração das balanças comercial e de serviços e rendas têm provocado o crescimento do déficit em conta corrente de balanço de pagamentos, que deve atingir US$ 50 bilhões este ano. Mais do que o montante em si, pouco significativo, relativamente às reservas cambiais, ou ao PIB, o que de fato impressiona é a velocidade da sua deterioração. 
Como bem define a frase em epígrafe, atribuída a Keynes, quando um interlocutor questionou por que havia alterado sua posição, em relação a um posicionamento passado, as circunstâncias advindas da guerra cambial internacional nos impõem o imperativo da mudança. Até mesmo porque, a relutância em fazê-lo, implicaria custos econômicos, sociais e, consequentemente, políticos, muito mais elevados em um futuro, que se mostra cada vez mais próximo. 
(*)Antonio Corrêa de Lacerda economista, doutor pelo IE/Unicamp [Valor 08-11]
Fonte: Carta Maior | Blog das Frases| 08/11/2010

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