quarta-feira, julho 13, 2022

Vou dizer porque eu acho que vivemos agora a hora mais perigosa da história da humanidade

Vou dizer porque eu acho que vivemos agora a hora mais perigosa da história da humanidade

Por Jairo José da Silva

A evolução das comunidades humanas ao longo da história tem sido até o presente um processo de auto-organização.
Vou explicar o que é isso.
Um sistema complexo, como, por exemplo, a comunidade humana como um todo, é formado por partes que interagem entre si de modo não-linear, que é quando uma parte do sistema influencia o comportamento das outras partes, mas é também influenciada por elas. Quando todas as partes do sistema, ou boa parte delas, interagem entre si desse modo, ele está submetido a uma dinâmica não-linear.
Quando essa dinâmica não é regida por leis preestabelecidas ou impostas desde o exterior, o sistema se diz auto-organizado. Em sistemas auto-organizados a dinâmica emerge da interação entre as partes. Cada parte pode seguir leis de evolução próprias, mas não há uma lei geral para todo o sistema.
Por exemplo, o mercado financeiro. Cada ator no mercado tem suas próprias regras de conduta, cada um age à sua maneira. O mercado como um todo se alinha na resultante da interação entre todos esses atores, talvez de uma maneira que nenhum deles previa. Os economistas tentam adivinhar os princípios pelos quais o mercado reage, mas se ele for realmente auto-organizado, esses princípios não existem. Qualquer lei eventualmente descoberta será extremamente suscetível às condições dadas e não terá a robustez de uma lei geral válida em qualquer situação.
Assim é a história humana. Não importa quão submetidas a regras próprias seja uma ou outra comunidade ou país, a dinâmica da evolução geral da humanidade nasce do atrito entre essas comunidades constituídas num sistema complexo auto-organizado.
Se a dinâmica do sistema for, ademais, caótica, isto é, se pequenas alterações locais puderem influenciar por interação não-linear a dinâmica geral, a evolução do sistema se torna não apenas imprevisível como altamente instável.
Talvez, se César tivesse acordado uma hora mais tarde aquele dia e estivesse menos irritado, talvez ele não tivesse decidido desafiar o Senado romano e não tivesse cruzado o Rubicão com suas tropas. Talvez então a república romana não teria sucumbido à ditadura. Alea jacta non fuisset.
Sendo a História tão imprevisível, os historiadores têm se contentado em simplesmente descrever os fatos, não buscar leis históricas gerais. Isso até Marx, que se iludiu que tinha descoberta o motor da História e que poderia, portanto, dirigir a história. Deu no que deu.
Porém, nos últimos cem anos mais ou menos, instrumentos extremamente poderosos têm surgido aptos a domesticar consciências e induzir reações coletivas mais ou menos previsíveis. A internet é um deles, o mais importante. Por outro lado, pela primeira vez na história estão surgindo pessoas, poucas, porém dedicadas, com dinheiro e poder suficiente para usar esses instrumentos segundo a sua vontade. A consequência pode ser a possibilidade, pela primeira vez, de alguém dirigir o destino da humanidade segundo o seu arbítrio. Essa força externa substituiria a auto-organização pela imposição de um destino.
Suponha, por exemplo, que um trilionário tome posse de todas as plataformas sociais e, controlando-as, convença uma parte substancial da população, com base em estudos financiados por ele mesmo, que estamos na iminência de uma crise ambiental catastrófica só evitável por ação de um governo transnacional unificado.
Não estamos aí ainda, mas ….

terça-feira, julho 12, 2022

O "método" eleitoreiro da oposição: mentir!

 

O "método" eleitoreiro da oposição: mentir!

Onde tem fumaça tem fogo. Esse é um ditado popular muito comum quando se suspeita de algo que parece óbvio ao bom juízo. No episódio da prisão preventiva do Milton Ribeiro me parece que há clara intenção e método, que fica claro ao se configurar quase que simultaneamente uma prisão arbitrária, por decisão de um juiz militante com o pedido de abertura de uma CPI da Educação. O cenário de uma interferência no executivo com o aval do ativismo judicial por uma solicitação do PT, cria de novo o palco do circo midiático que se abre para uma campanha eleitoreira medíocre e sórdida da oposição. Outro ato do totalitarismo da esquerda se estampa nas acusações de assédio por parte da ativista funcionária da Caixa, na foto junto com seus companheiros da CUT, que afastou o presidente da instituição bem próximo das eleições, um golpe bem organizado para impactar a estabilidade do executivo. Onde tem fumaça tem fogo.




"A elite do atraso" e o candidato do crime organizado

"A elite do atraso" e o candidato do crime organizado

Uma conhecida de Brasília ressalta que temos uma "elite do atraso", e que seria responsável por acordos políticos com corruptos que nos deixou no estado de coisas da economia e da realidade política brasileira em que nos encontramos. Ela, em sua mente doutrinada quer se referir ao governo atual como o fascista, o inominável, por seus viés ideológico vai enxergar o mal no que odeia por divergência e prefere ignorar, esquecer, os vários anos do petismo, quase uma década e meia, nos quais o roubo e a corrupção, o aparelhamento das instituições, a hipocrisia da propaganda de ajuda aos pobres trabalhadores nós levaram a pior crise, absurda, que legou ao país o patamar de uma profunda "pandemia moral".

No meu entendimento, tudo tem um sentido próprio, tosco, de inversão, ao compreender e dar como tal na sua visão e acusação, de ser essa tal elite que apoiou o presidente (sic), sendo a responsável e a coadjuvante de todo problema econômico, político e ético que nos abala, que rasgou o tecido social brasileiro em facções incompatíveis, trouxe à luz do dia o "ódio do bem", o totalitarismo da esquerda, pra ela da direita, sem máscaras, e abriu a guerra cultural sem camuflagem, como era; porém ela erra o verdadeiro alvo, enquanto elite desprovida de senso moral ou ético no trato da política, colocando sua indignação contra o atual governo eleito democraticamente, enquanto cega sustenta de afagos os reais vilões do país, esses que estão se reunindo com o ex-presidiário e articulam com o chefe da organização criminosa, oportunistas sem trégua e insistentes, em apoiá-lo na volta à cena do crime, para tomando o poder a qualquer custo continuar o butim das estatais e do dinheiro do Estado. Essa é a elite que se organiza juntando-se ao capo sem apoio popular, ao partido dos supremos ativistas e a gangue da oposição no Congresso, todos eles apoiam o estado de exceção conforme seus interesses, que sabemos não serem de forma nem princípios democráticos. Não valem o que o gato enterra.



segunda-feira, setembro 06, 2021

Quem lucra com a dilaceração da alma nacional

Quia bono? A quem aproveita o crime? 

Quem lucra com a dilaceração da alma nacional num confronto vil de todos os egoismos e de todas as inconsciências? As pesquisas de opinião respondem que, de todos os brasileiros, o único que não tem medo de ser feliz já ganhou quarenta por cento das intenções de voto para a Presidência.

Poderia ser uma coincidência, o efeito acidental de uma conjuntura. Mas, recuando em busca de suas raízes, vemos que esse efeito foi longamente desejado e meticulosamente preparado pela mais hábil e talentosa geração de intelectuais ativistas já nascida neste país. A geração que, derrotada pela ditadura militar, abandonou os sonhos de chegar ao poder pela luta armada e se dedicou, em silêncio, a uma revisão de sua estratégia, à luz dos ensinamentos de Antonio Gramsci. O que Gramsci lhe ensinou foi abdicar doo radicalismo ostensivo para ampliar a margem de alianças; foi renunciar à pureza dos esquemas ideológicos aparentes para ganhar eficiência na arte de aliciar e comprometer; foi recuar do combate político direto para a zona mais profunda da sabotagem psicológica. Com Gramsci ela aprendeu que uma revolução da mente deve preceder a revolução política; que é mais importante solapar as bases morais e culturais do adversário do que ganhar votos; que um colaborador inconsciente e sem compromisso, de cujas ações o partido jamais possa ser responsabilizado, vale mais que mil militantes inscritos. Com Gramsci ela aprendeu uma estratégia tão vasta em sua abrangência, tão sutil em seus meios, tão complexa de ação, que é praticamente impossível o adversário mesmo não acabar colaborando com ela de algum modo, tecendo, como profetizou Lênin, a corda com que será enforcado.

