quinta-feira, novembro 19, 2020

 BARROSO, O “GRANDE LÍDER” DA OPOSIÇÃO

Como está num mundinho onde ninguém é capaz de alertá-lo sobre o despropósito de declarar que o Brasil vive uma “ditadura”, o ministro vai em frente
Revista Oeste, 11/09/2020.
Oministro Luís Roberto Barroso, a exemplo do que vem acontecendo com frequência alarmante entre a maioria dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, tem oferecido ao público uma sequência do que parecem ser acessos cada vez mais severos de excitação nervosa. Seria apenas problema dele, é claro, mas, por uma dessas coisas que só acontecem com o Botafogo e com o Brasil, o homem é ministro daquilo que tem a função legal de funcionar como a “suprema corte” do país. Nada de mais, na verdade, para um tribunal presidido até ontem por um cidadão que foi reprovado duas vezes no concurso público para juiz, recebia uma mesada de R$ 100 mil da mulher advogada e escreve decisões num português tão ruim, mas tão ruim, que nem pode receber nota; é simplesmente incompreensível. Mas uma calamidade não diminui de tamanho pelo fato de ser acompanhada de outra — e Barroso, de uns tempos para cá, resolveu dar um notável upgrade, como se diz, nos teores de ruindade desenvolvidos até agora pelos colegas. É osso.
O ministro, ultimamente, parece ter convencido a si próprio de que é o grande líder da oposição no Brasil — e como vive 100% selado dentro de um mundinho onde ninguém é capaz de alertá-lo sobre o perfeito despropósito de achar uma coisa dessas, ele vai em frente. Por que não? Barroso é levado terrivelmente a sério pela mídia, pelo senador Alcolumbre e por outros colossos da nossa vida política, intelectual e “civilizada”. É natural que acredite, como o galo Chantecler da fábula de Rostand, que o sol só nasce porque ele canta. Seu mais recente manifesto à nação e ao mundo foi também um dos mais esquisitos do seu repertório. Falando num inglês de curso Berlitz mal concluído, naquele sotaque de brasileiro que tenta imitar o que imagina ser a pronúncia “norte-americana” (era um vídeo do Instituto Fernando Henrique para uma plateia estrangeira — assista abaixo), Barroso revelou que o Brasil vive numa dic-tator-ship, que o presidente Bolsonaro é a favor da tortura e outros prodígios da mesma natureza. Levou meia hora para falar esse dic-tator-ship, assim mesmo, sílaba por sílaba. Quis parecer um tipo cosmopolita. Acabou sendo apenas cômico.
Como assim, “ditadura”? Para levar a sério por mais de cinco minutos a acusação do ministro, seria preciso que ele demonstrasse, com base em algum fato objetivo, por que o Brasil de hoje seria uma ditadura. E então? Quais os atos contra a democracia, as leis e as “instituições” praticados por Bolsonaro ou membros do seu governo? Em que data? Em que lugar? O governo enviou à Câmara ou ao Senado algum projeto que possa ser descrito como antidemocrático? Qual? Quando? E decreto — há algum decreto presidencial contra a democracia? Houve algum episódio, em vinte meses de governo, em que o presidente da República deixasse de cumprir alguma ordem da Justiça ou qualquer outra determinação legal? Talvez nenhum outro governo na História do Brasil tenha sido tão atacado pela imprensa como o de Bolsonaro — começou a apanhar antes mesmo de tomar posse e não parou até hoje. Durante esse tempo todo, não houve nenhuma tentativa de censura, aberta ou disfarçada, contra qualquer órgão de comunicação. Nenhum jornalista brasileiro ou estrangeiro foi incomodado até hoje, por nenhum motivo. (O ex-presidente Lula, a título de comparação, quis expulsar do Brasil um correspondente norte-americano que deu a entender num artigo que ele era bêbado: só não o expulsou porque não conseguiu.)
Bolsonaro nunca chegou a fazer 10% dos elogios desesperados que o jornal O Globo fez ao golpe militar
O que houve, e apenas uma vez, foi uma tentativa de ação legal contra um jornalista que escreveu o seguinte: “Eu quero que o presidente morra”. Mas e daí? A coisa não deu em nada, e nem deveria mesmo dar, porque não é contra a lei querer que o presidente, ou qualquer outra pessoa, morra. O problema é apenas de quem escreveu, do veículo que publicou isso e dos leitores, a quem cabe julgar esse tipo de desejo. Jornalistas são processados o tempo todo na Justiça, pelos mais diferentes motivos — não estão acima da lei, como se sabe. Nessas ocasiões, procuram um advogado e esperam a decisão da Justiça. Qual é o problema? Não há nada de errado com isso. Em compensação, Barroso despacha a poucos metros do ministro Alexandre de Moraes, que já censurou a revista digital Crusoé, proibiu que jornalistas de direita escrevessem ou falassem nas redes sociais, cassou perfis no Twitter, meteu a Federal em cima deles, apreendeu celulares, mandou depor, o diabo. Esse mesmo ministro conduz há um ano e meio um inquérito absolutamente ilegal contra quem ele considera divulgadores de “notícias falsas”. Quem é o censor da imprensa nessa história: Bolsonaro ou o STF?
Jair Bolsonaro pode ser um presidente ótimo, bom, médio, ruim ou péssimo, dependendo do lado em que você está. Lula e Luciano Huck acham que ele é péssimo. O general Heleno e Luciano Hang acham que ele é ótimo. O que ele não é, com certeza, é um ditador; não existe no mundo nenhum ditador que tenha sido eleito para o cargo por 58 milhões de votos em eleições livres, universais e democráticas, nas quais o único ato grave de violência foi a tentativa de assassinato que ele próprio, Bolsonaro, sofreu durante a campanha.
O que Barroso está dizendo — e no fundo ele está dizendo só isso, mais nada — é que o presidente é antidemocrático porque elogia o regime militar. É um argumento de centro acadêmico em faculdade de segunda linha. E os milhões de brasileiros que acham exatamente a mesma coisa — e para os quais o que o ministro chama de dic-tator-ship foi um dos melhores períodos que o Brasil já viveu? O que Barroso sugere que se faça com eles? A propósito: Bolsonaro nunca chegou a fazer 10% dos elogios desesperados que o jornal O Globo fez ao golpe militar e ao regime que saiu dele. “Fabulosa demonstração de repúdio ao comunismo”, dizia a manchete da edição de 3 de abril de 1964 de O Globo. Durante os 49 anos seguintes as organizações Globo continuaram dizendo basicamente a mesma coisa — até que, em agosto de 2013, resolveram pedir desculpas por ter escrito o que escreveram. Tudo bem. Mas quem disse isso foram eles, e não o presidente. Por que o ministro não vai reclamar com a Globo?
Não vai porque seu interesse não é determinar quem foi contra ou a favor de coisa nenhuma, e sim aparecer como o principal condutor da “resistência democrática” no Brasil. É duvidoso que seus colegas de STF, onde o nível de estima mútua é um dos mais baixos que se podem encontrar entre onze pessoas, concordem com a avaliação de líder que Barroso faz de si mesmo. O “Supremo”, notoriamente, é um lugar de muito chefe e pouco índio — mas ficar contra o governo, hoje em dia, é o que se chama de uma grande career opportunity, como diria o próprio ministro num dos seus sermões em inglês. Antes de lançar sua proclamação pró-democracia, Barroso já tinha se juntado, um pouco depois dos outros, ao bloco “Unidos do Genocídio”, formado no STF para denunciar Bolsonaro pelas misérias da covid-19 — numa tentativa de resultado ainda incerto para esconder a responsabilidade dos ministros na decisão de entregar às “autoridades locais” todo o combate à epidemia. O fato é que — por ordem direta do STF — as 130 mil pessoas cuja morte é atribuída ao vírus estavam, do ponto de vista da saúde pública, entregues à custódia exclusiva dos 27 governadores e 5.500 prefeitos quando morreram. Como é que se vai apagar isso? A saída tem sido a negação sistemática e organizada da realidade — e acusar Bolsonaro de “genocídio”.
Barroso afirmou considerar normal que cada ministro tenha um funcionário para lhe arrumar o caimento da toga
O STF jamais vai conseguir explicar o que fez nem apagar a decisão que tomou. O governo federal não ficou afastado do combate à covid-19 porque quis abandonar o campo; isso foi assim porque o STF mandou que fosse, em decisão oficial com força de lei. E agora? Quem deu todas as ordens durante o período de tempo em que as 130 mil pessoas morreram não foram os governadores dos Estados Unidos nem os prefeitos da Alemanha; também não foram os marcianos. Foram esses que estão aí, e quem decidiu desse jeito foram Barroso e seus colegas. Os ministros dão a impressão de achar que está tudo resolvido, porque a classe política, a mídia e a elite fazem de conta que acreditam neles. Pode ser. Para a população, no meio de toda essa conversa, o que sobrou de concreto foi o seguinte: a única participação do governo Bolsonaro no combate à epidemia foi dar os R$ 600 do vale de emergência a 60 milhões de pessoas.
Não há, na verdade, nenhuma surpresa nisso tudo. Junto com a sua denúncia contra a dic-tator-ship, o ministro Barroso afirmou em público que considera perfeitamente normal que cada ministro tenha direito a um funcionário para lhe arrumar o caimento da toga e puxar sua cadeira quando se senta nas sessões plenárias. De acordo com Barroso, usar a toga é uma tarefa de altíssima complexidade; só mesmo quem não tem noção das coisas pode ignorar que a capa prende aqui, puxa ali, enrosca mais adiante. Em suma: é um perigo. O que iriam dizer se Bolsonaro falasse algo parecido? É melhor nem pensar. O STF, porém, é um outro ecossistema. O ministro Barroso faz lembrar uma daquelas gravuras de escravos negros que ficavam de quatro ao lado do cavalo para servir de escada ao sinhô na hora de montar. A diferença é que hoje é você quem paga o escravo.
Tudo a ver, não é mesmo? Acusar os outros, como sabe qualquer psicólogo, é um dos truques mais elementares e compulsivos dos que vivem num mundo falsificado: denuncie o próximo, sempre, de fazer aquilo que você faz e quer negar que fez. Barroso foi o advogado de defesa do terrorista italiano de extrema esquerda Cesare Battisti, hoje devolvido à Itália e cumprindo pena de prisão perpétua, no seu bem-sucedido esforço de asilar-se no Brasil para escapar da punição por seus crimes, durante o governo Lula. Battisti, que segundo Barroso era um “perseguido político”, assassinou quatro pessoas na Itália; antes de fugir para cá, foi condenado por 70 juízes italianos, e também pela Corte de Justiça da Comunidade Europeia. Segundo nosso ministro, então advogado, a Itália vivia naquele tempo, entre os anos 70 e 80, sob uma “ditadura” — isso mesmo, “ditadura”, uma acusação alucinada para um país que desde 1946 é uma das democracias mais impecáveis do mundo. Como era uma “ditadura”, não tinha o direito de punir um quádruplo homicida que matava pessoas porque obedecia a um “ideal político”.
Qual o crédito que se pode dar à acusação do ministro Barroso de que o Brasil vive uma ditadura hoje, quando ele acusou a Itália de viver uma ditadura em 1980? A Itália não mudou absolutamente nada de lá para cá; se era uma ditadura naquela época, então continua sendo uma ditadura hoje. Não faz nexo, claro — mas não é mesmo para fazer. Os ministros do STF, cada vez mais, estão tentando governar o Brasil sem ter sido eleitos para nada. Estão fraudando a vontade da maioria da população brasileira, expressa nas eleições democráticas de 2018. Perderam no voto — e agora se empenham em fazer o contrário de tudo o que o governo eleito se comprometeu a fazer junto ao eleitorado. Utilizam um truque básico: declaram que tudo aquilo de que não gostam é “inconstitucional”. Todo mundo fica quieto, ou bate palma. Eles não veem nenhuma razão para não ir adiante.

 "Na borda do mundo"

Deixo um pequeno trecho, Cap. 10, do livro citado do Olavo de Carvalho, que apresenta de forma clara a intelligentzia de esquerda em um período de nossa história (anos 90), e que representa sem mudanças essenciais o espírito das ações políticas por ela mobilizado na realidade atual, essa foi e continua sendo "uma história marcada pela ingenuidade, pelo utopismo, pela completa falta de senso prático, que fizeram dela, tantas vezes, o objeto de chacota de russos e chineses. (...) lhe custou a perda da sensibilidade moral é a completa prostituição do senso ético à ambição de poder, é simplesmente porque é uma esquerda neurótica, e os neuróticos não sabem conquistar a maturidade senão pelo endurecimento da alma". (O Jardim das Aflições, p.384)


terça-feira, novembro 17, 2020

 Os critérios do controle de e vir nesta pandemia

Porque não mediram minha temperatura para entrar para votar? No caminho para minha secção no colégio Manoel Devoto Tinha muita gente junta, nos corredores, nas escadas, chegava a trombar, dar de encontro! A aglomeração era descontrolada.
Curiosamente, para comprar pão ou entrar no mercado, na farmácia, só passando, obrigatoriamente, pelo termômetro do fiscal e sabendo-se a quantos graus meu corpo está indicando naquele instante. Caso não passe no critério de estado febril, a ordem e estabelecida é: "não pode entrar".
Porque os responsáveis por políticas de saúde nessa pandemia tem critérios diferenciados e sem nenhuma lógica para controlar nossas vidas?