Trecho do Prefácio à segunda edição do livro de Olavo de Carvalho, "A Nova Era e A Revolução Cultural, Fritjof Capra & Antonio Gramsci", 4a edição, VIDE Editorial , julho de 2014.

segunda-feira, agosto 09, 2021

A interferência do STF/TSE nos demais poderes

 Acompanhando os fatos sobre a interferência do STF/TSE nos demais poderes, que estão chocando os brasileiros que se ocupam da realidade do país e das coisas da política, quero compartilhar algo muito importante, chegado de maneira digamos pouco surpreendente, o que vou apresentar não como uma teoria da conspiração ou como uma ficção de quinta categoria, mesmo porque antes quero evitar ser bloqueado nessa joça, que ao meu ver ainda serve para alguma coisa. Para bom entendedor, meia palavra basta, o que fiz com mais de meia. O que seria um simples compartilhamento, que poderia sair com de erros de digitação, de sintaxe que alegamos coisa do corretor automático (sic), e até pela ação de "dedos gagos", resolvi compilar refazendo partes do texto original procurando dar o recado bem desenhado. Acho que consequi. Aqui vai... um quase textão!

"BOMBA! O RESULTADO DA REUNIÃO DO DIRETOR DA INTELIGÊNCIA AMERICANA COM O PR
Daniel articula no exterior dinheiro para pagar propina para os deputados e senadores para não aprovar o voto auditável. Segundo fontes o valor será de vários milhões para cada um dos deputados e senadores que toparem o esquema.
Segundo as postagens, a fonte é certíssima, fidedigna.
O codinome "Daniel" é do Zé Dirceu, e o codinome "Imperador" é o do Molusco, o nove dedos. O Daniel está chantageando o ministro Boca de Veludo, que já antes de ser ministro do Supremo frequentava festas de orgias com menores, o Daniel tem vídeos da época, e está chantageando o Boca de Veludo, que anda fazendo lobby no Congresso contra o #VotoImpressoAuditavel. E já do ministro Cabeçade Ovo, o Daniel tem vídeos e fotos dele negociando com traficantes do PCC, foram os próprios traficantes que entregaram os vídeos para o Daniel.
CONFISSÕES DE VÁRIOS CRIMES - TUDO GRAVADO
A Inteligência Americana quem grampeou o WhatsApp de "gente da oposição";
Um deputado fujão (Jean Wyllys) foi quem forjou visita do matador (Adélio Bispo) à Câmara dos Deputados no dia do atentado ao PR;
Falam em novo atentado para matar o PR;
Até os pilantras do PSOL Kids (MBL) receberam propina; o dinheiro já foi entregue para os "meninos" que se dizem liberais.
Confirmam que "Daniel" é o mentor do golpe; e dizem que o PR só vai soltar o vídeo mais tarde "porque ele é esperto";
Confessam que o dinheiro vem da China para "comprar" deputados que estejam a favor do voto impresso.
Quem grampeou sabe de quem é a conta do WhatsApp, portanto, não há mistério. O PR tem TUDO nas mãos. Quando quiser, pode usar o artigo 142 e botar todo mundo na cadeia, começando pelos togados ativistas; pois há:
a) A confissão de propina da China;
b) O plano para matar o PR; e
c) A compra de votos contra o "voto impresso auditável";
São crimes que ferem a Constituição como crime de lesa-pátria, sujeito à severa punição.
Sem contar que confessam abertamente que dependem da fraude nas urnas para derrubar o PR. Só falta tomar as providências para debelar o golpe. Com tais confissões, não há como os semi deuses do Supremo impor eleição sem voto impresso auditável.

sábado, agosto 07, 2021

Sistema e urnas violados "pero no mucho"

 O passeio do hacker (insider job)

Pode parecer reducionista, mas a frase "dê a um homem uma arma, e ele rouba um banco, dê um banco e ele rouba o mundo", expressa uma realidade experimentada por milhões de brasileiros durante décadas, na qual ainda duram muitos corações, duros, que também pertencem à ela todos aqueles que por entrega ideológica militam o caos e carregam junto uma bolha de incautos e inocentes úteis, uma bolha que não explodiu de todo, rasgou-se e vem derretendo desde 2016 e agoniza nos meses dessa pandemia.
Aqueles que, se ainda não caíram dela por desgosto, decepção, vício ou morte, estão acordando jogados no limbo da ilusão e da hipocrisia, agarrados a sofreguidão, duvidando da má sorte, muitos teimando em querer permanecer naquele útero doente da utopia, agora uma crença desmantelada por uma sociedade assustada frente aos desafios históricos de nosso estado democrático de direito. O primeiro toque de mensageiros do pensamento livre bateu à porta da democracia, desdenhada, cobrou o atraso das mudanças, necessárias, e sem maneiras de interpretação desenhou, apresentou a real Constituição aos olhos da população, onde se lê "todo poder emana do povo", cansada, resiliente aos abusos de poder, iletrados, abandonada à sorte manipulada há anos, presa à impotência por uma organização de criminosos.
O tempo ajudou a desmantelar as cascas que encobriam os esqueletos no armário, os esquemas do mecanismo, era tanta desinformação controlada, a burla era o normal, a moral e a liberdade de expressão cerceada, o pavor de serem descobertos, e com isso levar a todos à prisão mantinha a todos na boquinha calados, e a desconfiança, a mentira imperativa era a senha aceita até pelos letrados arrogantes no seu status.
Porém, onde se buscava o inviolável abriu-se o buraco de Pandora, a engenharia bruta do sistema não suportou o inexorável, viu vazar o caldo da informação, a resistência não foi suficiente para sustentar o esquema fraturado, burlar as leis, torcer os fatos era o que restava, sofreu exposição e o ímpeto da invasão ao código soou o alarme, produzindo o inevitável. O documento solicitado à Federal descrevia todo o processo negado pelo ministro boca de veludo, e o Presidente revelou para a imprensa a gravidade dos fatos, o que noutro momento de desvelo os togados não revelaram para não serem pegos autorizando um terceirizado a apagar as pistas do possível insider job, no linguajar técnico, mandaram deletar o Log do passeio do hacker no coração da Justiça.

sexta-feira, agosto 06, 2021

Nossa bandeira nos representa

 Eu não tenho vergonha nem receio de hastear minha, nossa bandeira. Se você tem algum preconceito de quem a segura, empunha com honra gentilmente sabendo seu significado, e você rotula o cidadão, seja de bolsonarista, de direita, gado, o traduz politicamente de forma negativa, um brasileiro que leva nas mãos um símbolo da nação, e daí como se fosse um inimigo, um adversário o faz de pária, me parece uma grande limitação, um erro elementar, pense... se isso acontece é porque sua mente, seu coração, foram tomados, desfigurados, corrompidos, e há um motivo, mesmo que o desconheça.

Não há apenas, se você quer dividir em atores em direita e esquerda nessa guerra ideológica, só dois padrões de comportamento, viu doutores! O que existe também são pessoas, gente, milhões que não esquece dos fatos, da busca da verdade, de pensar no mundo como ele nos apresenta os sinais, grita por melhorias e com razão, nós mudamos e o mundo se transforma junto, e é ocupado por novas ideias, independente das antigas teorias, das utopias ditas libertadoras, progressistas, que mostram sua verdadeira face, destrutiva, na política, no discurso, que esvaziou-se na prova das ruas.