Eleições Municipais 2020 (3)

Acompanhando. Ao ler o valor da variação percentual, que é relativo, de algo devemos estar atento ao quantitativo que era e o que passou a valer. Veja a tabela abaixo, no caso do crescimento do número de prefeituras que passou a ser comandadas por cada partido nessas eleições. Não se pode afirmar que 100% de 2, que vira 4, seja muita coisa. Bem diferente de 100 ao se tornar 200. Não acha? Em tempo, peguei essa flor, uma mirabilis jalapa, no Twitter: Pra você ver. "Aconteceu. Você se distraiu e PSOL virou o novo PT".



Eleições Municipais 2020 (2)

Acompanhando. Para corroborar meu post anterior. Para quem pergunta, quem será que foi realmente derrotado nessas eleições? A direita, sem partido, os conservadores privados de sua liberdade de expressão, perseguidos e censurados por um punhado de togados ativistas, que atende a pressão de uma mixórdia esquerdista, que não pode ouvir ou saber de qualquer pensamento contra seu projeto de mundo. Olhando por outra perspectiva, esse momento é revelador do estado em que se encontra o corpo partidário decadente e a maneira de fazer política que, talvez, pode estar mudando. E não se pode afirmar nada por enquanto. Até 2022.



Eleições Municipais para Prefeito em 2020

Ao ler as informações e tentar analisar os dados desta eleição, me interessei em observar como estariam os partidos que mantiveram-se na disputa segundo o perfil ideológico e a colocação de cada um deles, para o 1° turno e 2° turno, considerando o número total de disputas para o lugar de prefeito.

O gráfico abaixo deixa uma mensagem que, por um lado, desfaz a falácia da afirmação que "os conservadores perderam a eleição", por outro, que a esquerda teve "uma avassaladora vitória". O fato, é que a esquerda radical, representada pelo PSOL, supriu-se de votos do desbancado moribundo PT e somados os esforços das correntes esquerdistas, sem qualquer expressão eleitoral, chega ao segundo turno em São Paulo, concorrendo com o desbotado fabiano PSDB. Não troco um pelo outro. O Rio de Janeiro, ah o Rio de Janeiro... tem uma cabeça de burro enterrada. Veremos a sua Vereança Psolada como agirá, some tudo isso a carniça do Paes, uau!
Em Belém, Pará, o PSOL ficou frente a um segundo turno complicado, pois a cidade já está vivendo vários verões de cara com a esquerda, inclusive o PT, e a oportunidade pode ser essa para descartá-los.
Em São Paulo, abre-se uma chance e única, da esquerda puxadinho chegar ao poder na maior metrópole brasileira. É assombroso e uma certeza de óbvio desastre anunciado. Para todos.
Com certa cautela, posso observar o "centro" destacando-se nessa eleição, não a esquerda, com vitórias importantes logo no primeiro turno. A esquerda representada pelo PC do B e pelo PT, só conseguiu manter-se na disputa assegurando o segundo turno e com possibilidade de, não absoluta certeza. O PT sofre no que resta de compromisso da sua militância na beirada do precipício, pelo resultado dessas eleições. Pode acabar sem futuro lá em Vitória, Espírito Santo, e o PC do B ao alimentar a utopia comunista, vai iludindo incautos na grande Porto Alegre. Outra armadilha, caso aconteça dobrar por pouco o MDB, em que essa esquerda será desmascarada.
Ao PSB cabe carregar o bastião de ser o partido que segurará a peteca da esquerda não-PT no Recife, Pernambuco. Quem sabe no NE.


sábado, outubro 17, 2020

 Acompanhando.

Live de Bolsonaro leva a pedido de demissão de especialista do Facebook, diz revista
Segundo reportagem da 'The New Yorker', o especialista em cibersegurança do Facebook David Thiel teria ficado inconformado com a decisão da plataforma de manter o vídeo no ar mesmo enquanto ele apresentava suposta violação das regras
Redação, O Estado de S.Paulo, 16/10/2020.
Uma fala do presidente Jair Bolsonaro durante uma de suas tradicionais lives levou ao pedido de demissão de um especialista da sede do Facebook em Menlo Park, no Vale do Silício. É o que diz uma reportagem publicada pela revista The New Yorker esta semana, segundo a qual o funcionário teria ficado inconformado com a decisão da plataforma de manter o vídeo no ar mesmo a peça apresentando suposta violação das regras da plataforma por “discurso desumanizador”.
Segundo a reportagem, assinada por Andrew Marantz, foi uma fala de Bolsonaro sobre indígenas que entrou no centro de discussões no alto escalão do Facebook. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo de janeiro, quando o presidente afirmou que "cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”.
Ao tomar conhecimento sobre o caso, o especialista em cibersegurança do Facebook David Thiel procurou pela live – que, para sua surpresa, ainda estava no ar. O especialista apresentou questionamentos por meio da rede social interna do Facebook, o Workplace, defendendo a retirada do conteúdo.
Seus questionamentos, de acordo com a The New Yorker, foram encaminhados internamente no Facebook, e os responsáveis por analisar o caso concluíram que o vídeo não desrespeitou as diretrizes da rede. “O presidente Bolsonaro é conhecido por seus discursos controversos e politicamente incorretos”, teria dito um especialista baseado em Brasília, que sustentou que “ele (Bolsonaro), na verdade, está se referindo aos povos indígenas se tornando mais integrados à sociedade (em oposição a isolados em suas próprias tribos).”
Thiel, então, apelou da decisão e se reuniu com membros do time de política de conteúdo da rede. Em uma apresentação com 15 slides, a tentativa do especialista foi de explicar por que afirmar que alguém está “se tornando humano” equivale a um discurso desumanizador. Segundo a The New Yorker, um dos slides recorria até a definições de dicionário para sustentar que o ato de "virar" algo necessariamente denota que, no status anterior, o sujeito em questão não era aquilo.
Thiel também chegou a argumentar que a retórica de Bolsonaro já havia incitado à violência antes. Mas, segundo a revista, foi só após seu pedido de demissão que o Facebook anunciou que havia revertido a decisão sobre a manutenção do vídeo de Bolsonaro, o que o especialista considerou “tarde demais.”
O Estadão procurou David Thiel por meio do Centro de Política Cibernética de Stanford, no qual ele trabalha hoje. A instituição, porém, informou que "o senhor Thiel não está dando entrevistas sobre este assunto no momento."
'Temos mais a fazer'
Em nota, o Facebook admitiu que ainda tem “mais a fazer”, mas afirmou estar “progredindo” na aplicação de suas regras. A empresa reforçou que proíbe discurso de ódio e aplica “regras de conteúdo globalmente, independentemente da posição ou afiliação política de quem publicou (na plataforma)”. “Auditamos nossos processos com frequência para garantir precisão e imparcialidade”, completou a rede social.
A declaração de Bolsonaro sobre índios não é a única que foi alvo de ações da plataforma. No final de março, a rede derrubou vídeos do presidente Jair Bolsonaro em que o mandatário defendia o uso da cloroquina para combater o coronavírus. Ao recomendar o uso do medicamento, que não tem eficácia comprovada no tratamento da covid-19, Bolsonaro violou termos de uso da rede social. Em diversas transmissões ao vivo posteriores, porém, o presidente voltou a propagandear o medicamento.
Já em julho deste ano, ficou conhecido o episódio em que uma rede de perfis falsos ligados ao gabinete do presidente, a seus filhos e aliados foi derrubada pelo Facebook por comportamentos considerados nocivos ao debate público, como o que a rede chama de Comportamento Inautêntico Coordenado. O material investigado pela plataforma identificou pelo menos cinco funcionários e ex-auxiliares que disseminavam ataques a adversários políticos de Bolsonaro. Na ocasião, os citados negaram irregularidades e classificaram a medida como arbitrária.