Ser conservador, amar a família, defender seu país, cuidar da sua terra e valores, ter a percepção que há culturas e costumes, diversidades, intelectual, essencial, natural, que devemos considerar na prática, a moral e a ética, sermos valorizados por nossa humanidade em todos os aspectos, antes de qualquer divergência.

Lembre-se, há mais substrato na busca da sabedoria, que enxerga a essência humana, do que na incompetência de ideologias que carrega velhos preconceitos.



A educação, a língua, a linguagem

 A educação, a língua, a linguagem

Dados do Instituto Paulo Montenegro de 2018 mostram que somente 12% da população brasileira possui proficiência no uso da linguagem, e que o contingente de analfabetos dobrou no período de 2016-2018, coisa impressionante; os 88% restantes são, a maioria deles, incapazes de organizar o raciocínio, juntar ideias, refletir e elaborar um texto contando sua história e realidade realizando atividades e tarefas dentro de padrões profissionais, técnicos, de médio e baixo requisitos. Segundo o painel onde encontramos os dados sobre o domínio da língua entre os brasileiros, 8% são analfabetos, 22% rudimentar, 34% possui domínio elementar, 24% intermediário e os de formação universitária, grupo contido nos 12% de proficiência da língua, que poderia ter o privilégio de poder refletir e interpretar a realidade e os fatos com maior domínio da linguagem, prolifera um exército de analfabetos funcionais, um descalabro, uma consequência de décadas de descaso com a educação.

Vendo e revirando os fatos voltamos à roda da verdade, do referente abandonado ao sabor da moda da linguagem. Voltamos a falar de pensamentos e ideias que retratam a realidade atual porque cada palavra tem uma definição e ação intrínseca podendo ser manipulada em sua origem segundo o interesse de quem as controla,  seja censurando ou limitando seus significados para impedir conhecer e entender, ignorar, o referente. A quem interessa o permanente estado de conflito, desorientação, dicotomias, maniqueísmo, esvaziamento e negação do real? 

Dar nome às coisas é o que mais se teme hoje, pelo menos na hora de se conhecer os atores, os fatos, e os feitos nas últimas décadas. Identificar através de uma simples análise o que se vê, sente e se conhece tornou-se dependente de desejos, palavras vazias, direitos momentâneos, autoreferentes,  sem conexão com a realidade, sem leitura nem proficiência toda definição tornou-se relativa e pendular conforme o propósito de cada indivíduo aprisionado em sua própria mente. A interpretação do mundo desprovida de linguagem, essa degradada, modificada em seu significado e propósito, que é ler o mundo real, traduz uma sociedade doente, de alma arrasada, perdida no que é de mais importante ao caminho do conhecimento, ao ser, ao indivíduo, à sua tribo: a educação.

A falácia do espantalho

Entrevista Jordan Peterson 

Essa entrevista com o Jordan Peterson, ajuda a entender como o domínio da linguagem e de suas categorias concorre para refletir e responder, a partir de um conjunto de conhecimento adquirido, de forma clara e civilizada, questões construídas de maneira distorcida, deturpada, capciosa, politizada para fins específicos, e sobretudo oportunista,  tendo como fonte o raciocínio desenvolvido pelo entrevistado. Aqui, o que a jornalista faz do que consegue captar das respostas é criar a seu modo a "falácia do  espantalho" (Schopenhauer), aquele a ser desmoralizado, destruído. E porque não diante das câmeras para muitos, milhares, milhões de telespectadores!

Em certo momento, a jornalista Cathy Newman insiste numa agressiva defesa da política identitária, chegando a acusações levianas ao posicionamento conservador recente do entrevistado a respeito de uma lei referente a indivíduos trans, então, ficando evidente sua postura ostensiva, articuladora, por vezes ao dar em cima da fala do psicólogo, ela continua inquirindo a ressaltar o tema que trata a lei, provocativa, para chegar a um objetivo intrigante, que leva ao clima  inquietante de tentativa de constrangimento, apenas impedido pela reação inteligente,  madura e pacífica do psicológo apontando a clara ofensa dirigida nas ilações da jornalista, o que a "pega na volta" do seu limitado jogo de palavras em busca da verdade dela. Nesse ponto, o Jordan Peterson coloca no contexto a importância da liberdade de expressão, dela, que é o que a permite ser ofensiva em determinadas circunstâncias, óbvio, e a dele, respeitando o contraditório; ela ao descobrir a falha de atitude, e virtude dele em "pegá-la" sem a julgar, ri do próprio tropeço após rápida reflexão, o que pareceu ridículo, típico dos lacradores que não pensam apenas caçam a quem cancelar no debate. Nisso a grande mídia, os jornalistas ativistas, a banda intelectual, cultural e política da esquerda, ruído de uma nota só, atualmente oposição, todos atualmente são bem semelhantes em todo lugar.


quinta-feira, junho 10, 2021

A incerteza moral

 A incerteza moral nos condena ao passado 

A incerteza moral nos trouxe o medo, esse que veio por décadas sendo negado pintado de esperança sob um véu de mentiras, um fator de covardia, fazendo assim perdermos a confiança. Com medo e desconfiados esperamos que alguém nos diga o que fazer, em vez de decidirmos por conta própria o nosso destino. É essa a situação do povo brasileiro. 

Outro fator é a psicose informática, a desinformação controlada pela grande mídia, o que faz você pensar que não entende mais nada, e daí passar a não querer mais entender, mais um fator que se soma a falta de confiança decorrente da incerteza moral por não saber, confuso, o que é certo ou errado, dada as circunstâncias onde se perdeu o fiel da balança, o prumo da ética, já corrompido. 

Muitos se perguntam "em quem acreditar", o que deixa claro uma necessidade de respostas urgentes à agonia pandêmica, esta que chega abrindo a entrada para o falso articulador, o moderado, o salvador da pátria, aquele que vai colocar a mão enganadora com paliativos, demagogia, populismo, utopias, na ferida não cicatrizada dos desacreditados, agora aberta por essa nova oportunidade comum a muitos tomado pelo medo e a incerteza, então, que encontrada pode tornar possível de ser tomada em mãos autoritárias vestidas com luvas de pelica e o coaxar histórico de velhas políticas.



domingo, dezembro 13, 2020

A cara do "fact-checking" do Facebook

 Acompanhando o Parler. É sabido, que quem procura acha. Achei. Dias atrás postei um vídeo no qual o Rodrigo Constantino fala da censura que o YouTube determinou sobre uma entrevista feita por ele com o Dr. Alessandro Loiola. Retiraram o vídeo. Porque isso? Perguntamos. Diz o Youtube, a equipe que adota regras para selecionar o que pode e o que não pode, o fact-cheking agindo seletivamente, diz que feriu as regras do grupo ou "padrões da comunidade". Por acaso, descobri que um dos responsáveis, uma, tem preferências ideológicas e compromissos que definem de acordo com a sua política o que é ou não "correto" ser publicado. Bem, aqui está uma das integrantes do grupo, neste caso do Facebook, que define os limites da liberdade de expressão hoje existente nas redes sociais.

REVELADO: 'Margot Susca, certificadora de verificação de fatos' do Facebook é uma superfã de Hillary Clinton. Uma ativista anti-Trump no Twitter, que se gaba de ser o "time" da candidata presidencial derrotada Hillary Clinton. É a especialista independente encarregada de certificar o que deve ser publicado, o fact-cheking, do Facebook.


"Laranjas" do Sleeping Giants

 Acompanhando o Twitter. Quer saber quem está por trás do Sleeping Giants? Siga o dinheiro, esses são os verdadeiros fomentadores desse "laranjal" de intrigas sociais e instauração do fascismo. O pano de fundo é a desorientação, manter o controle das liberdades dos que ainda pensam, observam as informações da realidade e os fatos que desmente narrativas, dos que se manifestam contra as ditaduras, o poder desmesurado do Estado totalitário, querem dominar e estabelecer sua forma de "democracia" de mentirinha criada à sua imagem e regras particulares, para entregar a sociedade aos pequenos ditadores como Doria e subordinados ao "governo sem limite", às imposições imperiais, sem respeito a lei, ao regramento estabelecido democraticamente por uma sociedade que elege seus representantes, ainda que não sejam os melhores. Considerando o que estamos assistindo, sentindo, rasgar a Constituição pode ter sido o estrago inicial dessa história, que já é real, por parte desses títeres.



quinta-feira, dezembro 10, 2020

Um feito de um "santo de casa"

 Um feito de um "santo de casa"

Conta o imaginário popular que "santo de casa não faz milagre", o que cabe em geral falar quando há descrença sobre a competência para o feito por alguém de pouca habilidade em solucionar certas tarefas domésticas, o que de certa maneira é uma daquelas expressões que mais parece uma provocação a algum pretendente que ouse realizar algum desafio bem aos olhos de um, seu íntimo, conhecido, e que muitas vezes pode nem se confirmar como uma verdade.
O fato de se ter uma ideia, nesse caso o milagre é um ideia, e ela ter ocorrido a alguém em dada ocasião, que pode colocá-la em prática, tê-la registrado fora do seu pensamento, publicado, algo que nos ofereceria matéria, fonte qualificada, para daí podermos posteriormente verificar se houve na história desse tipo de evento, literário, intelectual, outro criador que tenha pensado daquele jeitinho, também feito o mesmo, um cópia e cola, algo assim, assim, daí teríamos a prova, a constatação que os dois santos teriam realizado o tal milagre, cada um no seu tempo é espaço, e primado pela identidade.
Em se tratando de uma celebridade da cultura nacional, Nelson Rodrigues, se encaixa muito bem na categoria de autor de importantes feitos, que no linguajar popular seria quase um "santo milagreiro" da nossa cultura, no excelente sentido. Um pensador conservador e escritor de inúmeros textos brilhantes, cevados de bom vocabulário, comparável a poucos em substrato e ineditismo. Em seu artigo "Consciência de classe" publicado no Jornal da Tarde no dia 6 de maio de 1974, pude constatar uma prévia, a partir de um trecho desse texto, do que obteria uma marca fiel do seu pensamento, e que antecipa em mais de duas décadas e meia uma declaração do escritor e filósofo italiano Umberto Eco, dada durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim em 10 de junho de 2020.
Adiantando o papo, transcrevo o que li em matéria da grande mídia sobre o filósofo italiano: "crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, o escritor e filólogo italiano Umberto Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis" que antes falavam apenas "em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade".
De acordo com Eco, "a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior. "O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade". O filósofo ainda acrescentou algo que pode ser comparado ao que chamamos agora de fact-cheking e aconselhou os jornais a filtrarem com uma "equipe de especialistas" as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é "confiável ou não". Quem diria! Segundo o escritor, 'idiotas' têm o mesmo espaço de Prêmios Nobel.
O escritor Nelson Rodrigues, nosso santo da casa, gravaria com primazia a autoria dessa joia de pensamento: “O grande acontecimento do século XIX foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota. Até então, o idiota era apenas idiota e como tal se comportava. (…) Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais atreveu-se a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50 mil, ou cem, ou duzentos anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. (…) Deve-se ao Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentem a embriaguez da onipotência numérica (...)”.
Esse é o feito que considero pioneiro quanto a ideia que define o "idiota", o "imbecil" citado pelo Eco, um pensamento do nosso santo de casa Nelson Rodrigues.