 Acompanhando. Capaz. Barril dobrado!

Conflito de gerações
por Eduardo Affonso
– Maria Eduarda, eu seu pai precisamos ter uma conversa com você.
– Já sei. Vão começar tudo de novo.
– Não, Maria Eduarda, não vamos começar tudo de novo. Vamos continuar a conversa que vimos tentando ter com você faz tempo, mas você é rebelde, não quer conversar nem ouvir seus pais.
– …
– Quando é que você vai parar com essa teimosia? Até onde vai seguir com essa vontade de ser “diferente”?
– Mãe, eu sou diferente!
– Não, Maria Eduarda, não é. Você é uma menina de 17 anos, igual a todas as meninas de 17 anos, com os mesmos anseios de toda menina de 17 anos. Não faz sentido você continuar se recusando a fazer uma tatuagem! Todas as suas amigas estão tatuadas da cabeça aos pés, e você aí… com a pele intacta. Até onde você vai querer ir com isso, Maria Eduarda?
– Mãe, eu não gosto. Eu acho feio. Só isso.
– Maria Eduarda, que mal faz uma mandala? Um ying e yang? Uma caveira?
– Mãe…
– Uma borboleta na nuca não mata ninguém, Maria Eduarda! Um dragão, uma fênix, qualquer coisa, mas… acho horrível ver você assim, com a pele toda… toda…
– Mãe, não começa a chorar, por favor!
– Choro, sim, Maria Eduarda. Choro de vergonha. Onde foi que eu errei na sua criação? Todas as filhas de todas as minhas amigas estão completamente rabiscadas e você aí, com a pele… virgem.
– Mas eu não sou mais virgem, tá, mãe?
– Nem sei como alguém conseguiu se interessar por você, com a pele imaculada desse jeito. No mínimo foi um daqueles rapazes esquisitos que querem ser dentistas ou – deusmilivre – engenheiros civis. Desse jeito que você anda, de cabelo castanho, com roupa sem um rasgão ou um pircinzinho que seja, você nunca vai arrumar um grafiteiro, um uebidizáiner, um crosfiteiro. Ou um confeiteiro.
– Mãe, fica tranquila…
– Como eu posso ficar tranquila sabendo que você não vai ao tatuador uma vez por semana, nem que seja para fumar narguilê? Que não tem uma serpente subindo pelo pescoço, uma flor de lótus na virilha, uma frase em latim no omoplata, nada!
– Mãe…
– Faz pelo menos uma tribal no tornozelo, filha!
– Mãe, eu…
– Um infinito no pulso, uma âncora no antebraço, qualquer coisa…
– Mãe, eu acho que…
– Você não sabe a vergonha que eu passo na frente das minhas amigas na yoga. Todas têm filhas tatuadas. A Gislaine tem uma filha que fechou o braço. Fechou o braço, sabe o que é isso? A filha da Marta tatuou toda a fauna do cerrado, em protesto pelos incêndios no Pantanal. Ela não é boa em Geografia, eu sei, mas o tatuador fez uma jaritataca linda no ombro dela, e um teiú que sobe pelas costelas e vai até o seio. Quando ela colocar implante, o teiú vai ficar com uma cara enorme, linda. Você vai colocar implante, não vai?
– Não, mãe, não vou.
– Maria Eduarda! Sem tatuagem aos 17 e sem implante antes dos 20! O que você quer da vida, minha filha? Sabe como as pessoas vão te olhar? Como uma aberração!
– Mãe, eu…
– Tatua nem que seja um “Fellyppe, amor eterno” no cóccix, por favor!
– Eu não conheço nenhum Fellyppe, mãe.
– Não interessa. Tatua só para arrepender e tatuar alguma coisa por cima. Aposto que todas as suas amigas já se arrependeram de uma tatuagem dessas e tatuaram outra maior por cima.
– Sim, todas fizeram isso. Aos prantos.
– Viu? Custa fazer? Escolhe um nome qualquer, porque vai fazer outra por cima mesmo. Bernnardho, Artthur, Karollayne, qualquer coisa. Mas tatua, exibe, chora dizendo que se arrependeu e faz uma de rosas vermelhas, ou de uma onça, em cima. Pronto. É só isso que estou te pedindo. Para eu não ser a mãe da menina esquisita que não tem tatuagem. Faz isso por mim, Maria Eduarda. Pelo seu pai, que vem fazendo uma poupança para essas tatuagens desde que você tinha 15 anos.
– Mãe…
– Um código de barras na coxa, filha… O que é que custa? Um ideograma, uma logomarca, um pacote de miojo, qualquer coisa… Você quer chegar à velhice como sua avó, sem parecer um muro de periferia? Sem lembrar uma obra do Dali, com relógios derretendo porque o peito caiu?
– Tá, mãe, semana que vem eu faço.
– Promete, Maria Eduarda?
– Vou pigmentar aquela manchinha branca que eu tenho no peito do pé, aí fica da cor da pele.
– Faz uma caranguejeira, filha! Fica lindo uma caranguejeira bem realista subindo pelo peito do pé!
– Não, mãe. No máximo, uma joaninha.
– Bem colorida?
– Ok, mãe, uma joaninha bem colorida. Já posso voltar a estudar?
– Pode. Te amo, Maria Eduarda. Mesmo você sendo estranha desse jeito, mamãe te ama. Mas por que você não aproveita que vai fazer a joaninha e coloca um pírcim no umbigo?

 Acompanhando. Há os especialistas do caos, intelectos de rede social, gracistas que planam do Olimpo, os democratas de boutique, e coisas do gênero. Tentando transferir culpabilidade ao presidente por não ter vetado parte da lei (artigo 316 do CPP), tais iluminados nada querem enxergar do uso e interpretação casuística da lei por togados do stf, lei aprovada pelo Congresso e que até poderia ter o veto presidencial revogado pelos mesmos que engavetam projetos do executivo. Um reforço óbvio ao ativismo judicial.

"Sórdida, a “Mídia do Ódio” tenta atribuir a Bolsonaro a responsabilidade por atos de um ministro do STF
Gonçalo Mendes Neto, Jornal da Cidade Online, 13/10/2020.
A “Mídia do Ódio” é completamente injusta, insana e irresponsável.
O ódio cego ao presidente Jair Bolsonaro faz essa turma perder totalmente a sensatez.
Uma das manchetes estampadas nesta terça-feira (13) diz o seguinte: “Até acusados de homicídio foram soltos por Marco Aurélio com a lei sancionada por Bolsonaro”.
Tentam por via torta e de maneira sórdida influenciar a opinião pública contra o presidente da República.
Felizmente o povo brasileiro não se deixa mais manipular por essa galera do mal.
Bolsonaro não pode ser responsabilizado por atos do ministro Marco Aurélio de Mello.
Isso é jogo rasteiro e totalmente inescrupuloso.
Aliás, é bom que se diga, faz todo sentido que prisões preventivas sejam analisadas a cada 90 dias. A lei foi criada pelo Congresso Nacional, em tese para evitar que inocentes permaneçam presos injustamente.
Bolsonaro não tem nenhuma culpa se togados utilizam a lei para proteger bandidos."
Gonçalo Mendes Neto. Jornalista.

terça-feira, setembro 22, 2020

 Fechamento de livrarias

Lembro que comecei a ler aos 5 anos, e meus pais, com iniciativas de Odete, minha mãe, vez ou outra me presenteava um livro. Muitos deles ficaram pela longa história dos meus interesses pelos assuntos e estudos, locais de leitura como a casa de vovô Abigail, onde ainda recordo dos livros de Machado de Assis, e outros descansados por lugares esquecidos, mas colecionei grande parte deles guardando em caixas e acomodando-os nas várias estantes, deixadas ou levadas em mudanças feitas nesses sessenta anos, repositórios que tive para meus queridos e importantes livros, estantes adquiridas ou montadas artesanalmente por minhas mãos de pretenso marceneiro.
Lia todos os livros com curiosa atenção para encontrar o final da estória, a essência do romance, do saber armazenado e entendia que por mais tempo que tivesse para conhecer os mundos, os conteúdos organizados ou criados ali deixados, a alma das palavras e das coisas, as tecnologias, o imaterial, os personagens, seria uma aventura para a vida inteira.
Este relato de um assíduo leitor, que sempre fez o acompanhamento, a aquisição e leitura indo à locais sagrados para ver e pegar uma edição, olhar a capa e tocar as páginas de um outro novo livro impresso, é um registro de quem viveu e pode perceber um momento que fica a cada ano mais distante, caminhar o interior de uma grande e boa livraria. Nos anos 70, anos de estudos na Escola de Economia, folheava bons livros na Civilização Brasileira da Avenida 7, era a minha preferida. Visitava o primeiro andar para buscar e consultar livros que estavam fora de meu orçamento. Tomei a Civilização como exemplo de um tempo, passeava muito pela Cultura, e fiquei chocado com a diminuída dela dentro do Shopping Salvador. E hoje leio sobre o fechamento das livrarias Saraiva. Triste fim. Minha migração pelos sebos de Salvador se dava por horas, na época, e o Brandão era meu melhor canto de trocas, e fiz excelentes achados por lá. É uma longa história.
O fenômeno do fechamento das livrarias físicas está ocorrendo já faz algum tempo. Acredito que se dê por dois motivos, primeiro, por haver cada vez menos leitores, decorrente de, por um lado, da baixa qualidade da educação que não estimula os novos potenciais interessados na leitura. Por outro, a imensa disponibilidade de fontes de informação, papers, textos variados, livros, documentos, todos em formatos diferenciados e baixados gratuitos na internet.
Segundo, a transferência das antigas livrarias e editoras para o mundo virtual, com o surgimento do mercado através de sites e aplicativos que cada vez mais se faz aperfeiçoado e crescente, é um fato. Essa modalidade se firmou, como se viu com o boom do delivery de produtos e materiais impressos nesse infindável período de pandemia.
Nada contra a essa tendência, cabe o mercado editorial e de livros se adaptar, haverá espaço para os impressos sim, mas seletivo, embora não vendidos da mesma maneira que antes. O último livro que comprei foi o do escritor Mário Vargas Llosa, O Chamado da Tribo, pela Amazon.

quinta-feira, setembro 17, 2020

 O "Despiora" e o "desmelhora", desentenda!

Me parece que ao recorrer-se de discreto sarcasmo, de um disforme riso descarado do "passando o pano", poderia considerar o "despiorar" como verbo transitivo e intransitivo, "transitivo quando no sentido de impedir o melhoramento, intransitivo na acepção de tornar pior", e destes sentidos, mesmo não sendo usual, quase em desuso, mostrar a sua oportuna utilidade no que poderia ser um possível argumento para o "quando começar a desmelhorar" ser possível fazer mais para desacreditar na despiora do atual estado de coisas. O desespero do quanto desmelhor, a desorientação, impedir o melhoramento, despior!
Na real, por desconsiderar existir a boa fé do ativismo dos derrotados, percebendo a astúcia destilada dada a circunstância, do emprego descolado do verbo, posso entender como destrivial o emprego do "despiorar" e, ao desperder o gancho não desver o que "despiorar". Há no desafio do desejo de alguns em desmelhorar o momento, desver alguma desregrada razão para o apropriado uso da novilíngua, aqui, oportunamente bem definida na curta observação do Marco Frenette:
"Gente normal, melhora. Esquerdista, 'despiora'. As coisas são assim porque a canalhice não sobrevive sem a constante distorção da linguagem".
E disso tudo não desdigo, tem gente que quanto mais desvive, desmelhora! Aí está a "linguagem neutra" chegande.

 A “sinistrose” vermelha

Post em Facebook, 17/06/2019.

Li o livro do Padura bem antes do texto “Vermelhos” da Fernanda Torres ser escrito, e o que me abre os olhos é a certeza dela quanto a ter se servido de antídoto à sinistrose, após ter lido o “Homem que amava os cachorros”.
Ao que parece, o seu espanto de um retorno do que já julgava sepultado é uma afirmação abstrusa do mesmo não-pensar que a esquerda continua a querer empurrar numa narrativa descabida da volta de um “fascismo”, reinante ou possivelmente “eleito”, e o “enfraquecimento da arte como agente transformador”; como fechar os olhos ao que estamos vendo ser produto de mercado ao longo da última década e meia de governos, de esquerda, populistas? Ledo engano de uma leitora devoradora de tudo, no entanto, sem uma digestão saudável da boa literatura.
Não Fernandinha, Padura não conseguiu fazer-lhe criar empatia com o que a população e as pessoas que se esforçam para tirar o Brasil do que a turma do butim e autoritária com o pensamento único nos infringiu. Ainda falta muito para escaparmos da “sombra que pariu” tanto Ramon Mercader quanto Stálin, e porque não dizer Gramsci.


 A evolução da política e a perda dos instrumentos de expressão


Quando falamos da capacidade de pensar, formar o pensamento, organizar-se para a participação política, se trata mais que poder ver, sentir, de vivenciar e expressar com propriedade o sentido da vida que temos e tudo mais presente na nossa realidade, isso se perderia se nos faltasse os instrumentos expressivos e a liberdade de expressão. A dificuldade de acesso, o bloqueio ou cerceamento desses instrumentos nos tornam escravos da ideologia dominante, e é a essa a condição que o populismo, o autoritarismo, os ‘ismos da esquerda nos relegou, quando chegaram ao poder. E se pudessem nunca mais sairiam de lá.