domingo, dezembro 06, 2020

O Ocidente islamizado

O Ocidente islamizado

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 05 de março de 2007
Desde Freud: The Mind of a Moralist (1959), Philip Rieff (1922-2006) foi reconhecido como um dos mais importantes pensadores americanos. Sua última obra, My Life Among the Deathworks (University of Virginia Press, 2006), analisa a cultura como expressão da ordem divina. Ela pode nos servir de ponto de partida para explicar por que a pretensa “civilização laica” não tem como desembocar em nenhum paraíso global de justiça e prosperidade, mas só na dominação universal do islamismo.
A premissa de My Life Among the Deathworks é a admissão de que em toda cultura há uma série inumerável de palavras e símbolos que desfrutam de autoridade pública automática. São a tradução de verdades que não estão aí para ser provadas ou impugnadas: elas estruturam a nossa vida de todos os dias para muito além da nossa capacidade de reflexão consciente. Evocam a nossa obediência imediata e despertam em nossa alma sentimentos de culpa e inadequação quando as infringimos. Ao conjunto delas Rieff denomina “ordem sacra”. A educação doméstica, as regras de boas maneiras, as hierarquias administrativas, a política, o gosto literário e artístico, tudo numa cultura é “transliteração da ordem sacra numa ordem social”.
Examinar criticamente esses símbolos desde o ponto de vista da razão individual, da filosofia ou da “ciência” é legítimo, mas é uma atividade que transcorre dentro da cultura e balizada por ela. Seu alcance, portanto, é limitado: nenhum saber individual pode substituir-se à cultura como um todo. O máximo de profundidade que a sondagem dos símbolos pode alcançar é aquela que se observa na psicanálise (independentemente do conteúdo específico das teorias de Freud): a penetração do exame racional nas brumas do inconsciente, para desativar a sobrecarga de autoridade de símbolos sacrais. Estes são absolutamente necessários à cultura, mas à medida que o tempo passa eles se consolidam em formas de autoridade interiorizada cujo peso acumulado se torna opressivo. A psicanálise desata os nós da sobrecarga, liberando o indivíduo para reintegrar-se na ordem social, não para sair dela.
Na evolução histórica do Ocidente, Rieff identifica três ordens sacrais sucessivas, que ele chama de “mundos”. Na cultura do mundo antigo, greco-romano, potências espirituais supra-humanas e infra-humanas enquadravam o homem numa ordem cósmica que se traduzia em ordem social sob a noção geral de “destino”. No monoteísmo judaico-cristão, a leitura dos símbolos torna-se mais sutil e ao mesmo tempo mais exigente, instaurando o compromisso da “fé” e a luta permanente do homem para permanecer integrado na ordem divina. A terceira cultura, ou “terceiro mundo” está se formando bem diante dos nossos olhos, e sua diferença das duas anteriores é radical: pela primeira vez na história humana, as elites culturais tentam construir uma ordem social sem ordem sacra, ou melhor, contra toda ordem sacra. O experimento, enfatiza Rieff, é inédito. Comentando o livro na Intercollegiate Review, R. R. Reno, especialmente qualificado para analisar o assunto por sua experiência anterior em Ruins of the Curch: Sustaining Faith in an Age of Diminished Christianity (2002), observa que se trata de impor a toda a humanidade o uso de remédios jamais testados. Os princípios da nova civilização podem-se resumir em três enunciados:
1) Toda proibição é proibida.
2) Toda repressão deve ser reprimida.
3) A única verdade é que não existe verdade.
Nesse quadro, a própria razão é condenada como repressiva, e automaticamente o privilégio de credibilidade é transferido a símbolos de prestígio (“papéis teatrais”) associados ao poder “libertador” da satisfação narcísica. A própria “ciência” já não funciona como conhecimento racional, mas como estereótipo publicitário encarregado de legitimar os desejos da multidão, ou os da elite injetados na multidão.
As práticas culturais da nova sociedade, que Rieff exemplifica e analisa extensamente, copiam as da terapia freudiana, mas não para curar a alma e sim para esvaziá-la de todo sentido de vida. A “liberação” geral desemboca no niilismo. “Onde nada é sagrado, não existe nada.”
O problema com as análises de Rieff é que elas abrangem somente o panorama ocidental. A conseqüência inevitável é que tendem a aceitar como novo padrão civilizacional mundial aquilo que, visto desde outra perspectiva, pode ser apenas a transição rápida e fulminante de uma ordem social fundada no judeocristianismo para outra de base islâmica.
A emergência da cultura niilista pode ser datada, sem erro, do iluminismo francês. O “culto da Razão” como fundamento de uma civilização mais feliz e mais livre baseada no esclarecimento científico é apenas uma idéia popular, que não corresponde em nada à verdade histórica do iluminismo. Não apenas o século XVIII francês foi mais povoado de superstições, bruxarias, ritos esotéricos e sociedades secretas do que qualquer etapa anterior da história ocidental, como também os abismos de incongruência no pensamento dominante da época inspiraram a Goya a sua famosa gravura “El sueño de la razón produce monstruos”. Nos escritos de um Voltaire, de um Diderot, de um Montesquieu, os estudiosos vêm descobrindo padrões de descontinuidade e desequilíbrio que raiam a loucura pura e simples. Como observou Paul Ilie no monumental The Age of Minerva (2 vols., Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 1995), mais que a época da razão o iluminismo foi a época da ruptura radical entre a razão e os sentimentos, estes expressando-se em delírios passionais que pareciam emergidos diretamente do inferno, aquela em simulacros de ordem que celebravam indiretamente a onipotência do caos. Paul Hazard, em La Pensée Européenne au XVIIIe. Siècle, mostrou que a receptividade dada à crítica antitradicional intelectualmente sofisticada foi devida menos à aparente racionalidade de seus argumentos do que à atmosfera preparada por uma incrível inundação de piadas e lendas anti-religiosas, de uma baixeza e vulgaridade à toda prova, que já circulavam desde muito antes dos panfletos de Voltaire e Diderot. Boa parte da obra destes últimos (já mencionei aqui o caso de La Réligieuse , v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/070108dc.htm) não fez senão beber nessa fonte espúria e dar-lhe um verniz de respeitabilidade literária. Corroendo a fé pública nos símbolos e instituições tradicionais, o iluminismo desembocou não só na loucura genocida do Terror, mas nos sangrentos delírios pornográficos do marquês de Sade, que vieram a exercer contínua atração hipnótica sobre a imaginação francesa até Jean-Paul Sartre e Georges Bataille (v., deste último, L’Érotisme: “Do erotismo pode-se dizer que é semelhante à morte”). O mergulho final do intelectual francês no submundo do marquês de Sade tomou forma, não literária, mas biográfica, em Michel Foucault , escravo das drogas e devotamente empenhado em “transcender o sexo” mediante o sofrimento físico em rituais de flagelação masoquista, com algemas, chicotinho, cuecão de couro e tudo o mais (não sei se é para rir ou para chorar, mas leia a história completa em Roger Kimball , “The perversions of Michel Foucault”, na revista The New Criterion, http://www.newcriterion.com/archive/11/mar93/foucault.htm).
A inspiração niilista do movimento revolucionário pode ter sido obscurecida por um breve momento graças à ascensão da utopia proletária, mas sua natureza profunda não demorou a aparecer de volta sob a forma de montanhas de cadáveres, um acúmulo impensável de sofrimento humano, resultando enfim no fiasco da URSS e nos arranjos capitalistas do comunismo chinês. A desilusão com o comunismo soviético e chinês produziu o imediato retorno aos motes do iluminismo francês, com a nova divinização da “ciência” e a mais virulenta campanha anti-religiosa de todos os tempos, subsidiada por verbas milionárias, fortemente amparada pela indústria do show business (O Código Da Vinci, O Corpo, e agora O Túmulo de Jesus), abrilhantada por ídolos pop da divulgação científica como Richard Dawkins, Daniel Dennet e Sam Harris e coroada por uma sucessão impressionante de legislações repressivas promovidas diretamente pelos organismos internacionais e voltadas contra a expressão pública da fé. Injetada num ambiente previamente preparado pelo “politicamente correto”, e coincidindo no tempo com a nova onda de anti-semitismo europeu e com a matança generalizada de cristãos nos países islâmicos e comunistas, a campanha dá um passo enorme no sentido da extinção do legado civilizacional judaico-cristão e na instauração mundial da social-democracia laica, o prêmio de consolação dado pela elite globalista à esquerda mundial pelo fracasso do comunismo russo-chinês.
Ora, a absoluta incapacidade da socialdemocracia laica de resistir à invasão cultural islâmica já está mais do que demonstrada na prática. Nem vou insistir nisso. Os interessados que leiam Eurabia: The Euro-Arab Axis, de Bat Ye’or (Farleigh Dickinson University Press, 2005), The Death of the West, de Patrick J. Buchanan (St. Martin’s Press, 2002) e The Abolition of Britain, de Peter Hitchens (Encounter Books, 2000), só a título de exemplos.
A fraqueza incurável daquilo que um dia foi “o Ocidente” provém do fato de que, esvaziados do conteúdo vital que recebiam da tradição judaico-cristã, os princípios mesmos que induzem os intelectuais europeus a defender seus países contra a tirania islâmica – a modernidade, a razão científica, a democracia, o progresso capitalista, a liberdade de expressão, o primado do consumidor e os confortos da previdência social – se tornam instrumentos de corrosão das identidades nacionais e da capacidade de autodefesa cultural. E de há muito os estrategistas islâmicos já perceberam isso, senão não teriam podido conceber a “guerra assimétrica” nem o uso maciço da imigração como arma de combate.
O protesto melancólico de Oriana Falacci, bradando contra o fim da Europa e nada podendo alegar em favor dela exceto seu amor pessoal às delícias da modernidade, soa tão fútil e impotente ante as exigências morais avassaladoras da autoridade islâmica que se torna o símbolo mesmo de uma civilização agonizante. O que sobra no fundo do niilismo é o hedonismo, mas seria vão tentar construir – ou defender – uma civilização com base nele. O hedonismo atrai interesses, mas não é fonte de autoridade. Ele próprio é niilismo em versão light. Anúncios de restaurantes nada podem contra o vigor do protesto islâmico.
Mas a força da invasão islâmica não repousa só na fraqueza do adversário. Há um poder efetivo, “positivo” por assim dizer, intrínseco à mensagem islâmica, que a torna especialmente capacitada a apropriar-se de um corpo civilizacional debilitado pelo niilismo. É que o próprio Islam tem um fundo “niilista”. Mohammed destruindo os ídolos da Kaaba é o advento de um monoteísmo abstrato que varre do planeta os símbolos visíveis do divino e os substitui pelo culto disciplinar do absolutamente invisível. A proibição radical das imagens equivale a uma política de terra-arrasada espiritual onde só o que sobra para atestar a presença divina é o apelo auditivo de um substantivo abstrato (Allah não significa propriamente “Deus”, nome próprio, mas “a divindade”). Nas mesquitas, o equivalente ao altar é o mihrab, um espaço vazio cavado na parede, designando a divindade eternamente ausente e inalcançável. No Islam não existe nem o povo eleito, atestando através da história a continuidade da profecia, o diálogo permanente entre o homem e Deus, nem a Encarnação pela qual o divino habita entre nós como nosso igual e nosso irmão. O ciclo da profecia está encerrado: Deus falou pela última vez a Mohammed e não falará mais até o fim dos tempos. O silêncio só é rompido pelo chamamento dos muezzins no alto das mesquitas, convocando a humanidade a prosternar-se ante o eterno Ausente que, ante a nulidade da Terra, se torna o único Presente. E Deus, segundo o Islam, jamais esteve entre nós: foi apenas uma aparência, ou melhor, uma aparição. Nobre e espiritual o quanto se queira, mas aparição. Lâ-llláha-íla-Allah, “não há deus exceto Deus” – tudo o mais é, a rigor, inexistente. Só existe Deus, inapreensível e incorpóreo – e, do outro lado, o Nada. Num mundo esvaziado pelo niilismo, o Islam se torna a única religião viável.
Continua portanto válida — não obstante erros de detalhe, concernentes por exemplo à China –, a análise feita em 1924 por René Guénon (ele próprio um mussulmano) em Orient et Occident, segundo a qual o Ocidente só teria, daquele momento em diante, três caminhos a escolher: a reconquista da tradição cristã; a queda na barbárie e em conflitos étnicos sem fim; e a islamização geral. Os que pretendem defender o Ocidente na base do laicismo ou do ateísmo só concorrem para fortalecer a segunda alternativa, ante a qual a terceira pode surgir, mais dia menos dia, até como alternativa humanitária. A “civilização laica” não é uma promessa de vida: ela é a agonia de uma humanidade declinante que, um minuto antes da morte, terminará pedindo socorro ao Islam.
P. S. – Recuso-me terminantemente a escrever “Islã”, com til, uma aberração ortográfica inaceitável.