Durante décadas a possibilidade de manifestação de opinião e utilização de instrumentos de expressão diverso da visão do pensamento único da esquerda tornou-se complicado, praticamente impossível, e para uma grande parte da sociedade ainda não-organizada, à direita, foi bastante significativo essa condição,no que se refere a difícil construção do contraponto, a expressão que não se fazia, e a hipocrisia dos iluminados sustentando a inexistência de autocrítica e crítica aos crimes e erros do governo populista, principalmente pela casta acadêmica nas universidades, pelos pelegos nos sindicatos e Centrais, pelos silenciosos aliados presos pelas boquinhas pagas pelo erário público, nem um canal de oposição organizada visível apontava nessa maré de cooptação desenvolvida pelo petismo. definitivamente, ninguém fez frente a censura do politicamente correto, a restrição ideológica dos guetos culturais e o evidente temor no ambiente de trabalho ou acadêmico que servia, qual a coragem de ser abertamente contra a orientação seletiva que a esquerda buscou imprimir com o aparelhamento das instituições, na educação, na cultura, na mídia e na prática política ao utilizar sua capilaridade da militância aprimorando o conhecimento do poder criminoso da arma da corrupção, e isso se deu durante todo o longo período de quase 16 anos do governo petista até o impeachment da Dilma em 2016, o que nos deixou o legado da maior crise econômica e política que o país já vivenciou desde a Constituição de 1988.

O fato é que nos encontramos diante de uma magnífica reflexão, da importância dos instrumentos de expressão, que é intrínseca a relevante presença de uma política de educação efetiva como base da verdadeira cidadania, do debate público sobre opiniões diferentes e conflitantes, a necessidade do resgate da ética na política. O debate democrático das ideias e a existência de instrumentos de expressão que estimule e propicie o confronto de pensamentos livres, fundamentados, reveladores da discussão essencial dos vários interesses da sociedade, de novas proposições e soluções decorrentes do convívio democrático na diversidade, e que se apresentem transparentes ao público, sinceros, conscientes, sem se perder na desorientação e cegueira que levou ao recurso limitado do emprego de estereótipos para definir, ofender, julgar os adversários, intelectuais medíocres, rasos de cultura diversa, condenados pela inexistência de instrumentos expressivos, pelo cerceamento do contraditório, o pensamento “politicamente correto” privando os opositores, tantos são ou fatores negativos que não contribui com a crescente influência das experiências individuais e de grupos independentes crescentes, o que foi facilitado pela expansão das redes sociais contribuindo no complexo processo de amadurecimento e evolução política do Estado democrático.

 Os isentos e os moderados


A redundância, termo intrínseco da autocorreção sistêmica, passou a fazer parte do mundo tensional do querer que parece ausente e crítico dos isentos e dos moderados. Alarmante na sua pequenez, porém ferino com ambos os pólos da manifestação de expressão, por um lado, o da militância ostensiva do esquerdismo, por outro da desorientada mas pequena parcela da direita, diferente da sua maioria que começa a pensar alternativas de participação e se organizar, todos aderentes à grupos nas redes sociais de uma nova política por conflitos de interesses com a prática corrupta debutante do governo petista.


A redundância ressoa no mantra dos moderados e dos isentos, alguns intelectuais de boa cepa, inteligência oriunda de educação qualificada e vida pessoal com experiência na militância na esquerda e outros vindos de uma miscelânea de fragmentos de grupos de democratas desiludidos, mas... em desencanto, com uma condição de preservar as suas trincheira de opiniões que aparentemente nutrem substrato político de uma compreensão deslocada, empoeirada por uma educação especializada fora da realidade, que os faz sentir capacitados nas suas avaliações e julgamento, certamente não por ser superior, porém acham-se suspensos, acima do bem e do mal, numa nuvem intocável de expertise de amargura portadora de uma cosmovisão da verdade, confortável, permanecendo e garantindo-se como observadores com pretensão a participantes. São assim vistos por suas trajetórias históricas de atores que antes ativos em processos que lhes credenciaram posicionamentos, confrontos e influência importantes, que por experiência própria tiveram expectativas, dores e alegrias de conquistas e fracassos semelhantes a muitos que apanharam em todo o processo de democratização marcas da história, na esteira oscilante das mudanças de rumo, ideológico e político, das bases da democracia no último século. 


Que seja. Tanto por isso se debatem entre dois pontos, coexistem na polarização, não só se confrontam com o “ódio do bem”, mas também com o “ódio do mal”, percebem o estado isolado de seu esforço, do simulacro, negando, entretanto, o que fica cada vez mais evidente é que tornaram-se o “terceiro pino”. São postantes invariavelmente cínicos diante da realidade, dramáticos na afirmação de suas certezas, criando situações de conflito aberto sem a menor dúvida que arranjam, criam, um novo movimento, que reforça o movimento do reacionário ao definir e estabelecer bloqueios de e para pensamentos, leitores, escritores e simpatizantes.


A guerra contra o "mecanismo" é ainda maior, é política e cultural.


Porque o "mecanismo" resiste? Porque errou na sua percepção e análise da estrutura da experiência da vida do brasileiro, foi parcialmente derrotado durante a campanha eleitoral de 2018 e continua patinando no problema de uma leitura histórica tosca, anacrônica, sem obter (suas) respostas. Arrastam-se numa crise interna cometendo absurdos que chega ao caricato da hipocrisia,  dissonância cognitiva, da burrice seletiva pelo autoritarismo, atavismo ideológico, que parece reforçado durante essa pandemia. Insistem no erro de avaliação e na prática de seu plano, se é que existe algum, ao querer criar um "terceiro turno" orquestrado em narrativas geradoras de golpe, sem exército ou apoio popular, na gana de retirar, impedir, um presidente eleito democraticamente por 57 milhões de brasileiros.


O "mecanismo" é o que considero a reunião de todos que atuam e buscam a manutenção da política de coalização, da convivência com a corrupção, do aparelhamento partidário das instituições, do Estado protetor e dominado por um estamento burocrático composto de uma casta de privilegiados, funcionários públicos regiamente remunerados, gestores políticos agarrados aos costumes da "boquinha", da capilar propina, do fisiologismo e do nepotismo. Esses soberbos da impunidade, viventes com o aval e suporte de prestigiada banda intelectual de certa matiz ideológica (universidades e imprensa), artistas aquinhoados pelos afagos do capital progressista, uma elite forjada nessa orquestração irresponsável, inescrupulosa, manipuladora de direitos fundamentais e princípios constitucionais. 


Esses parasitas de benesses que privilegiam os seus iguais numa simbiose de usos e costumes caóticos, errática, suicida, que perderam muito, já não garantem aos seus apadrinhados, apoiadores, as fontes e o enriquecimento espúrio à custa do cidadão, dos que trabalham e pagam impostos. Esses parasitas, uma elite sem ética, de propósitos egoístas, se encontraram fora da realidade. Caiu-lhe da boca o fruto de um grande esquema predador e de exploração por desvios da função primordial do dinheiro público: atender as necessidades, a segurança e liberdade da população.


 Esse era e ainda é o mecanismo do golpe, uma onerosa organização criminosa, protegida por uma casta de corruptos, uma gangue de resistentes à democracia, uma panelinha de ativistas do judiciário e os epífitas do legislativo, parasitas fixos a ação  predatória em todos os níveis das instituições por décadas.


 Meu meteoro


Uma tarde quente se estendia na rua de terra até o mar. A brisa soprava o cheiro das ondas e o salitre, criando as coisas num dia ensolarado, barrufando toda a localidade com o bocejo morno de Deus. Grão a grão ia se deslocando as brancas dunas, a areia fina assobiava sob os pés do menino que pulava nas poças de chuva da Aminadab Valente. Horácio, ainda um menino que usava calça curta, calção, ficava sentado imóvel, o corpo em estado de paralelepípedo, solitário, com a mente solta em aventuras na Terra do Nunca, bem ali na soleira do portão da casa de praia da sua avó Abigail.

Horácio mirava sereno, impressionado, com o Alto, comunidade humilde em suas dimensões humanas e materiais; imaginava às vezes penetrando àquelas ruelas medievais, sustentando-se em suas pinguelas instáveis, passagens apertadas completadas por degraus de troncos, tábuas sem pregos, barracos construídos de galhos secos e barro, frágeis construções de pau-a-pique cobertas com palha, folhas de zinco, poucas com telhas, com serviço público de energia e nenhum saneamento básico. 


O menino observava de longe a passagem das lavadeiras, o prêmio das marés sendo carregado em puçás pelos pescadores e marisqueiras, e sabia com uma visão de estudioso dos girinos escondidos na água escura da grande lagoa, de aroma forte, salobra, que em dada estação cobria-se das jibóias bem verdes, de brilho oleoso, matéria que preenchia metade daquela infindável cuia negra, rica de mistérios e seres, sombras flutuantes, profundamente misteriosa.

A sua curiosidade era atiçada pelas formas adotadas nos fifós de lata, as tintas em cores generosas e nas ranhuras bordadas nos porrões fundos e de bojo largo, o odor levantado no vapor do ferro de passar a carvão esticando as linhas das calças engomadas do militar, o seu pai, e as camisas de punhos fechados que não usavam abotoaduras douradas. Ele via anjos buliçosos nos lençóis de algodão brancos de cegar ao sol, longos espelhos estalando de tão secos, alvos do anil, bandeando nos varais de arames pensos e esticados. Como de costume gostava de ficar observando a vida das gentes de lá, da vida do Alto, dos que apanhavam água em latas carregadas sobre rodilhas de cabeça, geralmente mulheres, admirando tudo que se movia como a um quadro vivo naturalmente pintado que despertava toda arte e ciência precoces. Um conjunto de casebres e tantas palafitas levantados sobre um elevado morro próximo da margem da grande Lagoa que despertava nele uma atitude rara para sua idade, se comparada a sua motivação de conhecer as coisas de outra realidade, a do Alto, com a energia de seus irmãos e colegas entretidos nas brincadeiras de rua, que gritavam por ele convidando para completar o grupo da amarelinha, do esconde-esconde, garrafão, jogos de bola de gude que iam até a hora do pôr do sol quando eram gritados para o banho.

Foi numa dessas tarde, de repente, como se apontado por alguém ou chamando de longe, ele suspendeu seus olhos para o céu, e viu claramente num rápido compasso, um meteoro, uma luz de  surpresa, não foi uma coisa que o assustasse, apenas viu um diamante riscando o céu duro, azulado, sem nuvens sobre sua cabeça, e que correu de um lado a outro, firme, desenhando um rastro de fogo frio encantado, levando sua cauda esticada continuando num trajeto sem fim até se perder de vista entrando no horizonte aberto, largo do Alto, indo tão longe quanto as pernas da imaginação de Horácio também queria ir, mas ainda não alcançava. Uma imagem gravada em sua simples cabeça de jovem navegante, uma rocha em chamas se movimentando, havia começado a marcar seu caminho para outro mundo.

Para o menino de calça curta, de pernas incansáveis, aquilo representou um acontecimento de um significado especial, um breve sinal, um vínculo estabelecido entre ele, o meteoro, e aquelas pessoas do outro mundo do Alto. E desse dia em diante, todas as sensações vindas do entardecer viriam com o brilho do seu meteoro e jamais se desmancharia. Ainda surgem latentes, radioativas, revitalizando suas memórias.

 O que a realidade tem da verdade e muitos querem negar


A leitura dos verdadeiros filósofos tem sido uma tarefa muito recompensadora, não apenas para completar meus estudos sobre os fundamentos da ciência econômica, em sua evolução, mas por ter a confiança de ser a referência essencial do pensador, daquele que busca sabedoria e o caminho da verdade. Os filósofos acadêmicos, os teóricos da área das ciências sociais tem se debatido no ativismo sem refletir sobre os fatos, prestar atenção nas condições objetivas inerentes às mudanças ocorridas no mundo real desde a segunda metade do século passado e nesses vinte anos do século XXI.


O momento traz uma questão primordial para o entendimento da efetividade da vida em sua profundidade filosófica, que não é simplesmente conhecer o sistema, obra, esquema ou diagrama da realidade, mas é o conhecimento da alma humana, da que está na estrutura da experiência do mundo real, da verdade de uma realidade, e que poucos parecem se dar conta. A guerra ideológica está sendo carregada à qualquer parte, através do "marxismo cultural", do mundo, e está sendo desenvolvida, injetada na cabeça da jovem manada para seja maior que ontem, e a distorção da realidade para dar suporte a essa onda desesperada cresce por indução e impulso, se necessário no grito, pela violência, em todos os planos, mantida pela impunidade, e passa livremente com suas narrativas de folhetim de rodoviária calçado numa paralax cognitiva embalada na propaganda de uma imprensa marrom, pronta para inibir as opiniões, as críticas e as manifestações contrárias dos que apenas pareçam ser diferente das ações e pensamento que eles defendem e querem impor à todos.


A verdade que nos chega está na realidade vivenciada, percebida, experimentada e obedecida, sem mais nem menos, e que independe da opinião e mesmo da falta de substrato da percepção do observador, da sua capacidade e base de formação do  pensamento, nem se resume na tentativa de criação de outra realidade, da construção de fatos ou em sua negação, não está na superficial sustentação de pós-verdade ou da força dos que são incapazes do entendimento e aceitação do contraditório, da verdade, essa existente na unidade do real, da simples percepção. Esses, os desprovidos do benefício dúvida, alheios à lei do retorno, marginais da verdade transparente, negam a função seminal do pensamento, recusam a própria consciência humana que luta contra a complexidade dos dados do mundo que os cerca buscando pela reflexão pegar o fio da meada da verdadeira realidade.