O triunfo da mentira

 O triunfo da mentira

A covid-19 foi a descoberta do ano para os políticos brasileiros, que viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal
JR Guzzo, Estadão, 02/12/2020.
A covid-19 foi sem dúvida a descoberta do ano para os políticos brasileiros. Desde o primeiro caso de infecção, boa parte dos nossos homens públicos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal e “assumir posições” - calculadas para dar mais gás (ou o que eles acham que é mais gás) para as suas carreiras. Vivem falando que agem de acordo com a “ciência”. Mentira. Eles não sabem rigorosamente nada de ciência, mas acreditam saber tudo sobre os truques mais eficazes para utilizar em seu benefício uma tragédia – e o pânico trazido por ela
O governador João Doria foi um dos primeiros a ver o potencial desta mina. Dez meses depois, continua achando que ainda há muita coisa a tirar daí.'
No dia 13 de novembro, duas semanas antes do segundo turno das eleições municipais, o governador disse o seguinte, em praça pública: “Vim aqui para desmentir mais uma fake news”, disse Doria, àquela altura convencido de que manter em grau mais moderado seu sistema de repressão ao vírus, como vem ocorrendo nos últimos meses, era a postura mais rentável para dar votos ao seu candidato Bruno Covas. “Depois das eleições nós não vamos endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle.” Afirmou, também, que as previsões de endurecimento eram “um golpezinho” de campanha eleitoral.
As urnas mal tinham sido fechadas quando o governador, que então já não precisava mais dos votos, mandou fazer exatamente o contrário do que havia acabado de prometer: depois de uma campanha eleitoral vivida dentro da “fase verde” das restrições, Doria votou a impor as exigências da “fase amarela”, mais extensas e rigorosas. Qual foi, nessa história, a notícia falsa: o anúncio do endurecimento que viria depois da eleição, ou o desmentido formal do governador?
A covid-19, ao ser utilizada como ferramenta política, transformou-se no triunfo da mentira. Essa malversação dos fatos, feita de forma sistemática e maciça, leva aos disparates que se repetem diariamente à vista de todos. Há a vacina “boa” (a estadual) e a vacina ruim (a federal), com o pormenor de que nenhuma das duas existe. Há a aglomeração “ruim”, quando é feita pelos adversários políticos, e a aglomeração “boa”, quando é feita nas sedes de partidos para comemorar as vitórias do segundo turno. Há os chiliques constantes das autoridades diante de “ameaças ao distanciamento social”, e a sua mais absoluta indiferença com os ônibus, trens e metrô que viajam lotados todos os dias.
A Prefeitura de São Paulo é patentemente inepta para cuidar de tarefas elementares e essenciais, que o homem sabe executar há 5.000 anos, como manter os bueiros da cidade razoavelmente limpos – a causa direta das enchentes a qualquer chuva mais forte. É inepta para cortar árvores que ameaçam cair sobre a rua e matar gente, como acaba de acontecer na Vila Mariana – apesar de todos os pedidos de providências por parte dos moradores. É inepta para consertar os buracos de rua. Mas o prefeito e o governador são craques em usar máscaras pretas fashion, brincar de “cientista” e propor a “igualdade social”. É onde São Paulo veio parar.

O Supremo de ativistas

 Uma ditadura amostra grátis, a Vachina do Ditadória, tantos engolindo o embuste. Quem levará a trolha, às pressas, passivos, sem questionar nada? É o que estamos vendo, os ativistas togados Supremos e os delinquentes presidentes das duas casas do Congresso que estão comendo a democracia pelas beiradas. Até quando?

"Se mostra a Constituição, eles rasgam.
Se expõe a verdade, eles te censuram.
Se questiona, eles te calam.
Se tenta lutar, eles te prendem!"


O golpe branco

 Um grupinho de bandidos já governou o país durante quase 18 anos, tiveram nas mãos o poder executivo, a presença nos Estados e boa parte da gestão dos municípios, mas os brasileiros dobraram a esquina para o lado da liberdade, demitiram a maioria dos corruptos, que foram derrotados nas urnas em 2018 e perderam ainda mais em 2020, mas, infelizmente continuam tentando de todas as maneiras com apoio da estrutura burocrática ativista (no STF, no Congresso, entre acadêmicos, intelectuais, cultura etc etc) dar um golpe branco.



quarta-feira, dezembro 02, 2020

Sei o que vocês fizeram no verão passado

Uma história recente da política no Brasil 👈

 Uma pequena explicação sobre o passado recente de todos os brasileiros, de fato, da grande maioria dos brasileiros, no qual se viveu uma fantasia por incompetência e abuso de uma ideologia na prática absurda de seu projeto, da imposição de uma utopia política, social e cultural. A fatura foi desastrosa, e desabou sobre nossas cabeças tão logo começaram a perder o controle do poder sem limites, embora, ainda, alguns iludidos pensem que viveram o sonho de suas vidas, e acreditem que defendendo a volta dessa quimera e de seus líderes, profetas, consigam fazer o que desejam ignorando os fatos e por uma dissonância cognitiva estarem em completa falta de percepção da realidade e dos fatos, insistam em resistência, vandalismos, violência e autoritarismo para tentar chegar a seus objetivos. Nada coerentes, boicotam, impedem, recorrem a mentiras, motivam outros a atos inconsequentes que proíbem a realização, o alcance dos anseios básicos, a muito tempo desprezados, dos brasileiros dedicados em trabalhar por um melhor presente para os seus e um futuro produtivo, seguro, saudável para a população e a democracia do nosso país.

Toffoli aparece com hematomas no rosto em sessão do STF

"O amigo do amigo do meu amigo" citado na Lava Jato

Quem sabe não seja uma "liçãozinha" da Orcrim, Organização Criminosa dos corruptos, aos que não cumprem a risca os seus comandos vindo pela correia de transmissão lá de cima, o poder "acima" dos togados do STF, acima da lei e de todos, de onde continuadamente vemos uma pressão etérea, empedernida, indefinida, nervosa, capciosa, visivelmente de perfil escroto e militante. É que segundo o ditado, "escreveu não leu..." ou "faça o que mando, mas...". Certamente nunca saberemos a verdadeira razão do "acidente" sofrido pelo ex-presidente do supremo, porém, ele será sempre reconhecido como o "indicado" do ex-presidiário Lula e o "amigo do amigo do amigo do amigo".

Para fechar o caso, que mais parece uma anedota, a explicação dada por ele sobre seu estado de aparência de um atropelado por uma carreta é... "que os hematomas são (decorrentes) de tratamento dermatológico que tem como objetivo diminuir a cicatriz (de um acidente doméstico) e outros pontos". O que está suposto no início do post e em pontos mais adiante, um pouco antes, entre parênteses, são cotejos, frutos da imaginação fértil, intrigante, como contribuição deste humilde escrevinhador.

Nota: vale lembrar que "em julho deste ano o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), caiu em casa e bateu a cabeça. Ele foi encaminhado ao Hospital Vila Nova Star e, segundo informações do STF, Toffoli fez exames e está consciente", segundo informações da grande imprensa.

Jordan Peterson, George Orwell: os socialista e os pobres

George Orwell: Os socialistas e os pobres 👈

Jordan Peterson lê trechos de "O Caminho Para Wigan Pier" e relaciona com a sua experiência pessoal com os socialistas.