 (A propósito dos dois risos)


6


“Eu também dancei em roda. Isso foi em 1948; os comunistas acabavam de triunfar em meu país, os ministros socialistas e democrata-cristãos tinham se refugiado no estrangeiro, e eu segurava pela mão ou pelos ombros outros estudantes comunistas; nós dávamos dois passos no lugar, um para frente e levantamos a perna direita de um lado, depois a esquerda do outro, e fazíamos isso quase todos os meses, porque tínhamos sempre alguma coisa para celebrar, um aniversário ou no acontecimento qualquer; as velhas injustiças foram reparadas, novas injustiças foram cometidas, as fábricas foram nacionalizadas, milhares de pessoas foram presas, os tratamentos médicos eram gratuitos, os donos de tabacaria tiveram seus negócios confiscados, os velhos operários iam pela primeira vez passar as férias nas casas de campo desapropriadas e nós tínhamos no rosto o sorriso da felicidade. Depois, um dia, eu disse algo que não devia dizer; fui expulso do partido e tive de sair da roda.

Foi então que compreendi a significação mágica do círculo. Quando nos afastamos da fila, ainda podemos voltar a ela. A fila é uma formação aberta. Mas o círculo torna a se fechar e nós o deixamos sem retorno. Não é por acaso que os planetas se movem em círculo e que pedra que se desprende de um deles afasta-se inexoravelmente levada pela força centrífuga. Semelhante a um meteorito arrancado de um planeta, eu saí do círculo e, até hoje, não parei de cair. Existem pessoas a quem é dado morrer no turbilhão e existem outras que se arrebentam no fim da queda. E estes outros (entre os quais estou) guardam sempre consigo uma tímida nostalgia da rota perdida, porque somos todos habitantes de um universo onde todas as coisas giram em círculo.” (KUNDERA, Milan. O livro do riso e do esquecimento. Círculo do Livro, 1978).


 Desconhecer a história ou ignorá-la é repetir os piores erros

Passamos mais de dois séculos com uma convicção sobre a “verdade” e a “ética” do propósito finalístico e teleológico do “compromisso classista”, e o que ficou claro dessa experiência foi o desastre humano magnífico, que isso, essa certeza de princípios e virtudes causaram, não apenas na vida de centenas de pensadores e milhares de militantes embebidos da ideologia da gloriosa revolução libertadora dos homens, do mundo, que parecia inevitável sob a liderança do proletariado com a instauração da sua ditadura, e que de maneira hedionda, foram levadas a cabo com o sacrifício de milhões de seres inocentes.
Hoje se pode confirmar que é mesmo ilimitada a “capacidade do homem para negar contradições flagrantes por meio de racionalizações, desde que lhe convenha, e dificilmente poderia ser melhor demonstrada” quando observamos que no caminho da busca da “emancipação e libertação dos grilhões do determinismo econômico, sua reintegração como ser humano, sua aptidão para encontrar a unidade e harmonia com seus semelhantes e com a natureza” o que nos livraria da pré história da humanidade, isso tudo que se diz do capitalismo; na realidade representa uma ideologia que orquestrou exatamente eliminar a integridade do indivíduo e a liberdade, experiência de milhões de homens, mulheres e crianças, que foram eliminados nos genocídios sustentados por uma elite de políticos e lideranças da esquerda, intelectuais, acadêmicos, empresários e artistas, na eliminação oficial de seus dissidentes e opositores.
Os rótulos fascistas, nazistas, comunistas, socialistas, podem ser considerados parte de uma coleção de estados em trânsito, de exceção, e referências ideológicas; populistas, fascistas, nazistas, "reacionários" por definição de "direita" (que não é apenas um conceito), “revolucionários” de esquerda (que não é apenas uma práxis), todos, indistintamente defensores de regimes, governos autoritários, modelos totalitários, indiferentes às necessidades reais e históricas, condições objetivas definidoras do padrão civilizacional do bem-estar obtido por sociedades que historicamente e de fato, conquistaram para grande parcela de sua população. São sociedades que se estruturaram, foram organizadas econômica, social e politicamente em democracias, com relações sociais garantidoras da liberdade individual e direitos fundamentais explícitos em leis e costumes ao longo dos dois últimos séculos.

 A fraqueza do mau-caráter 

Compreender essa pandemia me parece apropriado andar com o olhar ampliado, para poder enxergar os planos que compõem o quadro geral em suas várias dimensões, tanto pelo lado da saúde, como do seu impacto social e político que se confundem no momento atual com um processo grotesco de choques de intenções, pressões particulares da fria oposição, representada por rapinas burocratas, uma casta judiciária e por um punhado de parlamentares, corruptos com título de impunidade e alcunha, distanciados dos anseios da população agarrados ao galho do Centrão, e ao que resta da coluna do modus operando da política do "toma-lá-dá-cá", moeda de troca, fraturado pela Lava Jato.  


O olho torto intelectual de buteco, o que só revela uma dialética negativa de alma putchista, de pavões intelectuais sem perspectiva de bom propósito para o país, esvoaçantes corvos aliados a parasitas empoleirados em instituições, uma grande mídia extrema e obtusa, infelizes artistas, não-pensantes militantes de inegável referência, bastiões tardios do chato bate panelas, deambulam, incansáveis pés esquerdos do anacronismo, dia a dia numa batalha de caolhos recheada de fake News e narrativas cegas pelo caos da governabilidade e tomada do poder por quem seja do seu agrado. Ignorando e, degenerando a Constituição, levantando como ordem do dia o autoritarismo falsamente combatido pela hipocrisia de democratas.


 Visto isso, me parece apropriado lançar uma ideia que vem, digo pesquei, ao lembrar de um filme que assisti sobre uma pandemia na qual a humanidade se perde, no sentido da sua essência, e disso ocorre uma grande tragédia dizimando a maior parcela de vidas humanas em todos os continentes. 


Pensar que o sentimento de preservação é o primeiro que se apresenta em circunstâncias como a que vivemos, parece ser o óbvio com o começo da busca de ajuda mútua e  convivência racional, porém o mal existe em resistência, através de interesses com discrepâncias de percepção do real e viez ideológicos presente em um cenário que prospera o bizarro, com perdas, dor e com um temor que reduz a esperança, onde se manifestam vozes de histeria, conspiração, ódio e falsa indignação, muitas delas vindo apenas expor os seus representantes em suas verdadeiras aspirações e delírios de podres poderes aflorando autoritarismos.


E às vezes, o que achamos ser o seu aspecto mais brutal, nada mais é que sua vulnerabilidade se mostrando. É que adoram disfarçar fraqueza em força. É muito mau-caráter.


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