Eleições municipais. Um tapa de análise política de primeira hora.

Compartilhado de post do João Carlos Feichas Martins no Facebook, 30 de novembro:

Caminhamos para o sinistrismo de centro ou centro-esquerdismo,com base nessas eleições municipais. Sinistrismo, em Ciência Política, é a tendência do poder de se deslocar para a esquerda, sempre que a direita governa.
Esse fenômeno foi observado por Maurice Duverger, um dos maiores estudiosos dos partidos políticos.
Mas não será ainda em 2022 que a direita com Bolsonaro cederá o governo. A reacomodação das forças progressistas em torno de um partido-eixo, o PMDB, que mais prefeitos elegeu, terá resistência do crescimento do Partido Progressista -PP-,a que pertenceu Jair Bolsonaro e segundo vitorioso no País.
O PSOL ainda não tem corpo para suceder o PT, maior derrotado, e fazer o jogo da esquerda com o PSDB, quarto maior votado. A incógnita do poder fica por conta do Partido Social Democrático, de centro direita, bem votado, e o Democratas, de centro.
Essas eleições criam um equilíbrio de forças centristas de esquerda e de direita, com ligeira predominância para a esquerda, mas atestam o acerto da estratégia de Jair Bolsonaro de manter-se discretamente longe da disputa, mesmo em São Paulo e Rio de Janeiro, sem subir em palanque com ninguém, apesar do impedimento da pandemia.
Bolsonaro, com 50%(ou até mais) das intenções de votos, sai vitorioso com o desempenho do PP e do PSD e do DEM,para composições no Congresso Nacional.
Aguarda -se ainda o desfecho das eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 14. Donald Trump ainda continua no páreo com tanta fraude que se apura contra Biden...As eleições nos EUA impactam fortemente a política brasileira. Aguardemos.

A derrota da esquerda no Brasil

 Se engana quem acredita que realmente o radicalismo e a resistência da esquerda foram derrotados nessa eleição, o buraco é mais embaixo. A ideologia que sustenta a sua utopia é seguida por uma militância doutrinada e por uma plêiade da grande mídia, cultura, judiciário e intelectuais desenxavidos ativistas, e continua dando mais do mesmo, tendo o gramiscismo como sua referência histórica estratégica atualizada, sem autocrítica do passado, sem uma mínima avaliação de responsabilidades por crises provocadas ou desastres políticos e sociais. Fica 2020 como testemunho.

segunda-feira, novembro 23, 2020

Ser justo é bom

Ser justo é bom

Por Fabio Blanco

Ser justo é bom. No entanto, não existe justiça sem amor, como não existe justiça sem coerência. Amor e coerência são como que a balança que permite que a justiça seja aplicada com equilíbrio.

No entanto, as pessoas estão sofrendo uma demasiada pressão social por serem justas, sem que lhes seja exigido, da mesma maneira, que tenham amor e coerência.

É uma pressão por estar do “lado certo” da sociedade, o que isso significa participar de julgamentos coletivos, de justiçamentos sociais; de determinar que certas atitudes, certos grupos, certas crenças e certas convicções, apenas por não se encaixarem nas novas concepções desta nova geração, são absolutamente condenáveis.

Assim, estar do lado certo tornou-se o objetivo e a necessidade de muita gente, pois colocar-se fora dele é como viver um ostracismo em meio à multidão. Pior, é como ser marcado por uma letra escarlate.

Isso gera nas pessoas um anseio por parecerem boas, por parecerem corretas. Antes de qualquer coisa, elas querem ter certeza que estão sendo vistas como defensoras da causa certa. Querem ter a consciência limpa, levantando as bandeiras que disseram para elas que são as mais justas.

O problema é que a maior parte dessas bandeiras são hipócritas. São, na verdade, julgamentos prévios que, longe de fazer justiça, criam ainda mais preconceitos. O resultado não poderia ser outro: enquanto os justiceiros sociais defendem liberdades, agem como censuradores, enquanto falam em igualdade, promovem a segregação, enquanto gritam por tolerância, são os primeiros a não respeitar a opinião alheia. No fim das contas, se há algo que caracteriza todos esses movimentos é a incoerência.

No entanto, convenhamos, ninguém quer ser considerado incoerente. Mesmo esses justiceiros sociais possuem, como todo ser humano, uma necessidade intrínseca de serem vistos como pessoas que fazem aquilo que falam e agem de acordo com o que pregam.

Isso significa que se elas são incoerentes não é porque querem, mas porque não percebem. E se elas não percebem é porque lhes falta habilidade cognitiva para tanto. Resumindo: a incoerência das causas modernas é, antes de tudo, um efeito do baixíssimo nível intelectual geral.

Fica evidente que muito dos erros cometidos hoje em dia, sob os pretextos de moralidade, bondade e justiça, são efeitos de falhas de pensamento, da inabilidade de construir raciocínios corretamente e da incapacidade de perceber esses erros. Claro que tudo isso aliado a uma falta de sensibilidade para perceber as injustiças que cometem e até uma certa hipocrisia.

Porém, parece-me que menos do que perversidade, é a burrice que está por trás de quase todos esses movimentos de justiça social. Sem esquecer, é claro, que a ignorância, como se diz, costuma ser vizinha da maldade.



sábado, novembro 21, 2020

Manifestação anti-racista perpetrada por uma extrema-esquerda

Manifestação anti-racista perpetrada por uma extrema-esquerda

A incitação por uma manifestação, de parte da candidata do PC do B Manuela D'Ávila à prefeitura de Porto Alegre, já carregava implícito o "imprevisto" vandalismo e a destruição do mercado Carrefour. Vimos na grande mídia uma manifestação de clara violência, incendiária, porém com uma liderança e objetivos calculados.

O fato, a morte do homem, perdeu -se no noticiário sob o impacto da influência de algo ainda mais hostil, uma ação coletiva ordenada, de uma militância que induz a manipulação do imaginário da população, fixando a atenção no motivo "racismo estrutural", arrastando de todos, indistintamente, e essa se torna a principal razão da incitação, o sentimento de solidariedade, que confunde o ato de vândalos com uma resposta de populares vistos como manifestantes anti-racistas.
Os responsáveis pela morte do homem serão levados à justiça, os vândalos, apresentados como apenas manifestantes tomados pela intenção de exteriorizar indignação e justiça pela mídia. Uma manifestação anti-racista perpetrada por uma extrema-esquerda, com sangue nos olhos, não será vista como "anti-democrática" por destruir patrimônio, nem mesmo com evidente truculência tal qual, por causar desespero e até acidente grave a outras pessoas envolvidas, a usada contra o homem negro pelos seguranças.
O texto a seguir procura esclarecer, na forma da lei, afastando a interpretação politizada, ideológica, que só faz alimentar os ânimos de facções políticas e abre ainda mais fundo marcas e diferenças sociais, que de maneira demagógica, ao final, funciona como estimulo do ódio entre humanos.
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Post de Giton Simionovski, Facebook, em 20/11/2020.

Compreendam, o juiz não pode condenar alegando que "se fosse branco não seria morto", precisa é, diante das provas, preencher o tipo penal para impor uma condenação. E dentro deste ato de preencher o tipo penal, e aqui fujo do juridiquês, há a necessidade de pormenorizar as motivações do crime, para assim entender as reações das partes envolvidas.
Aqui neste ponto nos deparamos com as qualificadoras previstas em lei. Motivo fútil? Torpe? Meio Cruel? A investigação precisa apurar e justificar, pois uma coisa é o clamor público diante do fato, outra coisa é conduzir tecnicamente para alcançar aquilo que a lei permite.
Recordando que em julgamento de julho passado o TJRS definiu que “a necessidade de a denúncia descrever o motivo da discussão que dá causa ao homicídio: se esse não é conhecido, não se pode dizer que o crime seja torpe, fútil, não qualificado ou mesmo privilegiado” (TJRS 70083902718), até porque a acusação precisa ser completa, pois, também conforme o TJRS, “Veja-se que o motivo fútil do crime, a bem da verdade, nunca é a discussão propriamente dita, mas sim o teor, o motivo dessa discussão (que é o que deve ser fútil); portanto, como poderá a defesa sustentar que o motivo do crime (o motivo da discussão) não é fútil, se o réu só pode se defender do que contra ele é narrado e isso não está descrito na denúncia?” [TJRS 70065930075]
E quanto ao meio cruel, vejam como a situação beira a divergência, deve-se mensurar o exagero, meio além do doloroso causador de sofrimento atroz, podendo ser inclusive a asfixia, e “A reiteração de golpes na vítima, ao menos em princípio e para fins de pronúncia, é circunstância indiciária do 'meio cruel’” [STJ, REsp 1241987].
Portanto, mesmo num crime de revolta social, hediondo, a denúncia obrigatoriamente deve fundamentar cada qualificadora incluída e caberá somente aos jurados decidir sua incidência no fato delituoso.

sexta-feira, novembro 20, 2020

Fim de uma era política

Fim de uma era política

O desmanche do PT

J.R. Guzzo, Gazeta do Povo, 19/11/2020.

Desmanche do PT coincidiu com o desmanche do próprio Lula, condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.

Pouco se ouviu falar do ex-presidente Lula depois de encerrado o primeiro turno das eleições municipais. Para dizer a verdade, também não tinha se ouvido muita coisa antes, durante a campanha. Não combina, nem um pouco, com o protocolo geral da ciência política brasileira dos últimos 40 anos, ou quase isso. Afinal, não se faz política neste país sem que Lula seja levado em consideração, como a peça-chave do jogo, em qualquer momento, situação ou perspectiva eleitoral.

Talvez o mais correto, hoje, seja mudar o tempo do verbo: não se fazia política sem Lula. Pelo jeito, como parecem indicar essas eleições, já estão começando a discutir a política do presente — e principalmente do futuro — sem que seja invocado o nome do ex-presidente do Brasil por dois mandatos e o grande chefe, sem a mínima contestação, daquele que foi um dos maiores partidos do país. Entre um momento e outro o seu PT foi entrando em colapso progressivo e a peça-chave deixou de ser chave.

O desmanche do PT coincidiu com o desmanche do próprio Lula – ou, mais exatamente, foi provocado pela fogueira que consumiu o ex-presidente com a sua condenação pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, e os 18 meses de cadeia que teve de puxar na Polícia Federal de Curitiba.

Um ano atrás, exatamente, Lula foi solto, mas politicamente foi como se continuasse tão anulado quanto estava durante o tempo em que ficou preso. O terremoto que iria abalar o Brasil com a sua prisão simplesmente não aconteceu; o máximo que se conseguiu foi juntar uma dúzia de “militantes” em torno da sede da PF para gritar “bom dia, presidente Lula” e outras ilusões do mesmo tipo.

De lá para cá, piorou. Lula já se colocou “à disposição” para, segundo sua análise da situação, “salvar o país do fascismo”, ou algo assim. Ninguém ligou. Recebeu votos de admiração de Luciano Huck, João Doria e banqueiros de investimento que se descobriram como “homens de esquerda” , mas isso não resolve a vida de ninguém. Enfim, nessas últimas eleições municipais, bateu no seu fundo do poço pós-Lava Jato.

O candidato do Partido dos Trabalhadores na cidade que tem o maior número de trabalhadores do país – São Paulo – ficou em sexto lugar, junto com os concorrentes nanicos, no pior desempenho da sua história na capital. No restante do país, foi o mesmo cataclismo. Dos 630 prefeitos que o PT tinha em 2012, no auge de Lula, ficaram 179.

Poderá eleger mais um ou outro no segundo turno, mas isso não vai mudar absolutamente nada. O partido, que já ocupou as prefeituras de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, corre o risco de não eleger o prefeito de nenhuma das 27 capitais de estado. Aliás, só concorre em duas neste segundo turno — Recife e Vitória. Se perder, fica no zero.

Há um discreto silêncio em relação ao tema. Do mesmo jeito como não se fala alto em velório, parece falta de educação citar a calamitosa performance do PT e do seu comandante nas eleições municipais. Estão colhendo, como estabelecem as leis da natureza, exatamente aquilo que plantaram. O partido nunca se formou como um verdadeiro partido, embora tivesse todos os adereços das grandes organizações políticas.

Durante o tempo todo, faltou o essencial: a defesa de um conjunto de ideias, e não de um indivíduo — e a consequente capacidade de sobreviver à pessoa de seu líder. Sem Lula, o PT não é nada. Como não houve Lula nas eleições, não houve PT nos resultados.



na tela ou dvd

  • 12 Horas até o Amanhecer
  • 1408
  • 1922
  • 21 Gramas
  • 30 Minutos ou Menos
  • 8 Minutos
  • A Árvore da Vida
  • A Bússola de Ouro
  • A Chave Mestra
  • A Cura
  • A Endemoniada
  • A Espada e o Dragão
  • A Fita Branca
  • A Força de Um Sorriso
  • A Grande Ilusão
  • A Idade da Reflexão
  • A Ilha do Medo
  • A Intérprete
  • A Invenção de Hugo Cabret
  • A Janela Secreta
  • A Lista
  • A Lista de Schindler
  • A Livraria
  • A Loucura do Rei George
  • A Partida
  • A Pele
  • A Pele do Desejo
  • A Poeira do Tempo
  • A Praia
  • A Prostituta e a Baleia
  • A Prova
  • A Rainha
  • A Razão de Meu Afeto
  • A Ressaca
  • A Revelação
  • A Sombra e a Escuridão
  • A Suprema Felicidade
  • A Tempestade
  • A Trilha
  • A Troca
  • A Última Ceia
  • A Vantagem de Ser Invisível
  • A Vida de Gale
  • A Vida dos Outros
  • A Vida em uma Noite
  • A Vida Que Segue
  • Adaptation
  • Africa dos Meus Sonhos
  • Ágora
  • Alice Não Mora Mais Aqui
  • Amarcord
  • Amargo Pesadelo
  • Amigas com Dinheiro
  • Amor e outras drogas
  • Amores Possíveis
  • Ano Bissexto
  • Antes do Anoitecer
  • Antes que o Diabo Saiba que Voce está Morto
  • Apenas uma vez
  • Apocalipto
  • Arkansas
  • As Horas
  • As Idades de Lulu
  • As Invasões Bárbaras
  • Às Segundas ao Sol
  • Assassinato em Gosford Park
  • Ausência de Malícia
  • Australia
  • Avatar
  • Babel
  • Bastardos Inglórios
  • Battlestar Galactica
  • Bird Box
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  • Bom Dia Vietnan
  • Boneco de Neve
  • Brasil Despedaçado
  • Budapeste
  • Butch Cassidy and the Sundance Kid
  • Caçada Final
  • Caçador de Recompensa
  • Cão de Briga
  • Carne Trêmula
  • Casablanca
  • Chamas da vingança
  • Chocolate
  • Circle
  • Cirkus Columbia
  • Close
  • Closer
  • Código 46
  • Coincidências do Amor
  • Coisas Belas e Sujas
  • Colateral
  • Com os Olhos Bem Fechados
  • Comer, Rezar, Amar
  • Como Enlouquecer Seu Chefe
  • Condessa de Sangue
  • Conduta de Risco
  • Contragolpe
  • Cópias De Volta À Vida
  • Coração Selvagem
  • Corre Lola Corre
  • Crash - no Limite
  • Crime de Amor
  • Dança com Lobos
  • Déjà Vu
  • Desert Flower
  • Destacamento Blood
  • Deus e o Diabo na Terra do Sol
  • Dia de Treinamento
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